10 de dez de 2008

Hino à morte de Vargas

          O Blog Economia Política Brasileira relembra um dos mais importantes hinos políticos do Brasil, que não se encontrava na Internet, mas agora está acessível ao povo e à história do Brasil. O Hino lembra com tristeza a morte de Getúlio Vargas (1954), e foi criado como voto de confiança em João Goulart (Jango) como herdeiro do legado de Vargas e como novo comandante do trabalhismo brasileiro. Confira abaixo:

Avante, avante, meus irmãos brasileiros.

Avante, avante, com muita garantia.

Marchemos firmes pela vitória,

Nesse nosso Brasil que em todos nós confia.

Marchemos sempre bem solutos,

Com bravura, confiança e alegria,

Tendo à nossa frente Jango,

Com a bandeira da democracia.

Getúlio partiu

Para além, mas deixou,

De sua bravura um herdeiro.

Marchemos com a força

Do legado heróico,

Lutar pelo povo brasileiro.

Trabalhistas avante,

Marchemos com Jango,

Esse soldado altaneiro,

O nosso heróico comandante,

Do trabalhismo brasileiro.

Getúlio partiu

Para além, mas deixou,

De sua bravura um herdeiro.

Marchemos com a força

Do legado heróico,

Lutar pelo povo brasileiro.

Trabalhistas avante,

Marchemos com Jango,

Desse soldado altaneiro,

O nosso heróico comandante,

Do trabalhismo brasileiro.

3 de dez de 2008

Keynes, um grande cretino

          Parece engraçado, nós que sempre partilhamos das idéias de Keynes, rotulá-lo de cretino. Pois bem, não é exatamente isso. A frase que intitula essa crônica é de um professor marxista da práxis  (que preservo o nome por questões pouco óbvias). De certa feita, o john_maynard_keynes_large ouvi dizer: “Keynes foi um cretino como todos os outros, mas ele foi  um grande cretino”. A frase, além de cômica, me chamou a atenção. Certamente existem raríssimos marxistas que desejam a continuidade do sistema capitalista, e como Keynes buscava a manutenção desse sistema, dizendo, inclusive, que “não acredita que nenhum outro sistema alternativo pode ser tão eficiente para o progresso da humanidade quanto o sistema capitalista”, então é muito provável que a quase totalidade dos marxistas considerem Keynes mais um “lacaio do capital” entre tantos economistas capitalistas da vertente ideológica que forem, mas percebe-se que mesmo esses marxistas reconhecem a grandeza de Keynes. Dizer que Keynes foi um “grande cretino”, vindo de um marxista, é, antes de insulto, um elogio.

          É possível os marxistas sintam certo rancor de Keynes, pois, não fosse por ele, possivelmente hoje viveríamos num modelo socialista – basta lembrar como o mundo estava abalado na época: a primeira Guerra Mundial (1914-1918), depois a Crise de 1929 e mais tarde a segunda Guerra Mundial (1939-1945), se fizermos uma somatórias desses emblemas, veremos desemprego em massa, fome, miséria, governos sem capacidade fiscal, e a inexistência de um modelo de qualidade que pudesse substituir o modelo de livre-comércio, enfim, um desespero total, que alastrava uma legião de revoluções pelo mundo, como a Revolução soviética em 1917, a ascensão de Hitler em 1933 (e o alastramento do fascismo em diversos países), e até a Revolução chinesa em 1949. É evidente que não fosse a genialidade de Keynes para constituir um modelo eficiente para racionalizar a maneira como a política econômica vinha sendo conduzida até o momento, não fossem as idéias keynesianas, o sistema capitalista teria entrado em colapso. E notem que, quando mais uma vez, nos dias atuais, o horripilante modelo de livre-mercado volta a ser dominante entre os governos e volta a causar a única coisa que pode advir de um modelo irracional, ou seja, a crise, percebam que novamente aparece Keynes para salvar a(s) pátria(s). Os marxistas respeitam Keynes porque ele soube ser racional, descreveu modelos de políticas econômicas eficazes e bem fundamentadas, e, antes de tudo, tinha como ele mesmo dizia, “a humildade dos dentistas” que até hoje falta a muitos dos nossos economistas.

          Bom, enfim, é uma pena que os governos costumam esquecer-se de Keynes quando as coisas vão bem, mas aí surge a crise, e, num passe de mágica, plim-plim, todos somos keynesianos (exceto os marxistas, claro). Menos mal, antes tarde do que nunca.

26 de nov de 2008

O que fazer contra a crise?

          O Brasil perdeu recentemente dois grandes instrumentos que são vitais para evitar o aprofundamento da crise. Perdê-los foi, não só um erro, mas uma irracionalidade total da parte de quem os fez extintos. Esses instrumentos precisam voltar.

          O primeiro erro foi permitir que as empresas exportadoras mantivessem o dinheiro oriundo das exportações em contas no exterior. Isso não pode continuar acontecendo porque, além de restringir a entrada dessas divisas que fazem parte da nossa balança comercial, e, portanto, não podem ser deixadas ao bel prazer em outros países (para a felicidade deles), também favorece inevitavelmente a especulação contra o Real, ou seja, se a empresa sabe que os seus Dólares precisam obrigatoriamente vir rapidamente para o Brasil, onde serão obrigatoriamente convertidos em Reais pelo BC, e, portanto farão parte do seu patrimônio, as empresas jamais irão apostar contra o Real porque isso passa a ferir o seu próprio patrimônio, mas mantendo os Dólares em outros países, pouco lhe importará as flutuações diárias no câmbio – elas vão esperar até que o Real esteja bastante depreciado para então resgatar esse dinheiro.

          O segundo mecanismo que precisa ser resgatado se trata do controle do fluxo de capitais. Um bom modelo a seguir é a “Lei dos lucros extraordinários” idealizada no segundo governo de Getúlio Vargas, que visa limitar o envio de lucros e capital das multinacionais às suas matrizes no exterior. Isso é importante para que o Brasil não sofra tanto com a falta de liquidez na economia, pois é muito comum nesses momentos de crise, que as multinacionais passem a enviar tudo o podem para evitar a falência da matriz. Isso acaba desvalorizando cada vez mais o Real (já que elas precisam comprar dólares para remeter) e reduz drasticamente a taxa de poupança (que acaba reduzindo o crédito interno) e reduz, principalmente, o investimento que essas empresas poderiam estar fazendo no Brasil.

          Além dessas duas medidas, o governo deve criar um plano financeiro que aumente a renda das famílias mais pobres para que elas consumam mais – todos nós sabemos que consumo é essencial para o crescimento econômico. E esse adicional de renda tem que ser para as famílias mais pobres porque elas estão menos propensas a poupar, ou seja, gastam praticamente tudo que ganham, e em momentos de crise, sem desconsiderar a importância da poupança, é mais necessário que as famílias gastem do que poupem. Na verdade, a base desse plano já existe: é o Bolsa-família – já está tudo pronto, é só injetar mais dinheiro e aumentar o número de famílias atendidas, nem precisa ser aprovado pelo Congresso.

           Aliás, os gastos do governo são importantes para manter uma boa faixa de consumo e investimento, e também para manter o crédito em um bom nível: três coisas que as crises costumam filadesopa1929atacar  de pronto: se as empresas não investem, se as famílias não consomem, se há fuga de capitais, quem pode manter a economia ativa? Os governos. Se esses problemas não forem combatidos, só se pode esperar a redução da atividade produtiva e consequentemente o desemprego em massa que é o maior mal de uma crise econômica.

          Uma das grandes dúvidas também é: manter os juros altos ou baixá-los? Se as medidas que eu citei acima forem seguidas, é bem possível e muito benéfico reduzir os juros, afinal, isso cria maior facilidade para investimentos, reduz os gastos do governo com pagamento dos juros da dívida (podendo transferir esse excedente para outros gastos mais racionais), e preserva mais a renda do povo que transferirá essa economia para o consumo. Mas, se as medidas que eu citei acima forem negligenciadas, então será necessário manter os juros altos para servir de atrativo ao capital estrangeiro, tudo para evitar o sumiço de crédito, a rápida depreciação do Real frente ao Dólar e o assalto às nossas reservas internacionais.

          Essas são as medidas imediatas e urgentes que precisam ser tomadas; elas ajudam a contornar a crise – vejam que eu não disse resolver o problema, mas contorná-lo. Para resolver o problema, a história é mais complicada ainda, são necessárias medidas regulatórias de médio e longo prazo, e precisam, inclusive, serem medidas globais. Isso veremos em breve aqui no blog Economia Política Brasileira. Acompanhe.

19 de nov de 2008

O Brasil suportaria mais 8 anos de FHC?

O artigo que você vai ler a seguir não é uma publicação nossa. O blog Economia Política Brasileira entendeu ser de grande importância a vinculação do mais recente artigo de Emir Sader, também publicado pelo site “Vermelho”, pela “Agência Carta Maior” e pelo blog “Conversa Afiada” do Paulo H. Amorim. Acompanhe:

          O que seria do Brasil se Serra tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como o Brasil teria sofrido a crise atual, caso as orientações do bloco tucano-pefelista tivessem prevalecido?

          A aliança tucano-pefelista assumiu o governo em 1994, com FHC, prometendo que a estabilização monetária resolveria todos os grandes problemas do Brasil: inflação, divida pública, estagnação econômica, atraso na modernização do país, desemprego, poder aquisitivo dos salários, etc. etc. Era um bloco novo no Brasil, em que um partido que se dizia social-democrata, formava uma coalizão com um partido originário da ditadura (cuja mudança, novamente, de nome, não permite disfarçar sua origem, de que seus caciques são testemunhas: Borhnausen, ACM, Marco Maciel, Garibaldi Alves e outros que o dirigem atualmente), para aplicar o programa do FMI, do Banco Mundial e da OMC, que já estava sendo aplicado por Menem na Argentina, pelo PRI no México, por Carlos Andrés Perez na Venezuela, entre outros.

           FHC reelegeu-se, quatro anos depois, com toda a urgência, porque o Brasil estava de novo quebrado nas mãos de sua equipe econômica, Pedro Malan negociava uma nova Carta de Intenções com o FMI – a terceira, em menos de quatro anos, na terceira quebra do país -, pelo que era necessário serra_fhcganhar no primeiro turno, para impedir que o povo soubesse o que saberia poucas semanas depois: a nova falência, a nova Carta, as falcatruas do Banco Central – no caso Marka-Fonte Sindam, pelo qual vários dos diretores daquele Banco estão condenados – e a elevação da taxa de juros a 49% (sic). Tudo feito com todo o apoio da grande imprensa privada – FSP, Veja, Estadão, O Globo. O Brasil foi jogado numa recessão, da qual só saiu recentemente, com profundas feridas daquela política regressiva e anti-popular.

          A quebra por três vezes do país foi conseqüência da política econômica de FHC, apoiada por todos os organismos internacionais, por 3/5 do Congresso – incluído o PMDB, o PPS, o PV, o PP, o PTB – e da grande mídia. O candidato que dizia que “o Estado brasileiro gasta muito e gasta mal”, fez a mágica de transformar a inflação em dívida pública, multiplicando-a por mais de 10 vezes, levando o Estado brasileiro à falência.

          Privatizou todo o patrimônio público que conseguiu – da Vale do Rio Doce, empresa líder do seu setor no mundo, vendida a preço que permitiu pagar dois meses da dívida pública, a preço de banana, às telecomunicações, entre tantas empresas -, chegou a fazer com que a Petrobras mudasse de nome para Petrobrax – por 24 horas, teve que retroceder diante da indignação pública -, para tirar-lhe a referência a Brasil, torna-la “empresa global” e favorecer sua privatização, iniciada com a venda de ações da empresa nas Bolsas de São Paulo e de Nova York, depois da quebra do monopólio estatal do petróleo.

          O governo tucano-pefelista de FHC promoveu o mais acelerado processo de concentração de renda que o Brasil conheceu em um breve espaço de tempo – de que a transferência de patrimônio publico a mãos privadas foi uma parte essencial – e FHC saiu do governo com a mais baixa avaliação que um presidente havia tido (quando Lula têm 80% de apoio, no seu sexto ano de governo, FHC tinha apenas 18%, quase cinco vezes menos), considerado o “candidato dos ricos”, a quem favoreceu como nunca havia acontecido no Brasil.

          O que seria do Brasil se Serra tivesse sido eleito, para dar continuidade ao governo FHC? Como o Brasil teria sofrido a crise atual, caso as orientações do bloco tucano-pefelista tivessem prevalecido?

Obs: Sader promete responder a essas perguntas em outro artigo.

15 de nov de 2008

119 anos de República

          Por mais que a história da Proclamação da República nos seja confusa e repleta de fatores que não a colocam como um movimento revolucionário – e o símbolo mais emblemático é a ausência da participação popular, sem esquecer que levou ao poder os mesmos consevadores que antes eram partidários do império –, mesmo assim seu acontecimento é de vital importância para o estabelecimento da liberdade e da participação do povo na política. Certamente teria sido mais vigorante para o Brasil uma verdadeira revolução como foi a Revolução Francesa, mas, enfim, o grande problema é que não havia no Brasil uma burguesia forte e revolucionária como existia na França; na verdade, uma revolução mais emblemática para o país só viria 41 anos depois com Getúlio Vargas; na época da proclamação, o único grupo com força para derrubar a Monarquia, eram os conservadores, que tinham o apoio dos militares, e assim o fizeram.

brazaobrasil          A grande questão é o que o movimento republicano  representa para o Brasil, e ele representa seguramente a possibilidade de ação popular, seja pelo voto, seja pela liberdade de expressão, seja pela garantia de um governo comprometido mais com o povo do que interesses de uma minoria. Ele representa o reinado do povo, e não de uma única pessoa. É bem verdade que a história que se seguiu foi muito conturbada, os direitos que deveriam advir de um sistema republicano, foi muitas vezes negado ao povo. Foram anos de manipulação das votações, alternância acordada de poder, golpes contra os governos nacionalistas, ditadura militar, enfim, foram anos obscuros e difíceis para a consolidação do sonho de República democrática e voltada aos interesses nacionais.

          A constituição de 1988 marca uma nova fase da nossa República. Ela é a imagem da República que vivemos hoje, uma república democrática. É certo que ainda temos, por exemplo, uma mídia muito concentrada que não raramente costuma direcionar o resultado das urnas de acordo com os seus interesses, mas o grande consenso, é que agora o povo pode escolher. A partir de agora, o grande desafio para a república brasileira, é exterminar de uma vez por todas os interesses alheios aos interesses da nação que ainda insistem a tomar as rédias do poder em algumas decisões. Falta ao povo brasileiro ter mais voz, ter mais ação. O Brasil não pode ficar fardado a aceitar as decisões que lhe abnegam os direitos que se fazem necessários a consumação da prioridade número um: O bem geral da nação.

          A República ainda não está em sua plenitude no Brasil. As forças anti-democráticas ainda são fortes, as forças neoliberais ainda são mandantes, e isso destroe o sonho nacional, destroe o poder popular. Temos que lutar para manter a República viva e em constante aperfeiçoamento – leia-se democrática, nacionalista e em favor do povo.

4 de nov de 2008

ITAÚ-UNIBANCO: realidade, utopia ou oportunismo?

          Os grupos Itaúsa e Unibanco, ambos de controle nacional brasileiro, anunciaram hoje (03/11/2008) a fusão das suas operações, ou seja, tornaram-se um único grupo. Embora haja dentro destes grupos diversos ramos de atuação (como a Itautec, itau1 de tecnologia, do Itaúsa), a principal operação – e grande motivação do negócio – é a financeira, particularmente a operação bancária de ambos, o Banco Itaú e o Banco Unibanco, cuja fusão resultará, não só no maior banco do país em ativos (R$ 575 bilhões) – ultrapassando o Banco do Brasil (R$ 404 bilhões) e o Bradesco (R$ 349 bilhões) – como também será o maior conglomerado financeiro (somando os bancos, financeiras, seguradoras etc.) do hemisfério sul do planeta e o 20º grupo com maior valor de mercado do mundo. Entre os motivos que levaram os controladores a firmar o negócio, estavam, evidentemente e principalmente, as movimentLogo%20Unibancoações dos concorrentes - se é que existe concorrência – como o Banco do  Brasil que vinha incorporando, ou negociando incorporações de bancos públicos estaduais (BESC, Nossa Caixa) e o espanhol Santander que comprara recentemente o Banco Real (Operações do ABN Amro no Brasil), mas, segundo os controladores, a possibilidade de internacionalização e de emergir como uma das grandes instituições financeiras multinacionais na, como diria o presidente Lula, “nova ordem econômica mundial” pós-crise, veio a calhar como um decisivo estímulo a mais.

          Restam-nos as dúvidas que intitularam este artigo: realidade, utopia ou oportunismo?

          Oportunismo, isso é óbvio que sim, claro, não poderia deixar de ser: se você vir um banqueiro pulando de uma janela, pule logo atrás, certamente é um bom negócio. Ora, o Itaú e o Unibanco estavam sufocados pelos demais colegas de profissão, agora ganham fôlego na ponteira do mercado, ultrapassando, inclusive, o nosso grande banco público que nunca antes na história desse país havia sido ultrapassado. De certa forma, os controladores, representados por Roberto Setubal (Itaúsa, à esquerda na foto) e Pedro MoreirSetubal e Salles, do ITAU-UNIBANCO a Salles (Unibanco), não mediram esforços em desviar os olhares da sociedade para os problemas da alta concentração do setor bancário no Brasil, e o próprio advento de uma instituição financeira privada maior do que a maior instituição financeira estatal que é o Banco do Brasil. Com frases como "Trata-se de uma instituição financeira com a capacidade de competir no cenário internacional com os grandes bancos mundiais" ou "Nós (Brasil) precisamos de um banco internacional. Esse banco, com uma base de capitalização forte, terá capacidade de financiar as empresas que estão se internacionalizando" e ainda “isso é natural dentro do processo de consolidação vivido pelo setor financeiro", demonstram como ambos se empenharam em trazer o fato da fusão para um ambiente de aceitação por parte da sociedade, visando, principalmente, a aprovação do Banco Central, da CVM e do CADE, já que sem o consentimento desses três, o negócio não pode acontecer.

          Mas, também, além de oportuna, pode ser que a fusão realmente tenha intenção de construir um dos “big business” mundiais. Então, será ótimo para o Brasil, que não tinha nenhum banco com capacidade de ser uma marca mundial. Imaginem um inglês falando “Banco do Brasil” ou “Bradesco”, mas certamente ele pode arriscar “Itaú”, deve ficar mais ou menos “Aitaú”. Não há dúvida que muitos dos grandes bancos da atualidade possam vir a se enfraquecer cada vez mais nos países centrais ou mesmo a falir, como aconteceu com o Lehman Brothers, então, o Itaú tem a chance de aproveitar o nicho de mercado que advir depois de passada a turbulência da atual crise hegemônica para ajudar o Brasil a alcançar uma situação de maior poderio político, militar e econômico no novo cenário internacional. Basta lembrar que o Itaú aparece com capacidade de comprar, e comprar a preço de banana, diversos bancos que passam por dificuldades financeiras nos países ricos.

          O Itaú tem experiência suficiente para atuar de forma segura e eficaz em outros mercados caso venha a crescer como promete; a própria fusão com o Unibanco dará experiência suficiente para o sucesso das possíveis compras no exterior. Portanto, só podemos imaginar utopia por parte dos controladores do novo grupo em suas juradas intenções internacionais, se estes não conseguirem desenvolver uma estratégia eficiente de internacionalização, se não souberem resistir aos efeitos da crise ou não se adaptarem ao novo cenário mundial que está por vir.

          Agindo da maneira certa, sendo eficiente em suas operações e sendo verdadeiras as intenções internacionais do grupo Itaú-Unibanco S.A., é muito provável que emirja daí – espero – uma das novas multinacionais que figurarão no futuro após a queda da hegemonia norte-americana e européia que aos poucos vai se consumando.

23 de out de 2008

É preciso vencer o desemprego

          O desemprego no Brasil - assim como tantos outros problemas sociais - é um caso historicamente crônico. Há momentos de euforia, de crescimento, em que encontrar trabalhadores é uma verdadeira dor-de-cabeça para muitas empresas, ao mesmo passo, há momentos de estagnação, de crise, onde tudo que havia sido conquistado, deslancha ao caos social.

          A última década demonstra bem isso. Ao findar da última crise financeira de proporções globais, em 1998, no governo FHC, o desemprego chegou a atingir os 25% em cidades como São Paulo. Paulatinamente, a economia mundial foi retomando vigor, países como China e Índia começam a melhorar suas condições sociais, e o mundo tem um dos mais prósperos ciclos econômicos da história.

          Hoje mesmo (23/10/2008), o IBGE divulgou o índice de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país, a taxa ficou estável em setembro, em 7,6%, mesmo índice verificado no mês anterior, e em relação a setembro do ano passado reuou 9%, (1,4 ponto percentual a menos). É o melhor resultado para um mês de setembro da história, e o segundo melhor da série, atrás apenas de dezembro de 2007 (7,4%).

          Por via de comparação, nos E.U.A., esse índice não chega a 2%. É bem verdade que em algumas cidades do interior do Brasil, o índice talvez se assemelhe ao estadunidense, mas também é verdade, que as indústrias instaladas nestas cidades, estão ligadas basicamente ao agronegócio exportador, ou seja, o emprego destinado a atender o mercado interno, que por sua vez representa desempregoum cenário econômico sustentável do ponto de vista social, ainda é  refém de um desemprego astronômico de quase 8%. E percebam que esse número alarmante é registrado após anos seguidos de estabilidade, de crescimento mundial, e de 6 anos de um governo “trabalhista” aqui no Brasil. É discutível se o governo atual tenha adotado realmete uma política trabalhista, ou manteve o modelo neoliberal dos seus antecessores, e pelos números evidenciados, embora sejam os melhores já vistos na história desse país, não representam, nem de longe, o ideal para o Brasil.

          Agora, temos novamente uma crise internacional, que representa uma nova insegurança para com o futuro, afinal, se, com uma economia aquecida mal chegamos a reduzir o desemprego para estrondosos 8%, só se pode prever que o desemprego irá aumentar nos próximos anos. Por mais que o mercado interno esteja aquecido, enquanto o Brasil viver da exportação de produtos primários, mantendo a política atual de abertura econômica insensata, não se pode ser otimista.

          A solução começa por se aceitar o desemprego como o mais grave problema social brasileiro, e retomar o desenvolvimento com justiça social e estabilidade cujo objetivo seja o pleno emprego. Em outras palavras, proteger o mercado interno da invasão estrangeira, proteger as indústrias nacionais, proteger o trabalhador, proteger o emprego, investir em educação, incentivar o consumo e a instalação de indústrias nacionais, para que dessa forma, nos possamos distanciar da dependência das exportações e então se gere renda e crescimento sustentado a partir de nossas próprias forças produtivas. Pontualmente, só teremos mais empregos se tivermos mais indústrias.

           Por fim, cabe dizer que colocar o desemprego como principal problema social é crucial porque se trata de uma política estruturante da solução de outros problemas sociais e econômicos – pobreza, fome, subemprego, marginalidade, concentração de renda, violência, insegurança, dependência.

15 de out de 2008

E.U.A. está viciado

          Tenho certeza que os E.U.A. fizeram a coisa certa, agindo de forma a salvar o sistema financeiro, afinal, se pára o sistema financeiro, toda economia entra em colapso. O objetivo do plano é correto, mas...

          Mas, há um porém: as falhas no pacote econômico são graves. Primeiro pelo motivo mais evidente: praticamente não há novos regulamentos para o sistema financeiro, ou seja, tudo o que diretamente causou a crise, a falta de regulamentação, não é corrigido pelo pacote. Em segundo lugar, porque o governo pode, de certa forma, usar o dinheiro para intervir da maneira que quiser no sistema, ora, o problema é que o governo dos E.U.A. é viciado por grupos que controlam as decisões, e esses grupos têm indicado a dedo quem deve ser salvo e quem o Estado não vai ajudar (deixaram o Lehman Brothers falir, mas salvaram a A.I.G., a Freddie Mac etc.). Os comparsas serão ajudados, os demais eles irão deixar falir.

          Outro ponto que o governo estadunidense anunciou, é que irá comprar ações de bancos, mas, detalhe: ações preferenciais, ou seja, não dá direito à voto, não possibilita ao Estado evitar que essa instituição financeira use o dinheiro de forma errada ou indevida. A expectativa é que se utilize US$ 250 bilhões para adquirir participação no capital de inúmeras instituições bancárias.

          O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, por exemplo, é um rebento do sistema financeiro, antes de ir para o svPAULSON-470x0governo,  trabalhou no Goldman Sachs (novidade: o GS foi ajudado!). Ele pensa pela ótica dos bancos, não pela do país. Era de se esperar que tomasse decisões desse nível e o pior é que se lhe colocou na mão US$ 700 bilhões que ele continuará a utilizar dessa forma amplamente liberal e prejudicial para os E.U.A. (pelo menos a parte dos E.U.A. que não participa da jogatina).

          Esse palno, embora necessário, deveria ter sido mais bem elaborado, deveria ser mais homogêneo e mais regulador. O Plano de Paulson foi mal concebido. Basicamente o mesmo tipo de engenharia financeira que causou os problemas é o que querem empregar para resolvê-los, e esse é o erro.

          É como disse o vencedor do prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman: "O histórico de Paulson não é nem de longe confiável: ele demorou demais a compreender a dimensão dos problemas financeiros do país e é em parte por sua culpa que chegamos ao atual colapso". Também o presidente do Comitê de Serviços Financeiros do Senado estadunidense, o democrata Barney Frank, disse que deve realizar uma audiência em breve para discutir sobre a necessidade de aumentar a regulação do sistema de seguros financeiros, já que, segundo ele, "o fato de não regular adequadamente a economia é o que levou a esta confusão. Às vezes o governo não faz nada, então o Senado deve tomar as medidas necessárias”.

9 de out de 2008

Enrolation

           Hoje, na Câmara de Comércio no Rio de Janeiro, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutierrez, defendeu a ampliação do livre-comércio entre países para minimizar os efeitos da crise financeira global: "O mundo necessita de Doha. Ele terá impacto muito positivo para os países emergentes, para que 08283195possam exportar cada vez mais. Doha é mais importante hoje que no passado", afirmou após participar de almoço promovido pela Câmara de Comércio Americana no Rio. Para Gutierrez, os países que mantêm mercado aberto terão melhores condições em meio ao atual momento a economia mundial. Segundo ele, os países mais fechados, com menos acordos, serão mais impactados pela crise. "Existe um problema, e o crescimento estará aquém do que se pensava anteriormente. Será mais difícil. Poderá haver impacto sobre o consumo, prejudicando países exportadores e as exportações".

          Mais uma demonstração estadunidense de hipocrisia. Claro, eles estão defendendo os seus interesses, afinal, com um mercado liberalizado, eles podem nos comprar matéria-prima mais barato, e nos vender bens manufaturados a um preço mais competitivo, que possivelmente aumente bastante o consumo em nosso mercado. Ora, de contraponto, suas leis de propriedade intelectual (patentes), – apoiados pela OMC – fazem dos E.U.A. o país mais protecionista do mundo. Pergunte a Jorge Gerdau, por que precisou comprar tantas fábricas de aço nos E.U.A. já que é muito mais barato produzir aço aqui e exportar para lá? Porque existe uma patente, de um modelo de aço que é padrão no mercado estadunidense e que só pode ser requerida seu uso se a fábrica de aço estiver localizada dentro dos limites do território dos E.U.A.

          Eles mantêm um mercado blindado e vêm aqui dizer para abrir o nosso! É hora de nós também defendermos os nossos interesses.

6 de out de 2008

Uma reação do Brasil

           Contra a falta de dinheiro no mercado causada pela crise financeira nos Estados Unidos, o governo vai utilizar parte do dinheiro das reservas internacionais para garantir crédito em dólares para os exportadores brasileiros. A medida vai funcionar como um empréstimo em dólares. O BC irá comprar títulos dos bancos no exterior, que serão pagos com o Guido Mantega e Henrique Meirellesdinheiro das reservas. Haverá, no entanto, um contrato de recompra dos mesmos dólares. Esse mecanismo vai funcionar, assim, como um empréstimo de moeda norte-americana. Não há detalhes sobre o volume monetário, mas os dois chefões da economia brasileira garantem que haverá crédito suficiente, porque, segundo Meirelles, esse é um "uso inteligente das reservas internacionais do Brasil", já que os dólares não serão vendidos, mas emprestados aos bancos. Dessa forma, será possível manter o nível atual das reservas internacionais, que superam os US$ 200 bilhões. "Vamos disponibilizar parte de reservas para banco brasileiros que vão financiar o comércio exterior. É só uma mudança de aplicação", definiu o ministro Guido. Segundo ele, o dinheiro será tirado de um banco internacional e colocado em um banco brasileiro, o que manterá o no nível das reservas e, ao mesmo tempo, "irrigará o sistema bancário".

          Outra medida é o aumento da linha de financiamento pré-embarque do BNDES, que terá mais US$ 2,5 bilhões. Os recursos vão sair do caixa do governo. Essa linha financia a produção do bem que vai ser exportado. Para 2008, o BNDES tinha no orçamento US$ 5 bilhões, dos quais já haviam sido gastos US$ 3,4 bilhões até agosto.

          E ainda, os dois “convenceram” o presidente Lula a assinar uma Medida Provisória que garantirá maior autonomia e facilidades para o Banco Central (sob a vigia do CMN, claro) agir no redesconto banos dedos de lula cário. Uma política que já existe há algum tempo, porém funcionava mais para um curto prazo, somente para dar maior liquidez imediata aos bancos. Agora, o BC poderá comprar carteiras de clientes dos bancos também para evitar crises, ou seja, se for preciso, e houver disponibilidade de dinheiro, o BC poderá agir da mesma maneira que os bancos centrais dos países ricos, comprando títulos podres para evitar falta de crédito ou mesmo falência de bancos nacionais – poderá evitar (se prestar atenção no que está acontecendo no mercado) crises como a que paira nas nações centrais.

          São boas medidas, que representam uma reação brasileira diante da crise mundial e aperfeiçoa nossos mecanismos para agir contra possíveis drásticas consequências dessa crise. A interferência do governo na Economia, além de aliviar um pouco as preocupações dentro dos setores da sociedade, como a indústria e os bancos, reduzindo os riscos e dificuldades para a concessão de crédito tanto no mercado interno como para as exportações (só falta reduzirem os juros) garante também uma maior integridade do país frente aos efeitos desse início de recessão nos países do norte desenvolvido – o que até o momento tem representado uma fuga de Dólares do mercado financeiro brasileiro e uma certa indisponibilidade de financiamento das nossas empresas junto a credores estrangeiros, e no médio prazo poderá reduzir a demanda para os bens, serviços e produtos primários do Brasil nestes países que representam diretamente 40% das nossas exportações (25% Europa e 15% E.U.A.), e também poderá influenciar negativamente nas exportações brasileiras a outros países que dependem do comércio com os países ricos para terem liquidez corrente (como o México que manda 80% das suas exportações para os E.U.A.).

1 de out de 2008

Brasil Competitivo

Essa expressão já nos é conhecida. Trata-se da famosa ONG encabeçada por um dos barões da indústria brasileira, Jorge Guerdau Johannpeter. Ao que tudo indica, Jorge e sua ONG têm um trabalho árduo e complicado pela frente: de que maneira agir para tornar o Brasil um país mais competitivo, seja para competir no mercado exterior, seja para competir com estrangeiros no mercado interno.

Segundo o IC-Fiesp (Índice de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado nesta quarta-feira, nosso país fica na 38º colocação entre 43 países que detêm 90% do PIB mundial. Os dados apresentados são referentes a 2006, mas a Fiesp atenta que 2-noodle-production-linedesde 1997 o Brasil se mantém estável neste patamar. Em pior situação, segundo o levantamento, estão apenas Índia, Colômbia, Filipinas, Turquia e Indonésia. No topo do ranking aparece os Estados Unidos, com nota 91, seguido por Noruega (76,9), Japão (75,3) e Suécia (74,9). Claro que se fôssemos avaliar somente o valor final do que é produzido, a China estaria encabeçando a lista, mas também contam para o índice, aspectos como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), tecnologia e facilidades em financiamento e abertura de empresa.

Embora o Brasil apresente diversos fatores que pesem na falta de competitividade, há um que possivelmente seja o principal: o Estado brasileiro parace ver a indústria como um mal a ser combatido, como se a sua existência fosse a razão dos nossos problemas, como se a indústria fosse dotada de um poderio natural que lhe seja capaz superar todos os obstáculos impostos por um governo que deveria estar estabelecendo, invés de obstáculos, facilidades.

Quem dera fosse, para o Brasil, alta carga tributária o único problema, e talvez seja esse o menor dos nossos problemas. Quem dera tivéssemos até impostos mais elevados, mas com menos burocracia para pagá-los. Quem dera houvessem maiores salários e regulamentações trabalhistas, mas que ao menos se houvesse maior facilidade e flexibilidade ao se contratar um funcionário. Falar em reforma pode parecer papagaiagem, mas já é necessário e urgente que elas aconteçam e nem precisam (talvez nem possam) ocasionar perdas de arrecadação ou perdas de direitos trabalhistas, mas essas reformas têm que ter como prioridade a desburocratização do sistema e acabar com a informalidade, além claro, de tornarem-se fomentoras de desenvolvimento e da instalação de indústrias por toda nação. Uma maneira muito fácil de ganhar competitividade, é aumentar as alíquotas de importação, e com essa arrecadação extra, diminuir os impostos das indústrias nacionais, isso evita queda de receita para o governo e tem um efeito fantástico para a promoção da indústria nacional.

Outros pontos cruciais para darmos largos passos rumo ao cume dessa lista, é manter o Dólar um pouco mais valorizado, o que beneficiaria as exportações, e Juros baixos, tornando não só o crédito mais acessível às indústrais, mas principalmente, permitindo que o capital financeiro estrangeiro não se desvie tão somente às aplicações em títulos públicos e sim também aos projetos industriais.

Além, é claro, de muito investimento em educação, pesquisa, tecnologia e bem-estar social – de forma que este último, tornaria o trabalhador brasileiro um tanto mais eficiente, já que se lhe estará dando melhores condições de vida, saúde e alimentação, algo que certamente falta à grande maioria dos trabalhadores atualmente.

Ou seja, não se trata apenas de reformas, tampouco se trata de diminuir a intervenção do governo na economia, ou de abrir mão de arrecadação pública, ou de jogar os trabalhadores ao “Deus dará”. Na verdade hoje, o principal problema do Brasil é de não ter um grande projeto de desenvolvimento, um projeto objetivo e paulatino, projeto esse, que precisa incluir reformas estruturais e políticas, investimento em educação e tecnologia, forte política industrial e melhoria das condições gerais de vida da população. Essa deve ser a nossa grande jogada. O Brasil pode mais.

29 de set de 2008

À Beira do Colapso V

É, senhoras e senhores economistas, o pacotão estadunidense não foi aprovado. Talvez semana que vem, depois do feriado do ano novo judeu, haja novidades. Por enquanto, quem trabalha na bolsa vai enjoar da cor vermelha, quem é comentarista de jornal vai ter que continuar dizendo que é fim do mundo e quem trabalha no Ministério da Fazenda terá que jurar que está tudo sob controle, ou como diria o pobre Guido “a economia está funcionando normalmente”.

É uma pena que as ideologias políticas e a briga eleitoral nos E.U.A. tenham barrado o que é crucial para se tentar (pelo menos) amenizar o que está por vir. A Secretaria do Tesouro norte-americano disse que “Será preciso um novo plano”.

A Bovespa chegou a ser “desligada” hoje. O chamado circuit-breaker, que interrompe os negócios no caso de grandes oscilações foi acionado às 14:49, quando as perdas superavam os 10%. A Bolsa retomou os negócios meia-hora depois, sem mostrar recuperação e chegou a afundar 13,8% no pior momento do dia. O Ibovespa, fechou com queda de 9,36% aos 46.028 pontos, e só para comparar, essa queda chega a superar a do pregão do 11 de setembro de 2001. Já a Bolsa de Nova York, registrou a pior baixa desde 1929 (o ano que iniciou a pior crise financeira da era moderna): um declínio de 6,98%, sendo a maior queda da história desde que foi criado o Índice Dow Jones.

E o pior é que hoje era para ser o dia mais “otimista” da semana, afinal, a bolsa chegou a abrir em alta, boa parte do mercado contava com uma melhora do ambiente, com a possível aprovação no Congresso. Para terça-feira, já não espero uma abertura positiva.

Dizem que nas corretoras e no salão da Bovespa se ouvia frases como: - “realizar o prejuízo ou esperar?" - "Eu realizei. Só entro agora quando o otimismo voltar" - "Dá para 'ejetar' ou agora é tarde demais?" - "Tarde era mês passado. Agora eu tenho papéis para vender daqui a cinco anos no mínimo”, entre outras atrocidades.

E o Presidente Lula vem dizer que a “Era da Economia” acabou? Ele não sabe que essa era mal está começando. A nossa função agora, é estudar essa crise a fundo e desenvolver mecanismos para que se evite algo parecido no futuro. Já ouviram aquela de que “é na crise que se evoluí”? Pois a crise já começou, agora a evolução depende de nós.

25 de set de 2008

Vai entender...

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou como positivas, as medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos para tentar contornar a crise financeira.
Até aí tudo bem. Mas vejam o que ele disse depois: "É preciso acabar com esse fundamentalismo de liberdade absoluta de mercado, que tem gerado prejuízos". OHHHHH!!!!!!! Logo ele, o maior defensor do Tratado de Doha! O único representante de um país emergente a aceitar a proposta dos países ricos de liberalização do comércio mundial! Logo ele que há alguns meses barou a proposta do Ministério da Fazenda de aumentar as alíquotas de importação de alguns produtos, por dizer que estava "defendendo a postura do Brasil na OMC". Tomara então que ele tenha mudado de opinião - que bom seria!

24 de set de 2008

Banco Contraditório do Brasil

E eu que pensava que BC significava Banco Central. Ora, não é o que os fatos mostram.
Para aumentar os juros, eles não têm dó. Mal surge um alienígena pequeno surto inflacionário, há motivos de sobra para elevar (ainda mais) a taxa Selic, e não exitam em confirmar que irão continuar na escalada do Everest.
Mas, aqui começa a contradição. Se de um lado seguem no aperto monetário com altas taxas de juros, de outro, despejam rios de dinheiro no mercado, o que sabemos, não tarda em causar inflação. Hoje, o Banco Central anunciou mudanças nos depósitos compulsórios, uma ferramenta monetária que obriga todas as instituições financeiras do país a depositarem no BC uma parte do dinheiro depositado pelos seus clientes, pois dessa forma há menos dinheiro disponível nessas instituições restringindo, portanto, o crédito que elas podem oferecer - uma excelente política de combate à inflação. Pois bem, com as mudanças que o BC vai implantar no sistema, prorrogando prazos para que os bancos façam os depósitos e reduzindo a quantidade de dinheiro que lhes é obrigado a recolher, será injetado cerca de R$ 13,2 bilhões no mercado brasileiro.
Para a massa falida que é toda população pobre do Brasil, pouco lhes importa os juros, o consumo e a inflação cresciam a níveis semelhantes aos de hoje quando os juros estavam em mais de 20%. E agora, com dinheiro extra em caixa, os bancos podem oferecer muito mais crédito e tempo para que o mesmo seja quitado, ou seja, prazos mais longos = parcelas menores; isso é o que influencia a grande maioria dos consumidores brasileiros na hora da compra.
Há tempos que eu fico a me perguntar: Qual é o objetivo do Banco Central? Será controlar a inflação ou melhorar a qualidade de vida dos banqueiros? Não resta dúvida. Bastante dinheiro para emprestar e altos juros para cobrar é tudo o que eles querem. E se eu estiver equivocado em relação a isso, então deveria, dizer que, no mínimo, falta ao BC coerência, responsabilidade e objetividade.

23 de set de 2008

À beira do colapso IV

Esse deve ser o momento da história em que mais haverá esforços para minimizar os efeitos de uma crise.
O governo estadunidense já agiu no início do ano com a aprovação de um pacote de de US$ 168 bilhões de estímulo, que incluiu o envio de cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos.
Porém, agora, devido ao agravamento da crise, pela apuração de grandes prejuízos em diversos bancos, inclusive a falência de alguns, e queda brusca nas Bolsas de todo o mundo, ficou ainda mais evidente a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, o que fez o Departamento do Tesouro dos E.U.A. aprovar um novo pacote gigantesco, da ordem de US$ 700 bilhões. Nas palavras do presidente daquele país, George W. Bush: "é um pacote grande porque se trata de um problema grande". Bush disse que a intervenção pública nos mercados "não só é justificada, é essencial", para evitar um dano maior na economia. "Devemos agir agora para proteger a saúde econômica de nossa nação", afirmou há alguns dias.
Não obstante, seis dos principais bancos centrais do mundo anunciaram nesta semana uma ação coordenada para enfrentar a crise; o Banco do Japão, o Fed (E.U.A.), o BCE (Europa), o Banco da Inglaterra, o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá injetarão na economia mais de US$ 200 bilhões.
Por enquanto, já está formalmente relacionado à atual crise, 1 trilhão e 68 bilhões de Dólares, fora o que se perdeu com as falências e os problemas nas bolsas de valores. E isso deve ser apenas uma parte do que ainda está por vir. Muitos analistas chagaram a afirmar com veemência que isso não é suficiente para conter a crise.
Para se ter uma idéia do tamanho do problema, o Plano Marshall, criado pelos E.U.A. após o fim da 2º Guerra Mundial, para recuperar a economia e a estrutura dos principais países da Europa Ocidental, extremamente devastados pelos anos de combate sobre suas terras, não chegou a US$ 15 bilhões, o que seria algo em torno de US$ 140 bilhões hoje corrigido pela inflação.
Ou seja, a crise atual, pode ser mais arrasadora que uma Guerra Mundial. Preparem suas defesas!

22 de set de 2008

A grave falha por trás do êxito

Estudo do Ipea (não sejamos preconceituosos) divulgada nesta segunda-feira indica que 13,8 milhões de brasileiros subiram de faixa social entre 2001 e 2007. Desse total, 74%, (10,2 milhões), saíram da classe de renda baixa (até R$ 545,66 de renda familiar), e 3,6 milhões de pessoas passaram da classe intermediária (de R$ 545,66 a R$ 1.350,82) para a classe de renda mais alta (renda familiar superior a R$ 1.350.82). Dos que estavam na classe mais baixa, 57,1% têm até a 4ª série do ensino fundamental e está concentrada nas regiões Nordeste e Sudeste. 82% moram em cidades. A classe mais pobre, agora representa 27,4% da população (cerca de 50 milhões de brasileiros). Mas no Nordeste, ainda representam 49,2% da população (em 2001, eram 57,3%). Já no Sul e no Sudeste, representavam 21,4% da população em 2001, agora são 15% no Sul e 16,9% no Sudeste.
Quando se fala em desenvolvimento, se dispensa grande parte do discurso para isso: mobilidade social. Em si, a mobilidade social recorre ao problema macroeconômico da distribuição de renda, que está ligada ao crescimento econômico e a criação de empregos, que por conseqüência cria renda. Portanto, ascenção social é possível que ocorra de forma mais dinâmica, em um país que estaja passando de uma maior concentração de renda, para uma distribuição mais justa e/ou em um país que esteja se industrializando, portanto criando empregos e valorizando a mão-de-obra.
Entretanto, é mais sadio para uma nação, que aconteça primeiro a industrialização (desenvolvimento de forças produtivas), para que a distribuição de renda aconteça de maneira um tanto mais, digamos, natural.
Mas, não é o que acontece no Brasil. É certo que nosso país vem se industrializando desde os anos 30 (com força maior a partir dos anos 50), mas, por falhas no sistema econômico, não conseguimos sequer beirar uma industrialização plena (basta lembrar que os níveis de produção estadunidenses são dez vezes maiores), portanto, é com tristeza que nos cabe salientar que uma parte maciça dessa (importante) evolução social se deve aos programas sociais, sobretudo o Bolsa-Família. Não estou fazendo nenhuma crítica ao programa, aliás, nas condições em que estamos, ele é essencial; o que quero dizer é justamente o grave (e perigoso) problema que é termos chegado a essas condições, que o Brasil, desde o finalmentes da ditadura, tem colocado a carroça na frente dos bois: nos anos 60 a 80, a ascenção social tinha níveis bastante parecidos (um tanto maiores) que estes acima apresentados, a grande diferença era que ela acontecia pela demanda (e valorização) da mão-de-obra, agora acontece muito mais pela transferência de renda forçada pelo Governo Federal através da tributação fomentando programas sociais.
O Bolsa-Família jamais pode deixar de existir, mas seria algo grandioso para todos nós, se chegasse o dia em que nenhuma família brasileira precisasse, tivesse a necessidade, de recorrer a ele. Se o nosso "sistema econômico" (se é que existe) continuar dessa forma, a quantidade de dinheiro repassado ao Bolsa-Família só crescerá a cada ano, até o dia em que será preciso restringi-lo ainda mais, predizido pela eminência de um estrondoso déficit público.
A verdadeira distribuição de renda (e solução para o problema do déficit público, da dependência estatal das famílias mais pobres e da alta carga tributária) se faz com sérias e eficientes políticas industriais, que visem a ampliação da capacidade produtiva, a redução da dependência das importações, o desenvolvimento de novas capacidades produtivas, enfim, a criação de renda por via dos nossos próprios recursos. Se almejamos um grande futuro para o Brasil, precisamos deixar de ser o país do misero amparo estatal e ser o país da rica união do trabalho nacional.

Coisas do Brasil


Levantamento feito em 2.500 farmácias das 24 maiores redes de todo país apontam que os analgésicos são os medicamentos mais roubados ou furtados. No ranking, o Viagra aparece em 4º lugar.

19 de set de 2008

À beira do colapso III

Alívio geral, as bolsas voltaram a subir, o governo estadunidense já salvou a economia, os acionistas da AIG resolveram pagar o dinheiro emprestado e tudo voltará ao normal, a crise acabou.
Engana-se quem pensa assim. Hoje a Bovespa subiu quase 10%, algo próximo das bolsas européias, foi uma euforia total, nem parecia que estamos em meio a uma das piores crises do capitalismo. Pois bem, agora a pouco, cerca de nove da noite (19/09/08) acaba de ser fechado, por falência, o 12º banco americano desta crise, o Ameribank.
A matéria da Folha de hoje pode bem exemplificar o que se passa em Wall Street: "bares e restaurantes locais, geralmente lotados de investidores e corretores da Bolsa, estão às moscas e relatam queda de até 50% na freqüência. O temor é de uma reação em cadeia: estimativas estaduais dão conta de que cada emprego em Wall Street cria três outros na região metropolitana de Nova York. Só neste ano, Wall Street cortou 25 mil postos de trabalho; outros 10 mil estão na berlinda com o colapso do Lehman Brothers e a venda apressada do Merrill Lynch. Garçons locais relatam sobre a situação dos clientes: "Chegam carregando caixas com o material do escritório e ficam bebendo até a hora de fechar. Muitos choram. Está assim em todo lugar. A ordem de seu atendimento também mudou: agora, antes de comer, executivos vão direto para a TV."."
O sistema capitalista em si, admite crises. Ela é necessária para a construção do conhecimento da ciência econômica, basta lembrar que os estudos de Keynes foram fruto do caos pós-29. Importantes reformas e aprimoramentos na economia advêm dessas crises. Não adianta culpar economistas por não terem feito nada até então, nem sequer terem previsto a possibilidade de crise. As crises se constroem no decorrer do capitalismo, são tão normais (e imprevisíveis) como momentos de euforia.

18 de set de 2008

(Mais) Uma facada no coração do Brasil

Depois de aumentarem os juros...
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que o Brasil vai realizar leilões de venda de Dólar. Tudo porque a moeda tem se valorizado nos últimos dias, e encerrou hoje cotada a R$ 1,943 na venda, em forte alta de 4,03%.
Por que Meirelles? Logo agora que estava ficando bom!
Se todos admitem que o Dólar precisa chegar a, pelo menos, R$ 2,50, para manter a competitividade nacional, gerar empregos, melhorar a balança comercial, fazer a economia crescer mais, gerar mais renda, desenvolvimento e industrialização; qual é o problema do Banco Central?
Essas medidas de certa forma reduzem a inflação momentaneamente, mas que jamais resolvem o problema, que é crônico. Há centenas de anos o fantasma da inflação vive nos assombrando. É preciso que se tome medidas para combater o problema de uma vez por todas, e o problema é a nossa dependência: dependemos que as commodities estejam com um preço elevado no mercado externo; dependemos que a demanda interna não seja excessiva, pois não há suficiente capacidade instalada; dependemos das importações das peças dos produtos que montamos aqui para que esses produtos possam ser mais baratos; dependemos de que surja uma nova tecnologia em algum lugar para então melhorar nossa produção importando essa tecnologia; dependemos dos gastos públicos para distribuir melhor a renda nacional; e dependemos de tantas outras coisas que o Google não teria capacidade de armazenar se eu fosse descrever a todas. Basta lembrar quantas novas edições de moedas já tivemos.
Manter o Dólar valorizado, e os juros baixos, realmente leva a um surto inflacionário maior do que o que estamos vivenciando; mas pelo menos garante que gradativamente possamos diminuir essas dependências que sempre causaram pressões sobre os preços e continuarão a causar se as medidas tomadas forem sempre as mesmas. Resolve-se o surto da inflação, mas não resolve-se o problema da inflação, que teima em nos abalar, desde Dom Pedro I.

A cruel realidade brasileira

Para aqueles que ainda defendem o livre-comércio, juro alto e Real forte, aqui vai uma pequena demonstração das conseqüências. Texto da conceituada "The Economist". Por tudo que a história e os fatos sempre irão evidenciar, mas que muitos insistem em negar:
http://www.economist.com/business/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=12209081

17 de set de 2008

À beira do colapso II

É pessoal, mais uma gigante que precisou ser (temporariamente) estatizada nos E.U.A.. Por aqui a AIG atua(va?) com o Unibanco.


15 de set de 2008

À beira do colapso

Eu tinha sérias dúvidas sobre a possibilidade de uma crise mundial, mas confesso que fiquei receoso após as notícias de hoje. O Lehman Brothers faliu mesmo, abriu concordata (coisa que nem existe no Brasil), um tipo de pedido de falência que assegura o caráter limitado da pessoa jurídica, ou seja: os credores podem ir se despedindo do que tinham em haver com o banco (e que se diga, não eram simples cidadãos americanos, mas pessoas que são - ou eram - conhecidos rapazes de Wal Street). As bolsas deslancharam de vez, a Bovespa caiu 7,59%, logo agora que tantos pequenos aventureiros brasileiros começavam a investir, pobres esperanças lançadas num poço de fobia (lembranças de 29).
Quero ver como fica o "espetáculo do crescimento" depois que os preços dos alimentos e dos minérios (e talvez do petróleo) despencarem. Será um "espetáculo de nostalgia".

12 de set de 2008

106 anos de JK


Juscelino Kubitschek de Oliveira completaria hoje 106 anos se estivesse vivo. Foi um médico, militar e político, presidente do Brasill entre 19566 e 1961.
Com estilo de governo inovador na política brasileira até então, Juscelino era de grande simpatia e confiança entre os brasileiros. Foi o responsável pela construção de Brasília, um sonho antigo, já previsto em 3 constituições brasileiras, da mudança da capital para promover o desenvolvimento do interior e a integração do país. Durante todo o seu governo, o Brasil viveu um período de desenvolvimento econômico e estabilidade política jamais vista.
Juscelino foi eleito pela aliança PSD-PTB, em outubro de 1955 com 36% dos votos, pois só havia primeiro turno. A UDN tentou rejeitar o resultado, mas a posse de Juscelino foi garantida com uma operação militar, depondo o presidente Carlos Luz que tentava impedir a posse - até a época a política era sempre assim.
O plano de metas de JK é considerado um caso bem sucedido de formulação e implementação do planejamento estatal. O plano continha um conjunto de 31 metas, incluindo a construção de Brasília, ficando famoso pela expressão "50 anos em 5", supondo o potencial do plano para o crescimento do Brasil em seu governo. Para criar o plano econômico, foi feito um levantamento dos principais pontos de estrangulamento da economia brasileira, além de identificar áreas industriais com demanda reprimida, que não podia ser satisfeita com importações, dada a escassez estrutural de divisas na economia brasileira.
O crescimento industrial que ocorreu a partir do início do governo JK estava estruturado em um tripé formado pelas empresas estatais, pelo capital estrangeiro e, como sócio menor, pelo capital nacional. As empresas estatais participavam fortemente no setor produtor de bens intermediários. Os setores de energia, transporte, siderurgia e refino do petróleo recebiam a maior parte dos investimentos do governo.
A industrialização cresceu por substituição de importações, que impedia importação de produtos com similar nacional. Com isso, se possibilitou o crescimento urbano e uma industrialização jamais vista, fazendo com que milhões de pessoas passasem a ter empregos fixos e impulsionando o consumo das famílias de forma espetacular.
Também se isentou de impostos de importação as máquinas e equipamentos industriais, assim como os capitais externos, desde que associados ao dinheiro nacional. Para ampliar o mercado interno, o plano ofereceu uma generosa política de crédito. Financiou a implantação da indústria automobilística e da indústria naval, a expansão da indústria pesada, a construção de usinas siderúrgicas e de grande usinas hidrelétricas, abriu as rodovias transregionais e aumentou a produção de petróleo da Petrobrás. Durante seu governo, a produção industrial cresceu 80%, os lucros da indústria cresceram 76%.
Realmente a era JK refletia um novo Brasil, foram os chamados "Anos Dourados". Nessa época foram aparecendo os eletrodomésticos, com grandes novidades como os liquidificadores, foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, e o país foi tomado pelo famoso "estilo de vida americano" baseado na vida urbana, familiar e feliz.
Juscelino através de uma política sóbria, soube trazer desenvolvimento ao Brasil. Foi sem dúvida, o melhor presidente brasileiro depois de Getúlio Vargas, a quem admirava abertamente. Essa é a nossa homenagem a essa imprescindível figura da nossa nação.

Primeira-mão

É isso aí pessoal. Esse blog foi a primeira mídia das Américas a divulgar a publicação da Revista "The Economist" sobre a classe média brasileira, que já teve repercusão internacional nesta sexta-feira, até o Guido Mantega falou sobre a reportagem (dos ingleses). Nossa postagem saiu às 15:45 de ontem (11/09). O segundo veículo a divulgar foi a Folha de São Paulo (on-line), às 8:51 de hoje, 16 horas depois da gente.

11 de set de 2008

A energia é o nosso desafio

O leilão de energia nova A-5 -com entrega de energia prevista para 2013- tem 146 empreendimentos habilitados, com capacidade instalada de 25.252 MW. O leilão está previsto para o próximo dia 30. A maior parte da energia apta a ser ofertada, a exemplo dos leilões mais recentes, será oriunda de termelétricas movidas a óleo combustível, que são mais poluentes. Por outro lado, há apenas uma usina hidrelétrica. Ainda foram aprovadas 28 termelétricas movidas a bagaço de cana-de-açúcar. Outras sete usinas termelétricas com energia gerada por carvão mineral. Outros 17 empreendimentos são referentes a termelétricas movidas a gás natural.
Ainda penso que se deve priorizar a energia hidrelétrica não só por ser uma das que menos poluem, mas sobretudo por ser uma das mais baratas (só perde para as termelétricas movidas a carvão mineral). Para o Brasil também tem sido importante as termelétricas sustentadas por bagaço de cana e ainda temos que investir no desenvolvimento de tecnologia para possibilitar num futuro próximo a existência de termelétricas movidas a álcool, isso é imprescindível para se alargar o uso desse promissor combustível.
As usinas de carvão mineral e gás natural, podem sim servir como subterfúgios para eventuais problemas de abastecimento, mas jamais devem ser estimuladas a ponto de aumentem sua participação na matriz energética do Brasil, primeiro porque o Brasil precisa importar a maior parte do que consome, de carvão e principalmente de gás-natural, e eventualmente podemos ter problemas quando de desestabilizações como tem aconteciodo com o gás boliviano nos últimos dias; e segundo porque estão entre as mais poluentes e certamente haverá futuramente fortes pressões para a derrocada destas fontes, talvez não do gás natural, mas certamente do carvão. Ainda vale ressaltar que se usarmos menos carvão para produzir energia, seu preço será menor no país e portanto tende a aumentar a competitividade das siderúrgicas e metalúrgicas que se usam desta matéria-prima na linha de produção.
Nos países ricos e em alguns emergentes, o carvão é a base da matriz energética, mas eles não tem o álcool mais barato do mundo nem a maior produção global de cana-de-açúcar, nem o gigantesco potencial hidrelétrico como tem o Brasil, muito do qual ainda não é aproveitado.

Direto na fonte

Ta aí o link para uma matéria sobre a classe média brasileira, que saiu hoje na mais renomada revista de economia do mundo, a britânica "The Economist":
http://www.economist.com/world/americas/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=12208726

10 de set de 2008

Uma facada no coração do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou hoje em 0,75 ponto percentual a taxa de juro básico (Selic), elevando-a de 13% para 13,75% ao ano. Esta é a quarta alta consecutiva da Selic. O relatório do Copom diz: "Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, por cinco a votos a três, com vista a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas".
Esse novo aumento, evidencia que a economia brasileira, continua refém de uma política monetária equivocada. Ao restringir a gestão da economia a práticas meramente monetárias, o governo limita seus próprios mecanismos de controle inflacionário à taxa de juros. Também paga elevado preço por essa mesmice, à medida que agrava o preço da dívida pública - lembrando que essa taxa também remunera os investidores da dívida pública. Esse dinheiro destinado ao pagamento dos juros atrelados aos títulos públicos provavelmente teria efeito muito mais eficaz no controle da inflação se fosse convertido em investimento público, combinado, obviamente, com maior responsabilidade fiscal. Errar é humano, mas persistir no erro é burrice e o erro que digo, é o de sempre fazer a mesma coisa: elevar os juros.
O caso brasileiro não se trata de uma inflação interna, mas sim importada do exterior em razão dos preços das matérias-primas (commodities) internacionais, particularmente alimentos. O governo repete o erro hoje, mantendo-nos como uma das maiores taxa de juros do planeta. De nada adianta falarmos de políticas de desenvolvimento, se cada vez mais, pelo ralo da dívida interna escoa a fatura perversa de crescentes aumentos de juros. E o pior, sem a menor necessidade.
A redução da inflação brasileira nas últimos semanas não ocorreu devido ao aumento da taxa Selic promovido pelo Banco Central nas últimas três reuniões. Está claro que o aumento de juros da última vez foi um erro. Não há razão nenhuma para aumento de juros. Existem dois tipos de inflação: a local e a mundial, a inflação caiu nos últimos dois meses, mas não foi por influência do BC. Antes nós estávamos sofrendo com a pressão da inflação mundial, e agora o petroléo e demais commodities perderam preço. O Banco Central tem que encontrar modos de ajustar as influências da inflação internacional. Porque querer corrigir com juros internamente vai dificultar a estrutura necessária para haver crescimento.
Esse aumento da Selic, foi desnecessário, mas isso não quer dizer que temos que dar as costas aos riscos de inflação, só acho que é importante também o governo não precisar só desse recurso, mas também é preciso controlar os gastos públicos, entre outros mecanismos plausíveis, como aprofundar o ajuste fiscal. Uma política fiscal de melhor qualidade para aliviar o aperto monetário.
Uma coisa é certa: havia espaço para a redução dos juros, sem comprometer as metas de inflação. Essa elevação prejudicará os investimentos e comprometerá o crescimento da economia. Foi sem dúvida um grave erro, que compromete seriamente o futuro do Brasil.
Todos criticaram a decisão do Copom: as federações industriais, políticos, comerciantes, sindicatos, até a CUT se manifestou. Ou seja: o Banco Central e o Governo Federal devem refletir sobre quais são as reais aspirações da maioria dos brasileiros. Esperamos melhores notícias da próxima vez.

Brasil cresce 6%

A economia brasileira registrou crescimento de 6% em comparação com o mesmo semestre do ano passado.
Mas já disse aqui: esse crescimento NÃO É SUSTENTADO. Ele acontece porque as commodities (soja, minério de ferro etc) estão com preços elevados, e porque o governo tem gasto muito mais do que o que seria sadio. Isso tudo beneficiou as exportações, o aumento da oferta de crédito e o aumento do consumo, mas perceba que não existe no Basil aquele crescimento consistente que começa com a instalação e ampliação das indústrias nacionais, com a geração de empregos e com o aumento da renda a partir das nossas próprias forças produtivas.
Esses 6% significam apenas um bom momento econômico, que se acaba tão rápido quanto surge, é um pulo-do-gato e não uma nova ninhada.

O custo da corrupção

Quando se descobre casos de corrupção envolvendo o governo central, os ministros, os deputados, essa corrupção se torna escândalo nacional. Porém, há uma corrupção quase subterrânea, que prolifera em todos os níveis da economia brasileira, que varia de tamanho e de importância e que provoca um fantástico efeito negativo sobre a competitividade do país. O Brasil hoje ocupa a 59a posição num ranking internacional de corrupção (nesse ranking, a Finlândia, o país menos corrupto, ocupa o primeiro lugar). O Brasil perde até para Botsuana e Suriname. Se o país conseguisse atingir o patamar dos Estados Unidos, o 15ª mais bem posicionado nessa lista, ganharia a cada ano 2 pontos percentuais de crescimento econômico. É muita coisa. Significa afirmar que, hoje, a economia brasileira poderia crescer num ritmo anual de 7% - semelhante ao invejável desempenho da Índia e da Rússia.
Vejam o caos que a corrupção tem causado:
2 pontos percentuais é o que o PIB deixa de crescer por ano devido à corrupção.
380 bilhões de reais é quanto a corrupção custou ao país em 2004.
21% das empresas aceitam o pagamento de subornos para conseguir favores.
25% das companhias têm despesas de até 10% de suas receitas com subornos.
50% dos empresários pesquisados já foram achacados por fiscais tributários.
70% das empresas gastam até 3% do faturamento anual com propinas.
87% relatam que a cobrança de propina ocorre com alta freqüência.
Fontes: Marcos Fernandes/FGV e Transparência Brasil
Veja o que algumas empresas estão fazendo para evitar cair na rede de corrupção:
1 - Dividir o poder entre vários executivos e deixar claro que nenhum deles pode tomar decisões sozinho. Quem aborda uma companhia em busca de dinheiro prefere ter apenas um interlocutor
2 - Pedir nota fiscal quando são convidadas a fazer contribuições para campanhas. Se o dinheiro puder ser rastreado, muita gente desiste de achacar a empresa
3 - Manter em dia obrigações fiscais e trabalhistas. Qualquer vulnerabilidade pode estimular políticos corruptos (ou seus representantes) a abordar a empresa
4 - Mapear internamente as áreas mais sujeitas a ataques (o setor de compras, por exemplo) e fazer um controle rígido desses departamentos
5 - Se possível, evitar negócios com governos. Em contratações públicas é comum a cobrança de propina desde o processo de licitação até a liberação de pagamentos por serviços prestados
Os estudiosos do tema arriscam algumas hipóteses para explicar o avanço da corrupção no Brasil. Uma primeira causa diz respeito ao tamanho e funcionamento do Estado. Atualmente, o setor público consome quase 40% da renda nacional, um recorde absoluto entre os países emergentes. Para complicar, o Estado brasileiro não é apenas exagerado, mas também extremamente burocratizado. Foi o que mostrou o último relatório do Banco Mundial sobre o ambiente de negócios. O retrato produzido pelo corpo técnico do banco mostra o Brasil como um paraíso da burocracia. Cada vez que um empresário brasileiro precisa de um carimbo oficial - para abrir uma empresa, para exportar, para contratar, para conseguir uma licença -, se vê preso a um emaranhado legal sem par no planeta. "O Brasil tem um dos piores ambientes de negócios do mundo, e isso favorece a corrupção", diz o economista Simeon Djankov, responsável pela pesquisa do Banco Mundial. "Sempre que o sucesso depende de um agente público, o campo para desvios de conduta é fértil." É fundamental atacar a burocracia para diminuir o raio de ação da ilegalidade. Esse caminho tem sido trilhado com sucesso por muitos países. Em Cingapura, é possível abrir uma empresa em menos de uma semana - e a corrupção envolvida no processo é virtualmente zero. O mesmo procedimento no Brasil leva 152 dias e passa pelas mãos de dezenas de pessoas. Além de reduzir a burocracia, também é fundamental prover a população com o máximo de informação possível. A internet pode ser uma ótima aliada na hora de esclarecer todos os passos e os custos envolvidos num processo público. Ela também é útil para permitir compras governamentais com transparência. Outra medida adotada em vários países é a criação de uma forma ágil de denunciar tentativas de suborno. Só a divulgação de um número de telefone sigiloso para denúncias tem feito a corrupção despencar em vários países. No Brasil, a corrupção também prospera graças à complexidade da legislação e à pouca confiabilidade da Justiça. O país tem muitas leis, algumas contraditórias entre si, o que deixa brechas e, muitas vezes, impede uma operação 100% legal. Abre-se, assim, um atalho para a corrupção e para os vendedores de facilidades. Em alguns casos de processos de licitação, por exemplo, não basta ao empresário entregar o melhor produto pelo melhor preço. É preciso pagar para receber aquilo a que tem direito. O resultado é o aumento de custos. Empresários que participam de licitações embutem em suas propostas um provisionamento para cobrir atrasos e pagar subornos. Isso cria um círculo vicioso. O dia-a-dia dos negócios com o governo é contaminado, mesmo quando se trata de empresas idôneas. Seria ingenuidade dizer que esse tipo de problema acontece apenas em países como o Brasil. A corrupção é um mal globalizado. O que difere economias como a nossa é a freqüência com que casos como esses ocorrem, a participação maciça de representantes do Estado e o tamanho dos danos provocados por esse volume brutal de problemas. Outra diferença está na rapidez com que certos países desenvolvidos buscam soluções para as crises, quando elas vêm à tona.
Se nem mesmo nações com instituições sólidas estão isentas de escândalos, é evidente que o problema por aqui é muito mais grave. Mas não há alternativa senão enfrentá-lo. Das pragas que assolam o mundo empresarial, a corrupção é a que acarreta maiores seqüelas, por contaminar a cultura, abalar a auto-estima dos funcionários, manchar a imagem das empresas e impedir o crescimento do país. Combatê-la é colocar um visto a mais no passaporte para entrar no grupo das economias desenvolvidas.

9 de set de 2008

EUA erra, o mundo paga.

O preço da moeda norte-americana atingiu nesta terça-feira seu nível mais alto desde o fim de janeiro. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,772. Somente neste mês, a taxa de câmbio valorizou 8,4%, sem dúvida foi o melhor investimento do mês.
Já o IBovespa caiu 4,5% e atinge os 48.435 pontos, ou seja, igual a agosto do ano passado.

Mas, cá entre nós, você acha mesmo que essas quedas da bolsa são sustentadas? Dólar subindo, consumo crescendo, aumento do preço dos commodities, tudo isso é ótimo para as empresas brasileiras (salvo o aumento dos juros). Se tudo isso é ótimo, então, qual a base pragmática para essas quedas? Simples: com a crise externa, os investidores estrangeiros (que são maioria na Bovespa) tendem a retirar seus sagrados dinheirinhos da Bolsa brasileira, procurando mercados mais "confiáveis", com isso, o preço das ações caem e o investidor brasileiro se obriga a vender também suas ações para não perder dinheiro, e assim a bolsa despenca cada dia mais. É uma pena que tenhamos que pagar pelo erro alheio.

Poder Judiciário: a melhor academia de letras do Brasil

Não é de pouco que sabemos da extrema incógnita e difícil interpretação das leis brasileiras. Também, pudera, para nossos magistrados, quanto mais difícil for entender o que eles querem dizer, mais denotam respeito entre seus colegas. Ruím para o povo brasileiro, que tem sempre que recorrer ao velho Aurélio. Veja o que disse o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes ao falar sobre a morte do fundador do Itaú, Olavo Setubal há algumas semanas:
"Mais do que exemplo superlativo de empreendedorismo e liderança, Olavo Setubal foi um brasileiro da mais alta envergadura, cujas preocupações não se apartavam do desenvolvimento e da inserção do país no lado progressista do mundo. O Brasil se despede de um cidadão de primeira grandeza, cuja memória evocará sempre descortino, entusiasmo, benemerência e fidalguia."
Pelo menos deu para entender que ele estava falando bem do pobre Setubal. Ou será que não?

8 de set de 2008

Brasil ainda não alcançou desenvolvimento sustentável

O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira afirmou hoje que o Brasil ainda não alcançou um crescimento sustentado. Motivo: juros altos e taxa de câmbio pouco competitiva. Segundo ele, apesar de a maioria das pessoas no governo serem desenvolvimentistas, ou seja, defenderem uma participação marginal do Estado na economia, procurando desenvolver a nação, o Banco Central age de forma errada. "O Brasil ainda não alcançou o crescimento sustentado. Estamos em uma armadilha de juros altos e taxa de câmbio baixa", afirmou o ex-ministro durante o seminário das comemorações dos 200 anos do Ministério da Fazenda. Para o ex-ministro uma taxa de câmbio competitiva estaria entre R$ 2,30 e R$ 2,50.
Isso é óbvio, juros baixos e Dolar valorizado, funcionam como um super aditivo de potência para o Brasil se desenvolver de forma sustentável. Tomamos como base, que desenvolvimento sustentável, é o estabelecimento de forças produtivas nacionais através da industrialização. Como sempre digo, basta observarmos a relação proporcional entre anos em que o Brasil cresce mais e o preço dos produtos primários; essa onda de crescimento, em plena concordância com o ex-ministro, NÃO É SUSTENTÁVEL, ela acontece porque há uma maior injeção de dinheiro externo graças aos altos preços dos minérios, dos produtos agrícolas e agora, do Petróleo; com isso, há mais dinheiro para o crédito público, e aí, conseqüentemente aquece o consumo e o PIB cresce; entretanto, tão logo se veja uma crise internacional que ocasione queda nos preços destes produtos primários, veremos novamente a estagnação econômica no Brasil.
A base do problema é simples: nossa industrialização é tão modesta, que não é capaz de sustentar nenhuma onda de crescimento por um longo prazo. Quando se fala em Dólar valorizado, vale lembrar que ele funciona melhor do que qualquer imposto de importação para a indústria nacional, deixamos de importar para fabricar aqui dentro, afinal é mais barato; dessa forma, conseguimos criar indústrias nacionais, que obiamente criam diversos empregos, e toda renda usada na compra de bens de consumo, ficam no país, criando mais empregos, que gera mais renda ainda, isso é o que podemos chamar de crescimento sustentado, ele não é artificial, pelo contrário, é exuberantemente real, ele acontece pela própria força da nação. E ao falar em juros baixos, estamos falando em dar condições para que essas indústrias nascentes se estabeleçam, pois aí evitamos que o câmbio valorizado, acabe inflacionando os preços ao invés de gerar desenvolvimento. Vejam o que disse ainda Besser Pereira: "quando a desaceleração da economia chegar à China, haverá uma desaceleração mais forte nos preços dos produtos básicos, itens de peso das exportações brasileiras. A crise vai atingir a China e também a nós".
O crescimento real só acontece quando conseguimos substituir as importações por produção nacional, foi assim em todos os países que hoje são ricos, os E.U.A talvez sejam o melhor exemplo. Até quando ficaremos exportando soja e minério de ferro, e dizendo que isso é um "momento mágico"?

7 de set de 2008

Dia nacional

"Já podeis, da pátria filhos,
Ver contente a mãe gentíl.
Já raiou a liberdade,
No horizonte do Brasil."
Assim inicia a música que nos remete (ou deveria) ao dia da nação brasileira. Hoje fazem exatos 186 anos desde aquele 7 de setembro de 1822 em que nosso país se tornava (teoricamente) independente. O Brasil tem muito a melhorar, é verdade; entretanto, entre erros e acertos, temos progredido, seja em cidadania, em civilização, na economia, até na política - basta lembrar dos governos imperiais ou do "café-com-leite". Mérito de pessoas que não se omitiram em trabalhar pela pátria. Os personagens centrais das mudanças, Getúlio Vargas, Juscelino kubitschek, e tantos outros, são verdadeiros resumos de um mutirão de pessoas que se doaram ao país. São exemplos de que é possível, desde que haja vontade, fazer algo a mais nessa terra continental; são exemplos, acima de tudo, de que é crucial para o progresso não se calar diante da irresponsabilidade e do desleixo.
Mais uma vez terminamos o 7 de setembro repletos de esperanças positivas em prospecto à nação brasileira nos próximos tempos, mas temos que entender: quem faz o país, é seu povo.
Essa é a nossa homenagem ao dia nacional do Brasil.

Será que vai dar certo?

Em um pacote inédito e de extrema ousadia, o governo dos EUA se apoderou do controle das duas maiores empresas norte-americanas do setor de crédito imobiliário, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Essa deve ser a maior operação de socorro da história perpetrada por um governo para salvar entes privados da falência. Foi uma espécie de "estatização temporária".
O objetivo principal é fornecer quanta liquidez (dinheiro) for necessária às duas empresas para que elas não sucumbam e arrastem junto centenas de outros agentes de crédito nos EUA, interligados a elas por operações mal feitas, mal calculadas e mal supervisionadas pelo próprio Tesouro dos E.U.A nos últimos anos.
O governo americano ventilou que poderá injetar até US$ 100 bilhões em cada uma delas (o equivalente ao total das reservas internacionais do Brasil) se assim for preciso. Além disso, o Tesouro se dispôs a comprar empréstimos garantidos pelas duas instituições e a manter linhas de crédito abertas a elas até o final de 2009.
O que induziu tudo isso, como se sabe, é a crise imobiliária que vem atingindo nossos vizinhos do norte. A corneta soou ao final de uma semana de fortes perdas nas Bolsas do mundo todo, do aumento do desemprego norte-americano para 6,1% (o maior em cinco anos) e da certeza cada vez maior de que as economias avançadas estão esfriando além do esperado. Há uma nova onda de pânico na praça.

5 de set de 2008

Maior carga tributária do mundo

O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo vai registrar na manhã da próxima segunda-feira que os brasileiros pagaram R$ 700 bilhões em impostos municipais, estaduais e federais em 2008.
Considerando-se a renda média do brasileiro, sem dúvida é a maior carga tributária do mundo. Só para termos uma idéia da disparidade, vamos comparar: nos EUA, nesse mesmo período, os governos arrecadaram cerca de R$ 1400 bilhões, ou seja, o dobro do Brasil; mas a economia norte-americana, a quantidade de indústrias, a renda média da população, as relações comerciais, tudo isso, é cerca de dez vezes maior. Portanto, podemos dizer que os brasileiros pagam cinco vezes mais impostos do que os estadunidenses (10/2=5). Talvez para os ricos que vivem de rendas, não chegue nem a ser muito importante, mas para a população pobre, para a classe média, para os comerciantes, para os industriais, é muito doloso, é uma verdadeira facada no coração. Para essas classes, que geram a maior parte dos impostos, representa um desembolso de quase metade da sua renda para manter um governo combalido.
A explicação para isso é muito abrangente, mas posso dar uma pista para entendermos mais rapidamente: é que nossos impostos são mal gastos e sobretudo mal arrecadados. Mal gastos porque tem tudo aquilo de corrupção ativa, superfaturamento, bolsa-tudo etc. E mal arrecadados porque, por exemplo, quando um rico ou um pobre compra um litro de gasolina ou alguns pães, ambos pagam o mesmo imposto, são os impostos indiretos, os mais cruéis que podem existir em qualquer país, mas muito mais em um países com relevante disparidade social, comuns no "terceiro mundo"; e além do mais, preferimos taxar a 10% o vem de fora, e 50% pelo que se produz aqui, fica difícil.
É muito simples entender porque nossa industrialização é tão modesta, nossas cidades estão abarrotadas de favelas, nossas ruas estão literalmente descascando, não há lugar público que não seja quabrado, sujo, feio.
Aliás, vou fazer uma analogia: eu imagino a máquina pública brasileira, isso que chamam de governo, como uma pessoa que comeu, comeu, e engordou tanto, que agora pesa uns 200 quilos e precisa ficar o dia inteiro deitada na cama, simplesmente não consegue mais trabalhar, sequer mexer as pernas, precisa de gente o tempo todo ao seu redor para lhe servir, preparar suas refeições, higienizar-lhe. É obvio que essa pessoa deveria ter comido menos, feito mais exercícios, trabalhado mais, levado uma vida saudável; mas agora é tarde, sua única salvação é uma cirurgia de redução de estômago, simplesmente a parte que lhe dá apetite precisa ser reduzido, assim, involuntariamente, sentirá menos fome, comerá menos, seu corpo aos poucos queimará as gorduras extras, e dentro de algum tempo poderá voltar a correr, trabalhar e viver enfim uma vida feliz. Essa cirurgia de que falo, tem nome: REFORMA TRIBUTÁRIA.
O impostômetro pode ser acompanhado pelo site: http://www.impostometro.com.br/.

4 de set de 2008

Lula garante que é presidente por pura sorte

Novas de Lula, em discurso nesta quinta-feira para cerca de 600 estudantes da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco):
"Às vezes, um cidadão se forma na USP, na Unicamp, na Universidade Federal de Recife, depois ele ganha uma bolsa e vai passar dois anos em Paris, fazendo pós-graduação, fazendo mestrado. Depois, se ele ganhar mais uma bolsa, passa mais dois anos em Berlim. Depois, ele ganha mais uma 'bolsinha', tem gente que vive de bolsa também, e vai para Londres ficar mais dois anos, ou seja, nunca há um tempo para ele retribuir com trabalho aquilo que foi o pagamento que o povo brasileiro garantiu para ele."
No final do discurso, após elogiar algumas ações do seu governo, o presidente Lula disse que muitas pessoas o consideram "um homem de sorte".
"Deus queira que eu levante todo dia com mais sorte ainda, porque sem sorte a gente não arruma nem mulher, nem mulher arruma marido para casar. Ou seja, é preciso ter muita sorte na vida política, é preciso ter muita sorte na vida administrativa, é também é preciso ter muita sorte no amor porque, senão, a vida não vale a pena."
Eu acho que ele ainda não se deu conta que é presidente do Brasil. Num momento tão importante, em que deveria incentivar o aperfeiçoamento, o estudo, a aprendizagem, certamente ele não entende que para se formar bons profissionais é imprescindível bons professores, com ampla formação, e que esses bolsistas serão os professores no futuro, serão os que mais contribuirão para a melhoria geral do país. Depois ainda vem falar de sorte, quando deveria se posicionar justamente sobre a necessidade de planejamento, de profissionalismo, sobre não esperar pela sorte, simplesmente diz que é PRECISO ter sorte.
Ou não tem o que falar, ou não sabe. Talvez as duas coisas.

Problemas à vista

As negociações da Rodada Doha para a liberalização do comércio mundial serão retomadas "em nível de altos funcionários" a partir de terça-feira em Genebra, anunciou nesta quinta-feira em Oslo o diretor geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy.
Em visita à Noruega, após viagens recentes a Nova Délhi e Washington, Lamy assegurou ter percebido "uma disposição política, sobretudo na Índia e Estados Unidos" para salvar a Rodada Doha.
Realmente para os países pobres, pobres mesmo, um comércio livre é muito bom, afinal, já se passaram cerca de 150 anos desde as Revoluções industriais e eles não conseguiram se industrializar; com a Rodada de Doha aprovada, eles serão beneficiados pelo aumento da importação de seus gêneros alimentícios, o que, pelo menos, os tirará da extrema miséria que vivem. Mas é certo que serão eternamente pobres, afinal, passará a ser praticamente impossível se industrializarem, não há como competirem com tudo que os países desenvolvidos (ou em desenvolvimento) oferecem, que é, entre outras coisas, estabilidade política, trabalho qualificado, infra-estrutura, capital financeiro aos montes, bolsas de valores, enfim, quando atingirem os níveis atuais de desenvolvimento, os países industrializados já estarão bem à frente.
Entretanto, me preocupo com o Brasil, já que possuímos um modesto porém existente nível de industrialização e grande potencial de crescimento. Em uma situação de comércio liberalizado, passamos a concorrer diretamente com países como a China, que podem produzir por valores alarmantemente menores e, portanto, corremos o risco de perder essas indústrias nacionais. Será muito mais vantajoso para qualquer industrial (inclusive os brasileiros) instalarem suas fábricas na China ou na Índia e exportar para cá. E isso pode acontecer, não só porque eles poderão oferecer um preço mais baixo por aqui, mas também porque qualquer produção brasileira de bens de consumo não encontraria mercado em quaisquer lugares do planeta. O Brasil se transformaria em um grande campo de soja e cana-de-açúcar.
Mas então, nos perguntamos, qual a solução? Basicamente o único instrumento sensato, seriam acordos bilaterais. Por exemplo, em um acordo de livre comércio entre E.U.A e Gana, certamente Gana sairia da miséria absoluta, sem que haja prejuízos aos outros países.
Aliás, um acordo como o de Doha, me parece que prejudicaria todos os países ricos e em desenvolvimento. Primeiro porque nos países ricos veríamos uma legião de agricultores desempregados e nos países em desenvolvimento uma fuga de indústrias que iriam preferir produzir em países com mão-de-obra mais barata ou menores impostos. Também se travaria uma verdadeira guerra fiscal entre os países, ocasionando grande queda da arrecadação de impostos. Também sofreriam as populações destes países que passariam a ser assaltadas ainda mais com impostos maiores, principalmente impostos diretos, em prejuízo dos mais pobres. Por fim, vale sinalizar uma certa inflação dos alimentos nos países pobres, já que, como os mercados europeu e amenricanos são atualmente protegidos, lá os alimentos são bem mais caros, já por aqui, bem mais baratos, tendendo então a um equilíbrio de preços generalizado.
Ao fim das contas, de todos os países, o Brasil seria o mais prejudicado, afinal, é o que tem os salários mais altos em relação a média de especialização da mão-de-obra, e o mais crucial: tem a maior carga tributária do mundo. Seria o nosso fim, sem dúvida.