29 de set de 2008

À Beira do Colapso V

É, senhoras e senhores economistas, o pacotão estadunidense não foi aprovado. Talvez semana que vem, depois do feriado do ano novo judeu, haja novidades. Por enquanto, quem trabalha na bolsa vai enjoar da cor vermelha, quem é comentarista de jornal vai ter que continuar dizendo que é fim do mundo e quem trabalha no Ministério da Fazenda terá que jurar que está tudo sob controle, ou como diria o pobre Guido “a economia está funcionando normalmente”.

É uma pena que as ideologias políticas e a briga eleitoral nos E.U.A. tenham barrado o que é crucial para se tentar (pelo menos) amenizar o que está por vir. A Secretaria do Tesouro norte-americano disse que “Será preciso um novo plano”.

A Bovespa chegou a ser “desligada” hoje. O chamado circuit-breaker, que interrompe os negócios no caso de grandes oscilações foi acionado às 14:49, quando as perdas superavam os 10%. A Bolsa retomou os negócios meia-hora depois, sem mostrar recuperação e chegou a afundar 13,8% no pior momento do dia. O Ibovespa, fechou com queda de 9,36% aos 46.028 pontos, e só para comparar, essa queda chega a superar a do pregão do 11 de setembro de 2001. Já a Bolsa de Nova York, registrou a pior baixa desde 1929 (o ano que iniciou a pior crise financeira da era moderna): um declínio de 6,98%, sendo a maior queda da história desde que foi criado o Índice Dow Jones.

E o pior é que hoje era para ser o dia mais “otimista” da semana, afinal, a bolsa chegou a abrir em alta, boa parte do mercado contava com uma melhora do ambiente, com a possível aprovação no Congresso. Para terça-feira, já não espero uma abertura positiva.

Dizem que nas corretoras e no salão da Bovespa se ouvia frases como: - “realizar o prejuízo ou esperar?" - "Eu realizei. Só entro agora quando o otimismo voltar" - "Dá para 'ejetar' ou agora é tarde demais?" - "Tarde era mês passado. Agora eu tenho papéis para vender daqui a cinco anos no mínimo”, entre outras atrocidades.

E o Presidente Lula vem dizer que a “Era da Economia” acabou? Ele não sabe que essa era mal está começando. A nossa função agora, é estudar essa crise a fundo e desenvolver mecanismos para que se evite algo parecido no futuro. Já ouviram aquela de que “é na crise que se evoluí”? Pois a crise já começou, agora a evolução depende de nós.

25 de set de 2008

Vai entender...

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou como positivas, as medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos para tentar contornar a crise financeira.
Até aí tudo bem. Mas vejam o que ele disse depois: "É preciso acabar com esse fundamentalismo de liberdade absoluta de mercado, que tem gerado prejuízos". OHHHHH!!!!!!! Logo ele, o maior defensor do Tratado de Doha! O único representante de um país emergente a aceitar a proposta dos países ricos de liberalização do comércio mundial! Logo ele que há alguns meses barou a proposta do Ministério da Fazenda de aumentar as alíquotas de importação de alguns produtos, por dizer que estava "defendendo a postura do Brasil na OMC". Tomara então que ele tenha mudado de opinião - que bom seria!

24 de set de 2008

Banco Contraditório do Brasil

E eu que pensava que BC significava Banco Central. Ora, não é o que os fatos mostram.
Para aumentar os juros, eles não têm dó. Mal surge um alienígena pequeno surto inflacionário, há motivos de sobra para elevar (ainda mais) a taxa Selic, e não exitam em confirmar que irão continuar na escalada do Everest.
Mas, aqui começa a contradição. Se de um lado seguem no aperto monetário com altas taxas de juros, de outro, despejam rios de dinheiro no mercado, o que sabemos, não tarda em causar inflação. Hoje, o Banco Central anunciou mudanças nos depósitos compulsórios, uma ferramenta monetária que obriga todas as instituições financeiras do país a depositarem no BC uma parte do dinheiro depositado pelos seus clientes, pois dessa forma há menos dinheiro disponível nessas instituições restringindo, portanto, o crédito que elas podem oferecer - uma excelente política de combate à inflação. Pois bem, com as mudanças que o BC vai implantar no sistema, prorrogando prazos para que os bancos façam os depósitos e reduzindo a quantidade de dinheiro que lhes é obrigado a recolher, será injetado cerca de R$ 13,2 bilhões no mercado brasileiro.
Para a massa falida que é toda população pobre do Brasil, pouco lhes importa os juros, o consumo e a inflação cresciam a níveis semelhantes aos de hoje quando os juros estavam em mais de 20%. E agora, com dinheiro extra em caixa, os bancos podem oferecer muito mais crédito e tempo para que o mesmo seja quitado, ou seja, prazos mais longos = parcelas menores; isso é o que influencia a grande maioria dos consumidores brasileiros na hora da compra.
Há tempos que eu fico a me perguntar: Qual é o objetivo do Banco Central? Será controlar a inflação ou melhorar a qualidade de vida dos banqueiros? Não resta dúvida. Bastante dinheiro para emprestar e altos juros para cobrar é tudo o que eles querem. E se eu estiver equivocado em relação a isso, então deveria, dizer que, no mínimo, falta ao BC coerência, responsabilidade e objetividade.

23 de set de 2008

À beira do colapso IV

Esse deve ser o momento da história em que mais haverá esforços para minimizar os efeitos de uma crise.
O governo estadunidense já agiu no início do ano com a aprovação de um pacote de de US$ 168 bilhões de estímulo, que incluiu o envio de cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos.
Porém, agora, devido ao agravamento da crise, pela apuração de grandes prejuízos em diversos bancos, inclusive a falência de alguns, e queda brusca nas Bolsas de todo o mundo, ficou ainda mais evidente a economia americana corre o risco de entrar em recessão, com o aumento do desemprego e do número de despejos, o que fez o Departamento do Tesouro dos E.U.A. aprovar um novo pacote gigantesco, da ordem de US$ 700 bilhões. Nas palavras do presidente daquele país, George W. Bush: "é um pacote grande porque se trata de um problema grande". Bush disse que a intervenção pública nos mercados "não só é justificada, é essencial", para evitar um dano maior na economia. "Devemos agir agora para proteger a saúde econômica de nossa nação", afirmou há alguns dias.
Não obstante, seis dos principais bancos centrais do mundo anunciaram nesta semana uma ação coordenada para enfrentar a crise; o Banco do Japão, o Fed (E.U.A.), o BCE (Europa), o Banco da Inglaterra, o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá injetarão na economia mais de US$ 200 bilhões.
Por enquanto, já está formalmente relacionado à atual crise, 1 trilhão e 68 bilhões de Dólares, fora o que se perdeu com as falências e os problemas nas bolsas de valores. E isso deve ser apenas uma parte do que ainda está por vir. Muitos analistas chagaram a afirmar com veemência que isso não é suficiente para conter a crise.
Para se ter uma idéia do tamanho do problema, o Plano Marshall, criado pelos E.U.A. após o fim da 2º Guerra Mundial, para recuperar a economia e a estrutura dos principais países da Europa Ocidental, extremamente devastados pelos anos de combate sobre suas terras, não chegou a US$ 15 bilhões, o que seria algo em torno de US$ 140 bilhões hoje corrigido pela inflação.
Ou seja, a crise atual, pode ser mais arrasadora que uma Guerra Mundial. Preparem suas defesas!

22 de set de 2008

A grave falha por trás do êxito

Estudo do Ipea (não sejamos preconceituosos) divulgada nesta segunda-feira indica que 13,8 milhões de brasileiros subiram de faixa social entre 2001 e 2007. Desse total, 74%, (10,2 milhões), saíram da classe de renda baixa (até R$ 545,66 de renda familiar), e 3,6 milhões de pessoas passaram da classe intermediária (de R$ 545,66 a R$ 1.350,82) para a classe de renda mais alta (renda familiar superior a R$ 1.350.82). Dos que estavam na classe mais baixa, 57,1% têm até a 4ª série do ensino fundamental e está concentrada nas regiões Nordeste e Sudeste. 82% moram em cidades. A classe mais pobre, agora representa 27,4% da população (cerca de 50 milhões de brasileiros). Mas no Nordeste, ainda representam 49,2% da população (em 2001, eram 57,3%). Já no Sul e no Sudeste, representavam 21,4% da população em 2001, agora são 15% no Sul e 16,9% no Sudeste.
Quando se fala em desenvolvimento, se dispensa grande parte do discurso para isso: mobilidade social. Em si, a mobilidade social recorre ao problema macroeconômico da distribuição de renda, que está ligada ao crescimento econômico e a criação de empregos, que por conseqüência cria renda. Portanto, ascenção social é possível que ocorra de forma mais dinâmica, em um país que estaja passando de uma maior concentração de renda, para uma distribuição mais justa e/ou em um país que esteja se industrializando, portanto criando empregos e valorizando a mão-de-obra.
Entretanto, é mais sadio para uma nação, que aconteça primeiro a industrialização (desenvolvimento de forças produtivas), para que a distribuição de renda aconteça de maneira um tanto mais, digamos, natural.
Mas, não é o que acontece no Brasil. É certo que nosso país vem se industrializando desde os anos 30 (com força maior a partir dos anos 50), mas, por falhas no sistema econômico, não conseguimos sequer beirar uma industrialização plena (basta lembrar que os níveis de produção estadunidenses são dez vezes maiores), portanto, é com tristeza que nos cabe salientar que uma parte maciça dessa (importante) evolução social se deve aos programas sociais, sobretudo o Bolsa-Família. Não estou fazendo nenhuma crítica ao programa, aliás, nas condições em que estamos, ele é essencial; o que quero dizer é justamente o grave (e perigoso) problema que é termos chegado a essas condições, que o Brasil, desde o finalmentes da ditadura, tem colocado a carroça na frente dos bois: nos anos 60 a 80, a ascenção social tinha níveis bastante parecidos (um tanto maiores) que estes acima apresentados, a grande diferença era que ela acontecia pela demanda (e valorização) da mão-de-obra, agora acontece muito mais pela transferência de renda forçada pelo Governo Federal através da tributação fomentando programas sociais.
O Bolsa-Família jamais pode deixar de existir, mas seria algo grandioso para todos nós, se chegasse o dia em que nenhuma família brasileira precisasse, tivesse a necessidade, de recorrer a ele. Se o nosso "sistema econômico" (se é que existe) continuar dessa forma, a quantidade de dinheiro repassado ao Bolsa-Família só crescerá a cada ano, até o dia em que será preciso restringi-lo ainda mais, predizido pela eminência de um estrondoso déficit público.
A verdadeira distribuição de renda (e solução para o problema do déficit público, da dependência estatal das famílias mais pobres e da alta carga tributária) se faz com sérias e eficientes políticas industriais, que visem a ampliação da capacidade produtiva, a redução da dependência das importações, o desenvolvimento de novas capacidades produtivas, enfim, a criação de renda por via dos nossos próprios recursos. Se almejamos um grande futuro para o Brasil, precisamos deixar de ser o país do misero amparo estatal e ser o país da rica união do trabalho nacional.

Coisas do Brasil


Levantamento feito em 2.500 farmácias das 24 maiores redes de todo país apontam que os analgésicos são os medicamentos mais roubados ou furtados. No ranking, o Viagra aparece em 4º lugar.

19 de set de 2008

À beira do colapso III

Alívio geral, as bolsas voltaram a subir, o governo estadunidense já salvou a economia, os acionistas da AIG resolveram pagar o dinheiro emprestado e tudo voltará ao normal, a crise acabou.
Engana-se quem pensa assim. Hoje a Bovespa subiu quase 10%, algo próximo das bolsas européias, foi uma euforia total, nem parecia que estamos em meio a uma das piores crises do capitalismo. Pois bem, agora a pouco, cerca de nove da noite (19/09/08) acaba de ser fechado, por falência, o 12º banco americano desta crise, o Ameribank.
A matéria da Folha de hoje pode bem exemplificar o que se passa em Wall Street: "bares e restaurantes locais, geralmente lotados de investidores e corretores da Bolsa, estão às moscas e relatam queda de até 50% na freqüência. O temor é de uma reação em cadeia: estimativas estaduais dão conta de que cada emprego em Wall Street cria três outros na região metropolitana de Nova York. Só neste ano, Wall Street cortou 25 mil postos de trabalho; outros 10 mil estão na berlinda com o colapso do Lehman Brothers e a venda apressada do Merrill Lynch. Garçons locais relatam sobre a situação dos clientes: "Chegam carregando caixas com o material do escritório e ficam bebendo até a hora de fechar. Muitos choram. Está assim em todo lugar. A ordem de seu atendimento também mudou: agora, antes de comer, executivos vão direto para a TV."."
O sistema capitalista em si, admite crises. Ela é necessária para a construção do conhecimento da ciência econômica, basta lembrar que os estudos de Keynes foram fruto do caos pós-29. Importantes reformas e aprimoramentos na economia advêm dessas crises. Não adianta culpar economistas por não terem feito nada até então, nem sequer terem previsto a possibilidade de crise. As crises se constroem no decorrer do capitalismo, são tão normais (e imprevisíveis) como momentos de euforia.

18 de set de 2008

(Mais) Uma facada no coração do Brasil

Depois de aumentarem os juros...
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que o Brasil vai realizar leilões de venda de Dólar. Tudo porque a moeda tem se valorizado nos últimos dias, e encerrou hoje cotada a R$ 1,943 na venda, em forte alta de 4,03%.
Por que Meirelles? Logo agora que estava ficando bom!
Se todos admitem que o Dólar precisa chegar a, pelo menos, R$ 2,50, para manter a competitividade nacional, gerar empregos, melhorar a balança comercial, fazer a economia crescer mais, gerar mais renda, desenvolvimento e industrialização; qual é o problema do Banco Central?
Essas medidas de certa forma reduzem a inflação momentaneamente, mas que jamais resolvem o problema, que é crônico. Há centenas de anos o fantasma da inflação vive nos assombrando. É preciso que se tome medidas para combater o problema de uma vez por todas, e o problema é a nossa dependência: dependemos que as commodities estejam com um preço elevado no mercado externo; dependemos que a demanda interna não seja excessiva, pois não há suficiente capacidade instalada; dependemos das importações das peças dos produtos que montamos aqui para que esses produtos possam ser mais baratos; dependemos de que surja uma nova tecnologia em algum lugar para então melhorar nossa produção importando essa tecnologia; dependemos dos gastos públicos para distribuir melhor a renda nacional; e dependemos de tantas outras coisas que o Google não teria capacidade de armazenar se eu fosse descrever a todas. Basta lembrar quantas novas edições de moedas já tivemos.
Manter o Dólar valorizado, e os juros baixos, realmente leva a um surto inflacionário maior do que o que estamos vivenciando; mas pelo menos garante que gradativamente possamos diminuir essas dependências que sempre causaram pressões sobre os preços e continuarão a causar se as medidas tomadas forem sempre as mesmas. Resolve-se o surto da inflação, mas não resolve-se o problema da inflação, que teima em nos abalar, desde Dom Pedro I.

A cruel realidade brasileira

Para aqueles que ainda defendem o livre-comércio, juro alto e Real forte, aqui vai uma pequena demonstração das conseqüências. Texto da conceituada "The Economist". Por tudo que a história e os fatos sempre irão evidenciar, mas que muitos insistem em negar:
http://www.economist.com/business/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=12209081

17 de set de 2008

À beira do colapso II

É pessoal, mais uma gigante que precisou ser (temporariamente) estatizada nos E.U.A.. Por aqui a AIG atua(va?) com o Unibanco.


15 de set de 2008

À beira do colapso

Eu tinha sérias dúvidas sobre a possibilidade de uma crise mundial, mas confesso que fiquei receoso após as notícias de hoje. O Lehman Brothers faliu mesmo, abriu concordata (coisa que nem existe no Brasil), um tipo de pedido de falência que assegura o caráter limitado da pessoa jurídica, ou seja: os credores podem ir se despedindo do que tinham em haver com o banco (e que se diga, não eram simples cidadãos americanos, mas pessoas que são - ou eram - conhecidos rapazes de Wal Street). As bolsas deslancharam de vez, a Bovespa caiu 7,59%, logo agora que tantos pequenos aventureiros brasileiros começavam a investir, pobres esperanças lançadas num poço de fobia (lembranças de 29).
Quero ver como fica o "espetáculo do crescimento" depois que os preços dos alimentos e dos minérios (e talvez do petróleo) despencarem. Será um "espetáculo de nostalgia".

12 de set de 2008

106 anos de JK


Juscelino Kubitschek de Oliveira completaria hoje 106 anos se estivesse vivo. Foi um médico, militar e político, presidente do Brasill entre 19566 e 1961.
Com estilo de governo inovador na política brasileira até então, Juscelino era de grande simpatia e confiança entre os brasileiros. Foi o responsável pela construção de Brasília, um sonho antigo, já previsto em 3 constituições brasileiras, da mudança da capital para promover o desenvolvimento do interior e a integração do país. Durante todo o seu governo, o Brasil viveu um período de desenvolvimento econômico e estabilidade política jamais vista.
Juscelino foi eleito pela aliança PSD-PTB, em outubro de 1955 com 36% dos votos, pois só havia primeiro turno. A UDN tentou rejeitar o resultado, mas a posse de Juscelino foi garantida com uma operação militar, depondo o presidente Carlos Luz que tentava impedir a posse - até a época a política era sempre assim.
O plano de metas de JK é considerado um caso bem sucedido de formulação e implementação do planejamento estatal. O plano continha um conjunto de 31 metas, incluindo a construção de Brasília, ficando famoso pela expressão "50 anos em 5", supondo o potencial do plano para o crescimento do Brasil em seu governo. Para criar o plano econômico, foi feito um levantamento dos principais pontos de estrangulamento da economia brasileira, além de identificar áreas industriais com demanda reprimida, que não podia ser satisfeita com importações, dada a escassez estrutural de divisas na economia brasileira.
O crescimento industrial que ocorreu a partir do início do governo JK estava estruturado em um tripé formado pelas empresas estatais, pelo capital estrangeiro e, como sócio menor, pelo capital nacional. As empresas estatais participavam fortemente no setor produtor de bens intermediários. Os setores de energia, transporte, siderurgia e refino do petróleo recebiam a maior parte dos investimentos do governo.
A industrialização cresceu por substituição de importações, que impedia importação de produtos com similar nacional. Com isso, se possibilitou o crescimento urbano e uma industrialização jamais vista, fazendo com que milhões de pessoas passasem a ter empregos fixos e impulsionando o consumo das famílias de forma espetacular.
Também se isentou de impostos de importação as máquinas e equipamentos industriais, assim como os capitais externos, desde que associados ao dinheiro nacional. Para ampliar o mercado interno, o plano ofereceu uma generosa política de crédito. Financiou a implantação da indústria automobilística e da indústria naval, a expansão da indústria pesada, a construção de usinas siderúrgicas e de grande usinas hidrelétricas, abriu as rodovias transregionais e aumentou a produção de petróleo da Petrobrás. Durante seu governo, a produção industrial cresceu 80%, os lucros da indústria cresceram 76%.
Realmente a era JK refletia um novo Brasil, foram os chamados "Anos Dourados". Nessa época foram aparecendo os eletrodomésticos, com grandes novidades como os liquidificadores, foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, e o país foi tomado pelo famoso "estilo de vida americano" baseado na vida urbana, familiar e feliz.
Juscelino através de uma política sóbria, soube trazer desenvolvimento ao Brasil. Foi sem dúvida, o melhor presidente brasileiro depois de Getúlio Vargas, a quem admirava abertamente. Essa é a nossa homenagem a essa imprescindível figura da nossa nação.

Primeira-mão

É isso aí pessoal. Esse blog foi a primeira mídia das Américas a divulgar a publicação da Revista "The Economist" sobre a classe média brasileira, que já teve repercusão internacional nesta sexta-feira, até o Guido Mantega falou sobre a reportagem (dos ingleses). Nossa postagem saiu às 15:45 de ontem (11/09). O segundo veículo a divulgar foi a Folha de São Paulo (on-line), às 8:51 de hoje, 16 horas depois da gente.

11 de set de 2008

A energia é o nosso desafio

O leilão de energia nova A-5 -com entrega de energia prevista para 2013- tem 146 empreendimentos habilitados, com capacidade instalada de 25.252 MW. O leilão está previsto para o próximo dia 30. A maior parte da energia apta a ser ofertada, a exemplo dos leilões mais recentes, será oriunda de termelétricas movidas a óleo combustível, que são mais poluentes. Por outro lado, há apenas uma usina hidrelétrica. Ainda foram aprovadas 28 termelétricas movidas a bagaço de cana-de-açúcar. Outras sete usinas termelétricas com energia gerada por carvão mineral. Outros 17 empreendimentos são referentes a termelétricas movidas a gás natural.
Ainda penso que se deve priorizar a energia hidrelétrica não só por ser uma das que menos poluem, mas sobretudo por ser uma das mais baratas (só perde para as termelétricas movidas a carvão mineral). Para o Brasil também tem sido importante as termelétricas sustentadas por bagaço de cana e ainda temos que investir no desenvolvimento de tecnologia para possibilitar num futuro próximo a existência de termelétricas movidas a álcool, isso é imprescindível para se alargar o uso desse promissor combustível.
As usinas de carvão mineral e gás natural, podem sim servir como subterfúgios para eventuais problemas de abastecimento, mas jamais devem ser estimuladas a ponto de aumentem sua participação na matriz energética do Brasil, primeiro porque o Brasil precisa importar a maior parte do que consome, de carvão e principalmente de gás-natural, e eventualmente podemos ter problemas quando de desestabilizações como tem aconteciodo com o gás boliviano nos últimos dias; e segundo porque estão entre as mais poluentes e certamente haverá futuramente fortes pressões para a derrocada destas fontes, talvez não do gás natural, mas certamente do carvão. Ainda vale ressaltar que se usarmos menos carvão para produzir energia, seu preço será menor no país e portanto tende a aumentar a competitividade das siderúrgicas e metalúrgicas que se usam desta matéria-prima na linha de produção.
Nos países ricos e em alguns emergentes, o carvão é a base da matriz energética, mas eles não tem o álcool mais barato do mundo nem a maior produção global de cana-de-açúcar, nem o gigantesco potencial hidrelétrico como tem o Brasil, muito do qual ainda não é aproveitado.

Direto na fonte

Ta aí o link para uma matéria sobre a classe média brasileira, que saiu hoje na mais renomada revista de economia do mundo, a britânica "The Economist":
http://www.economist.com/world/americas/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=12208726

10 de set de 2008

Uma facada no coração do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou hoje em 0,75 ponto percentual a taxa de juro básico (Selic), elevando-a de 13% para 13,75% ao ano. Esta é a quarta alta consecutiva da Selic. O relatório do Copom diz: "Avaliando o cenário macroeconômico, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano, sem viés, por cinco a votos a três, com vista a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas".
Esse novo aumento, evidencia que a economia brasileira, continua refém de uma política monetária equivocada. Ao restringir a gestão da economia a práticas meramente monetárias, o governo limita seus próprios mecanismos de controle inflacionário à taxa de juros. Também paga elevado preço por essa mesmice, à medida que agrava o preço da dívida pública - lembrando que essa taxa também remunera os investidores da dívida pública. Esse dinheiro destinado ao pagamento dos juros atrelados aos títulos públicos provavelmente teria efeito muito mais eficaz no controle da inflação se fosse convertido em investimento público, combinado, obviamente, com maior responsabilidade fiscal. Errar é humano, mas persistir no erro é burrice e o erro que digo, é o de sempre fazer a mesma coisa: elevar os juros.
O caso brasileiro não se trata de uma inflação interna, mas sim importada do exterior em razão dos preços das matérias-primas (commodities) internacionais, particularmente alimentos. O governo repete o erro hoje, mantendo-nos como uma das maiores taxa de juros do planeta. De nada adianta falarmos de políticas de desenvolvimento, se cada vez mais, pelo ralo da dívida interna escoa a fatura perversa de crescentes aumentos de juros. E o pior, sem a menor necessidade.
A redução da inflação brasileira nas últimos semanas não ocorreu devido ao aumento da taxa Selic promovido pelo Banco Central nas últimas três reuniões. Está claro que o aumento de juros da última vez foi um erro. Não há razão nenhuma para aumento de juros. Existem dois tipos de inflação: a local e a mundial, a inflação caiu nos últimos dois meses, mas não foi por influência do BC. Antes nós estávamos sofrendo com a pressão da inflação mundial, e agora o petroléo e demais commodities perderam preço. O Banco Central tem que encontrar modos de ajustar as influências da inflação internacional. Porque querer corrigir com juros internamente vai dificultar a estrutura necessária para haver crescimento.
Esse aumento da Selic, foi desnecessário, mas isso não quer dizer que temos que dar as costas aos riscos de inflação, só acho que é importante também o governo não precisar só desse recurso, mas também é preciso controlar os gastos públicos, entre outros mecanismos plausíveis, como aprofundar o ajuste fiscal. Uma política fiscal de melhor qualidade para aliviar o aperto monetário.
Uma coisa é certa: havia espaço para a redução dos juros, sem comprometer as metas de inflação. Essa elevação prejudicará os investimentos e comprometerá o crescimento da economia. Foi sem dúvida um grave erro, que compromete seriamente o futuro do Brasil.
Todos criticaram a decisão do Copom: as federações industriais, políticos, comerciantes, sindicatos, até a CUT se manifestou. Ou seja: o Banco Central e o Governo Federal devem refletir sobre quais são as reais aspirações da maioria dos brasileiros. Esperamos melhores notícias da próxima vez.

Brasil cresce 6%

A economia brasileira registrou crescimento de 6% em comparação com o mesmo semestre do ano passado.
Mas já disse aqui: esse crescimento NÃO É SUSTENTADO. Ele acontece porque as commodities (soja, minério de ferro etc) estão com preços elevados, e porque o governo tem gasto muito mais do que o que seria sadio. Isso tudo beneficiou as exportações, o aumento da oferta de crédito e o aumento do consumo, mas perceba que não existe no Basil aquele crescimento consistente que começa com a instalação e ampliação das indústrias nacionais, com a geração de empregos e com o aumento da renda a partir das nossas próprias forças produtivas.
Esses 6% significam apenas um bom momento econômico, que se acaba tão rápido quanto surge, é um pulo-do-gato e não uma nova ninhada.

O custo da corrupção

Quando se descobre casos de corrupção envolvendo o governo central, os ministros, os deputados, essa corrupção se torna escândalo nacional. Porém, há uma corrupção quase subterrânea, que prolifera em todos os níveis da economia brasileira, que varia de tamanho e de importância e que provoca um fantástico efeito negativo sobre a competitividade do país. O Brasil hoje ocupa a 59a posição num ranking internacional de corrupção (nesse ranking, a Finlândia, o país menos corrupto, ocupa o primeiro lugar). O Brasil perde até para Botsuana e Suriname. Se o país conseguisse atingir o patamar dos Estados Unidos, o 15ª mais bem posicionado nessa lista, ganharia a cada ano 2 pontos percentuais de crescimento econômico. É muita coisa. Significa afirmar que, hoje, a economia brasileira poderia crescer num ritmo anual de 7% - semelhante ao invejável desempenho da Índia e da Rússia.
Vejam o caos que a corrupção tem causado:
2 pontos percentuais é o que o PIB deixa de crescer por ano devido à corrupção.
380 bilhões de reais é quanto a corrupção custou ao país em 2004.
21% das empresas aceitam o pagamento de subornos para conseguir favores.
25% das companhias têm despesas de até 10% de suas receitas com subornos.
50% dos empresários pesquisados já foram achacados por fiscais tributários.
70% das empresas gastam até 3% do faturamento anual com propinas.
87% relatam que a cobrança de propina ocorre com alta freqüência.
Fontes: Marcos Fernandes/FGV e Transparência Brasil
Veja o que algumas empresas estão fazendo para evitar cair na rede de corrupção:
1 - Dividir o poder entre vários executivos e deixar claro que nenhum deles pode tomar decisões sozinho. Quem aborda uma companhia em busca de dinheiro prefere ter apenas um interlocutor
2 - Pedir nota fiscal quando são convidadas a fazer contribuições para campanhas. Se o dinheiro puder ser rastreado, muita gente desiste de achacar a empresa
3 - Manter em dia obrigações fiscais e trabalhistas. Qualquer vulnerabilidade pode estimular políticos corruptos (ou seus representantes) a abordar a empresa
4 - Mapear internamente as áreas mais sujeitas a ataques (o setor de compras, por exemplo) e fazer um controle rígido desses departamentos
5 - Se possível, evitar negócios com governos. Em contratações públicas é comum a cobrança de propina desde o processo de licitação até a liberação de pagamentos por serviços prestados
Os estudiosos do tema arriscam algumas hipóteses para explicar o avanço da corrupção no Brasil. Uma primeira causa diz respeito ao tamanho e funcionamento do Estado. Atualmente, o setor público consome quase 40% da renda nacional, um recorde absoluto entre os países emergentes. Para complicar, o Estado brasileiro não é apenas exagerado, mas também extremamente burocratizado. Foi o que mostrou o último relatório do Banco Mundial sobre o ambiente de negócios. O retrato produzido pelo corpo técnico do banco mostra o Brasil como um paraíso da burocracia. Cada vez que um empresário brasileiro precisa de um carimbo oficial - para abrir uma empresa, para exportar, para contratar, para conseguir uma licença -, se vê preso a um emaranhado legal sem par no planeta. "O Brasil tem um dos piores ambientes de negócios do mundo, e isso favorece a corrupção", diz o economista Simeon Djankov, responsável pela pesquisa do Banco Mundial. "Sempre que o sucesso depende de um agente público, o campo para desvios de conduta é fértil." É fundamental atacar a burocracia para diminuir o raio de ação da ilegalidade. Esse caminho tem sido trilhado com sucesso por muitos países. Em Cingapura, é possível abrir uma empresa em menos de uma semana - e a corrupção envolvida no processo é virtualmente zero. O mesmo procedimento no Brasil leva 152 dias e passa pelas mãos de dezenas de pessoas. Além de reduzir a burocracia, também é fundamental prover a população com o máximo de informação possível. A internet pode ser uma ótima aliada na hora de esclarecer todos os passos e os custos envolvidos num processo público. Ela também é útil para permitir compras governamentais com transparência. Outra medida adotada em vários países é a criação de uma forma ágil de denunciar tentativas de suborno. Só a divulgação de um número de telefone sigiloso para denúncias tem feito a corrupção despencar em vários países. No Brasil, a corrupção também prospera graças à complexidade da legislação e à pouca confiabilidade da Justiça. O país tem muitas leis, algumas contraditórias entre si, o que deixa brechas e, muitas vezes, impede uma operação 100% legal. Abre-se, assim, um atalho para a corrupção e para os vendedores de facilidades. Em alguns casos de processos de licitação, por exemplo, não basta ao empresário entregar o melhor produto pelo melhor preço. É preciso pagar para receber aquilo a que tem direito. O resultado é o aumento de custos. Empresários que participam de licitações embutem em suas propostas um provisionamento para cobrir atrasos e pagar subornos. Isso cria um círculo vicioso. O dia-a-dia dos negócios com o governo é contaminado, mesmo quando se trata de empresas idôneas. Seria ingenuidade dizer que esse tipo de problema acontece apenas em países como o Brasil. A corrupção é um mal globalizado. O que difere economias como a nossa é a freqüência com que casos como esses ocorrem, a participação maciça de representantes do Estado e o tamanho dos danos provocados por esse volume brutal de problemas. Outra diferença está na rapidez com que certos países desenvolvidos buscam soluções para as crises, quando elas vêm à tona.
Se nem mesmo nações com instituições sólidas estão isentas de escândalos, é evidente que o problema por aqui é muito mais grave. Mas não há alternativa senão enfrentá-lo. Das pragas que assolam o mundo empresarial, a corrupção é a que acarreta maiores seqüelas, por contaminar a cultura, abalar a auto-estima dos funcionários, manchar a imagem das empresas e impedir o crescimento do país. Combatê-la é colocar um visto a mais no passaporte para entrar no grupo das economias desenvolvidas.

9 de set de 2008

EUA erra, o mundo paga.

O preço da moeda norte-americana atingiu nesta terça-feira seu nível mais alto desde o fim de janeiro. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,772. Somente neste mês, a taxa de câmbio valorizou 8,4%, sem dúvida foi o melhor investimento do mês.
Já o IBovespa caiu 4,5% e atinge os 48.435 pontos, ou seja, igual a agosto do ano passado.

Mas, cá entre nós, você acha mesmo que essas quedas da bolsa são sustentadas? Dólar subindo, consumo crescendo, aumento do preço dos commodities, tudo isso é ótimo para as empresas brasileiras (salvo o aumento dos juros). Se tudo isso é ótimo, então, qual a base pragmática para essas quedas? Simples: com a crise externa, os investidores estrangeiros (que são maioria na Bovespa) tendem a retirar seus sagrados dinheirinhos da Bolsa brasileira, procurando mercados mais "confiáveis", com isso, o preço das ações caem e o investidor brasileiro se obriga a vender também suas ações para não perder dinheiro, e assim a bolsa despenca cada dia mais. É uma pena que tenhamos que pagar pelo erro alheio.

Poder Judiciário: a melhor academia de letras do Brasil

Não é de pouco que sabemos da extrema incógnita e difícil interpretação das leis brasileiras. Também, pudera, para nossos magistrados, quanto mais difícil for entender o que eles querem dizer, mais denotam respeito entre seus colegas. Ruím para o povo brasileiro, que tem sempre que recorrer ao velho Aurélio. Veja o que disse o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes ao falar sobre a morte do fundador do Itaú, Olavo Setubal há algumas semanas:
"Mais do que exemplo superlativo de empreendedorismo e liderança, Olavo Setubal foi um brasileiro da mais alta envergadura, cujas preocupações não se apartavam do desenvolvimento e da inserção do país no lado progressista do mundo. O Brasil se despede de um cidadão de primeira grandeza, cuja memória evocará sempre descortino, entusiasmo, benemerência e fidalguia."
Pelo menos deu para entender que ele estava falando bem do pobre Setubal. Ou será que não?

8 de set de 2008

Brasil ainda não alcançou desenvolvimento sustentável

O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira afirmou hoje que o Brasil ainda não alcançou um crescimento sustentado. Motivo: juros altos e taxa de câmbio pouco competitiva. Segundo ele, apesar de a maioria das pessoas no governo serem desenvolvimentistas, ou seja, defenderem uma participação marginal do Estado na economia, procurando desenvolver a nação, o Banco Central age de forma errada. "O Brasil ainda não alcançou o crescimento sustentado. Estamos em uma armadilha de juros altos e taxa de câmbio baixa", afirmou o ex-ministro durante o seminário das comemorações dos 200 anos do Ministério da Fazenda. Para o ex-ministro uma taxa de câmbio competitiva estaria entre R$ 2,30 e R$ 2,50.
Isso é óbvio, juros baixos e Dolar valorizado, funcionam como um super aditivo de potência para o Brasil se desenvolver de forma sustentável. Tomamos como base, que desenvolvimento sustentável, é o estabelecimento de forças produtivas nacionais através da industrialização. Como sempre digo, basta observarmos a relação proporcional entre anos em que o Brasil cresce mais e o preço dos produtos primários; essa onda de crescimento, em plena concordância com o ex-ministro, NÃO É SUSTENTÁVEL, ela acontece porque há uma maior injeção de dinheiro externo graças aos altos preços dos minérios, dos produtos agrícolas e agora, do Petróleo; com isso, há mais dinheiro para o crédito público, e aí, conseqüentemente aquece o consumo e o PIB cresce; entretanto, tão logo se veja uma crise internacional que ocasione queda nos preços destes produtos primários, veremos novamente a estagnação econômica no Brasil.
A base do problema é simples: nossa industrialização é tão modesta, que não é capaz de sustentar nenhuma onda de crescimento por um longo prazo. Quando se fala em Dólar valorizado, vale lembrar que ele funciona melhor do que qualquer imposto de importação para a indústria nacional, deixamos de importar para fabricar aqui dentro, afinal é mais barato; dessa forma, conseguimos criar indústrias nacionais, que obiamente criam diversos empregos, e toda renda usada na compra de bens de consumo, ficam no país, criando mais empregos, que gera mais renda ainda, isso é o que podemos chamar de crescimento sustentado, ele não é artificial, pelo contrário, é exuberantemente real, ele acontece pela própria força da nação. E ao falar em juros baixos, estamos falando em dar condições para que essas indústrias nascentes se estabeleçam, pois aí evitamos que o câmbio valorizado, acabe inflacionando os preços ao invés de gerar desenvolvimento. Vejam o que disse ainda Besser Pereira: "quando a desaceleração da economia chegar à China, haverá uma desaceleração mais forte nos preços dos produtos básicos, itens de peso das exportações brasileiras. A crise vai atingir a China e também a nós".
O crescimento real só acontece quando conseguimos substituir as importações por produção nacional, foi assim em todos os países que hoje são ricos, os E.U.A talvez sejam o melhor exemplo. Até quando ficaremos exportando soja e minério de ferro, e dizendo que isso é um "momento mágico"?

7 de set de 2008

Dia nacional

"Já podeis, da pátria filhos,
Ver contente a mãe gentíl.
Já raiou a liberdade,
No horizonte do Brasil."
Assim inicia a música que nos remete (ou deveria) ao dia da nação brasileira. Hoje fazem exatos 186 anos desde aquele 7 de setembro de 1822 em que nosso país se tornava (teoricamente) independente. O Brasil tem muito a melhorar, é verdade; entretanto, entre erros e acertos, temos progredido, seja em cidadania, em civilização, na economia, até na política - basta lembrar dos governos imperiais ou do "café-com-leite". Mérito de pessoas que não se omitiram em trabalhar pela pátria. Os personagens centrais das mudanças, Getúlio Vargas, Juscelino kubitschek, e tantos outros, são verdadeiros resumos de um mutirão de pessoas que se doaram ao país. São exemplos de que é possível, desde que haja vontade, fazer algo a mais nessa terra continental; são exemplos, acima de tudo, de que é crucial para o progresso não se calar diante da irresponsabilidade e do desleixo.
Mais uma vez terminamos o 7 de setembro repletos de esperanças positivas em prospecto à nação brasileira nos próximos tempos, mas temos que entender: quem faz o país, é seu povo.
Essa é a nossa homenagem ao dia nacional do Brasil.

Será que vai dar certo?

Em um pacote inédito e de extrema ousadia, o governo dos EUA se apoderou do controle das duas maiores empresas norte-americanas do setor de crédito imobiliário, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Essa deve ser a maior operação de socorro da história perpetrada por um governo para salvar entes privados da falência. Foi uma espécie de "estatização temporária".
O objetivo principal é fornecer quanta liquidez (dinheiro) for necessária às duas empresas para que elas não sucumbam e arrastem junto centenas de outros agentes de crédito nos EUA, interligados a elas por operações mal feitas, mal calculadas e mal supervisionadas pelo próprio Tesouro dos E.U.A nos últimos anos.
O governo americano ventilou que poderá injetar até US$ 100 bilhões em cada uma delas (o equivalente ao total das reservas internacionais do Brasil) se assim for preciso. Além disso, o Tesouro se dispôs a comprar empréstimos garantidos pelas duas instituições e a manter linhas de crédito abertas a elas até o final de 2009.
O que induziu tudo isso, como se sabe, é a crise imobiliária que vem atingindo nossos vizinhos do norte. A corneta soou ao final de uma semana de fortes perdas nas Bolsas do mundo todo, do aumento do desemprego norte-americano para 6,1% (o maior em cinco anos) e da certeza cada vez maior de que as economias avançadas estão esfriando além do esperado. Há uma nova onda de pânico na praça.

5 de set de 2008

Maior carga tributária do mundo

O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo vai registrar na manhã da próxima segunda-feira que os brasileiros pagaram R$ 700 bilhões em impostos municipais, estaduais e federais em 2008.
Considerando-se a renda média do brasileiro, sem dúvida é a maior carga tributária do mundo. Só para termos uma idéia da disparidade, vamos comparar: nos EUA, nesse mesmo período, os governos arrecadaram cerca de R$ 1400 bilhões, ou seja, o dobro do Brasil; mas a economia norte-americana, a quantidade de indústrias, a renda média da população, as relações comerciais, tudo isso, é cerca de dez vezes maior. Portanto, podemos dizer que os brasileiros pagam cinco vezes mais impostos do que os estadunidenses (10/2=5). Talvez para os ricos que vivem de rendas, não chegue nem a ser muito importante, mas para a população pobre, para a classe média, para os comerciantes, para os industriais, é muito doloso, é uma verdadeira facada no coração. Para essas classes, que geram a maior parte dos impostos, representa um desembolso de quase metade da sua renda para manter um governo combalido.
A explicação para isso é muito abrangente, mas posso dar uma pista para entendermos mais rapidamente: é que nossos impostos são mal gastos e sobretudo mal arrecadados. Mal gastos porque tem tudo aquilo de corrupção ativa, superfaturamento, bolsa-tudo etc. E mal arrecadados porque, por exemplo, quando um rico ou um pobre compra um litro de gasolina ou alguns pães, ambos pagam o mesmo imposto, são os impostos indiretos, os mais cruéis que podem existir em qualquer país, mas muito mais em um países com relevante disparidade social, comuns no "terceiro mundo"; e além do mais, preferimos taxar a 10% o vem de fora, e 50% pelo que se produz aqui, fica difícil.
É muito simples entender porque nossa industrialização é tão modesta, nossas cidades estão abarrotadas de favelas, nossas ruas estão literalmente descascando, não há lugar público que não seja quabrado, sujo, feio.
Aliás, vou fazer uma analogia: eu imagino a máquina pública brasileira, isso que chamam de governo, como uma pessoa que comeu, comeu, e engordou tanto, que agora pesa uns 200 quilos e precisa ficar o dia inteiro deitada na cama, simplesmente não consegue mais trabalhar, sequer mexer as pernas, precisa de gente o tempo todo ao seu redor para lhe servir, preparar suas refeições, higienizar-lhe. É obvio que essa pessoa deveria ter comido menos, feito mais exercícios, trabalhado mais, levado uma vida saudável; mas agora é tarde, sua única salvação é uma cirurgia de redução de estômago, simplesmente a parte que lhe dá apetite precisa ser reduzido, assim, involuntariamente, sentirá menos fome, comerá menos, seu corpo aos poucos queimará as gorduras extras, e dentro de algum tempo poderá voltar a correr, trabalhar e viver enfim uma vida feliz. Essa cirurgia de que falo, tem nome: REFORMA TRIBUTÁRIA.
O impostômetro pode ser acompanhado pelo site: http://www.impostometro.com.br/.

4 de set de 2008

Lula garante que é presidente por pura sorte

Novas de Lula, em discurso nesta quinta-feira para cerca de 600 estudantes da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco):
"Às vezes, um cidadão se forma na USP, na Unicamp, na Universidade Federal de Recife, depois ele ganha uma bolsa e vai passar dois anos em Paris, fazendo pós-graduação, fazendo mestrado. Depois, se ele ganhar mais uma bolsa, passa mais dois anos em Berlim. Depois, ele ganha mais uma 'bolsinha', tem gente que vive de bolsa também, e vai para Londres ficar mais dois anos, ou seja, nunca há um tempo para ele retribuir com trabalho aquilo que foi o pagamento que o povo brasileiro garantiu para ele."
No final do discurso, após elogiar algumas ações do seu governo, o presidente Lula disse que muitas pessoas o consideram "um homem de sorte".
"Deus queira que eu levante todo dia com mais sorte ainda, porque sem sorte a gente não arruma nem mulher, nem mulher arruma marido para casar. Ou seja, é preciso ter muita sorte na vida política, é preciso ter muita sorte na vida administrativa, é também é preciso ter muita sorte no amor porque, senão, a vida não vale a pena."
Eu acho que ele ainda não se deu conta que é presidente do Brasil. Num momento tão importante, em que deveria incentivar o aperfeiçoamento, o estudo, a aprendizagem, certamente ele não entende que para se formar bons profissionais é imprescindível bons professores, com ampla formação, e que esses bolsistas serão os professores no futuro, serão os que mais contribuirão para a melhoria geral do país. Depois ainda vem falar de sorte, quando deveria se posicionar justamente sobre a necessidade de planejamento, de profissionalismo, sobre não esperar pela sorte, simplesmente diz que é PRECISO ter sorte.
Ou não tem o que falar, ou não sabe. Talvez as duas coisas.

Problemas à vista

As negociações da Rodada Doha para a liberalização do comércio mundial serão retomadas "em nível de altos funcionários" a partir de terça-feira em Genebra, anunciou nesta quinta-feira em Oslo o diretor geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy.
Em visita à Noruega, após viagens recentes a Nova Délhi e Washington, Lamy assegurou ter percebido "uma disposição política, sobretudo na Índia e Estados Unidos" para salvar a Rodada Doha.
Realmente para os países pobres, pobres mesmo, um comércio livre é muito bom, afinal, já se passaram cerca de 150 anos desde as Revoluções industriais e eles não conseguiram se industrializar; com a Rodada de Doha aprovada, eles serão beneficiados pelo aumento da importação de seus gêneros alimentícios, o que, pelo menos, os tirará da extrema miséria que vivem. Mas é certo que serão eternamente pobres, afinal, passará a ser praticamente impossível se industrializarem, não há como competirem com tudo que os países desenvolvidos (ou em desenvolvimento) oferecem, que é, entre outras coisas, estabilidade política, trabalho qualificado, infra-estrutura, capital financeiro aos montes, bolsas de valores, enfim, quando atingirem os níveis atuais de desenvolvimento, os países industrializados já estarão bem à frente.
Entretanto, me preocupo com o Brasil, já que possuímos um modesto porém existente nível de industrialização e grande potencial de crescimento. Em uma situação de comércio liberalizado, passamos a concorrer diretamente com países como a China, que podem produzir por valores alarmantemente menores e, portanto, corremos o risco de perder essas indústrias nacionais. Será muito mais vantajoso para qualquer industrial (inclusive os brasileiros) instalarem suas fábricas na China ou na Índia e exportar para cá. E isso pode acontecer, não só porque eles poderão oferecer um preço mais baixo por aqui, mas também porque qualquer produção brasileira de bens de consumo não encontraria mercado em quaisquer lugares do planeta. O Brasil se transformaria em um grande campo de soja e cana-de-açúcar.
Mas então, nos perguntamos, qual a solução? Basicamente o único instrumento sensato, seriam acordos bilaterais. Por exemplo, em um acordo de livre comércio entre E.U.A e Gana, certamente Gana sairia da miséria absoluta, sem que haja prejuízos aos outros países.
Aliás, um acordo como o de Doha, me parece que prejudicaria todos os países ricos e em desenvolvimento. Primeiro porque nos países ricos veríamos uma legião de agricultores desempregados e nos países em desenvolvimento uma fuga de indústrias que iriam preferir produzir em países com mão-de-obra mais barata ou menores impostos. Também se travaria uma verdadeira guerra fiscal entre os países, ocasionando grande queda da arrecadação de impostos. Também sofreriam as populações destes países que passariam a ser assaltadas ainda mais com impostos maiores, principalmente impostos diretos, em prejuízo dos mais pobres. Por fim, vale sinalizar uma certa inflação dos alimentos nos países pobres, já que, como os mercados europeu e amenricanos são atualmente protegidos, lá os alimentos são bem mais caros, já por aqui, bem mais baratos, tendendo então a um equilíbrio de preços generalizado.
Ao fim das contas, de todos os países, o Brasil seria o mais prejudicado, afinal, é o que tem os salários mais altos em relação a média de especialização da mão-de-obra, e o mais crucial: tem a maior carga tributária do mundo. Seria o nosso fim, sem dúvida.

3 de set de 2008

Método infalível

Método infalível...
... para contratação de novos funcionários: O método consiste em colocar todos os candidatos num galpão e disponibilizar 200 tijolos para cada um. Não dê orientação alguma sobre o que fazer. Em seguida, tranque-os lá e, após seis horas, volte e verifique o que fizeram. Segue a análise dos resultados:
1 - Os que contaram os tijolos, contrate como contadores.
2 - Os que contaram e em seguida recontaram os tijolos, são auditores.
3 - Os que espalharam os tijolos são engenheiros.
4 - Os que tiverem arrumado os tijolos de maneira muito estranha, difícil de entender, coloque-os no Planejamento, Projeto e Implantação e Controle de Produção.
5 - Os que estiverem jogando tijolos uns nos outros, coloque-os em Operações.
6 - Os que estiverem dormindo, coloque-os na Segurança.
7 - Aqueles que picaram os tijolos em pedacinhos e estiverem tentando montá-los novamente, devem ir direto à Tecnologia da Informação.
8 - Os que estiverem sentados sem fazer nada ou batendo papo-furado, são dos Recursos Humanos.
9 - Os que disserem que fizeram de tudo para diminuir o estoque mas a concorrência está desleal e será preciso pensar em maiores facilidades, são vendedores natos.
10 - Os que já tiverem saído, são gerentes.
11 - Os que estiverem olhando pela janela com o olhar perdido no infinito, são os responsáveis pelo Planejamento Estratégico.
12 - Os que estiverem conversando entre si com as mãos no bolso demonstrando que nem sequer tocaram nos tijolos e jamais fariam isso, cumprimente os com muito respeito e coloque-os na Diretoria.
13 - Os que levantaram um muro e se esconderam atrás são do Departamento de Marketing.
14 - Os que afirmarem não estar vendo tijolo algum na sala, são do Departamento Jurídico.
15 - Os que reclamarem que os tijolos 'estão uma merda, sem identificação, sem padronização e com medidas erradas', coloque na Qualidade.
16 - Os que começarem a chamar os demais de 'companheiros' , elimine imediatamente antes que criem um sindicato e se tornem presidentes.
Obs.: Se você precisa contratar economistas, não será possível utilizar o mesmo método. Eles jamais iriam participar desta besteira.

O petróleo irá nos salvar?

O Ministério do Desenvolvimento listou nesta quarta-feira uma série de ações para atingir as metas de exportações fixadas pela Política Industrial do governo, lançada em maio deste ano.
Serão investidos R$ 34 bilhões até 2010 --na maior parte, recursos que já fazem parte de outros programas do governo, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a própria Política Industrial. A maior parte do dinheiro (R$ 21 bilhões) será destinada a aumentar a competitividade das exportações brasileiras por meio de investimentos em infra-estrutura exportadora e crédito para comércio exterior.
Claro que 34 bilhões é melhor que nada, como vinha acontecendo. Não quero aqui parecer cético, mas 34 bilhões deve ser mais ou menos o lucro da Petrobras nesse ano de 2010, em outras palavras, pelo tamanho e as necessidades do Brasil, é quase nada. Pra se ter uma idéia, pra se utilizar as mega-jazidas de petróleo, será preciso investir cerca de 900 bilhões de Reais, 900 em pouco mais de 8 MIL Km2, imaginem o que faz 34 em 8 MILHÕES de Km2, é uma espécie de "operação tapa buraco da infra-estrutura". Só a agricultura, que relativamente é menos importante que a indústria, terá 78 bilhões só nesse ano, e só em crédito, e isso que a infra-estrutura também é muito importante para a agricultura, então a indústria terá 34 bilhões em três anos, média de 11 bilhões por ano, e parte será em crédito, parte em investimento - que todos os setores utilizam.
Mas ainda temos esperanças, se o dinheiro que virá do petróleo nos próximos anos for bem investido, veremos algo diferente acontecer. Se esse dinheiro não for usado como instrumento político, se não servir para inflar o Estado de cargos públicos, se não for vítima de corrupções de todo gênero, se não for gasto em besteiras, se for usado para o básico, que é educação, infra-estrutura e diminuição de impostos, aí, senhoras e senhores, vamos concretizar um sonho. Para isso, será necessário um governo pragmático, um governo sério (esse que está aí não passa nem perto disso). Nessas condições, sim, o petróleo irá nos salvar.

Piada do dia

O deputado está discursando para a multidão, quando diz: "Nesse bolso nunca entrou dinheiro do povo". Um pervertido no meio do público não perde tempo: "Calça nova né?!"

Crescimento Econômico?

O aumento das importações influenciou a produção de eletrodomésticos, que caiu 3,7% em julho, na comparação com mês correspondente no ano passado. A produção da chamada linha marrom (TV, rádio e som) caiu 8,3% no período, e os produtos da linha branca (geladeira e fogão) apresentaram redução de 7,1%. O coordenador da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Silvio Sales, explicou que os indícios apontam para maior volume de compras desses produtos no mercado externo, já que os dados das vendas no comércio não indicam queda nas vendas ao consumidor. "As importações vêm crescendo, e podem estar influenciando o resultado do setor", admitiu.
Será que isso é o que o governo chama de "momento mágico da economia", pois eu tenho outra palavra para isso: Recessão. No Brasil será sempre assim, quando as commodities estão com um preço relativamente alto, então a economia cresce, quando o preço cai, é crise certa. Claro, porque não existe política industrial adequada, o Brasil vive de artigos primários, o verdadeiro crescimento econômico, aquele que traz desenvolvimento, aquele que é sustentável no longo prazo, não senhores, esse não existe no Brasil.

2 de set de 2008

Lá vem ele

Em meio à polêmica sobre a criação de uma nova estatal para administrar os recursos do pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou a Petrobras nesta terça-feira, durante a cerimônia que marcou o início da produção na camada pré-sal, no Espírito Santo. Lula ressaltou que a Petrobras é a "mãe da industrialização do país", e que mãe é única.
"A Petrobras, coitadinha, vai ser abandonada, já dizia o José Sérgio Gabrielli (presidente da estatal). E eu achava tudo inusitado, porque era como se eu acordasse um belo dia e dissesse "a minha mãe já não presta mais. Vou arrumar outra mãe'. Mas mãe é única. E a Petrobras é a mãe da industrialização desse país".
Realmente não dá pra confiar nas palavras do presidente. Cada semana ele chega com um discurso diferente, até alguns dias, era o maior defensor de uma nova estatal. Mas já não estamos mais dando muito crédito a esses discursos improvisados, prova disso: mesmo após suas inflamadas argumentações, as ações da Petrobras fecharam em baixa!

1 de set de 2008

Muito mais que um simples combustível

A fabricante de motores MWM apresentou nesta segunda-feira na Expointer 2008, feira de agropecuária e maquinário realizada no Estado do Rio Grande do Sul, um protótipo de motor para trator de roda movido a álcool e diesel. Segundo a empresa, o novo equipamento permite a substituição de até 60% do diesel pelo álcool sem perda de rendimento e com economia de 25% no combustível.
É assim que eu gosto: é hora de parar de se preocupar tanto em exportar álcool e encontrar bons usos para ele aqui no Brasil: Tratores, termelétricas (geração de energia elétrica), nas ferrovias, na navegação, na aviação, só para citar alguns exermplos. Isso cria um grande campo de pesquisa científica, garante demanda para o álcool, e consequentemente poderemos em pouco tempo exportar não só álcool, mas também a tecnologia necessária para utilizá-lo em larga escala em todo planeta.

Ritmo da construção preocupa indústria

A festejada retomada da construção civil -a mais forte e duradoura dos últimos 25 anos- começa a dar lugar a uma preocupação na indústria de material de construção. A demanda pode ocupar rapidamente a capacidade ainda disponível e seguir mais veloz do que o tempo necessário para expansões. A associação dos fabricantes de material de construção estima em 85% a ocupação atual, e diz que não suportará por muito tempo o crecimento da demanda no ritmo atual.
Mas eu vos digo: em qualquer lugar do mundo é possível ampliar a produção a uma velocidade maior que a demanda, simplesmente porque a indústria estabelecida já possui todo conhecimento técnico sobre o que faz. Basta ter dinheiro. Para construir um novo pavilhão, e colocar máquinário, não levaria mais que alguns meses. Pelo Brasil há diversos municípios que doam terreno e até isentam de IPTU por 20 anos ou mais, têm infra-estrutura, bons profissionais e adorariam receber uma indústria de tal porte em suas divisas. Não sei se a culpa maior é do governo, que não oferece crédito mais barato - e mais rápido, é bom que se diga - ou se é da própria indústria que se acomoda num bom momento; alguns industriais devem estar felizes até, afinal o preço vai subir, é a velha "lei" da oferta e da demanda, dizem.
Mas isso pode acarretar em algo muito perigoso: faltando material de construção, tendo-se então um preço relativamente alto, fica economicamente viável importar de outro país - inclusive o governo possivelmente deverá reduzir as alíquotas, como fez com o trigo, visando o controle da inflação - esse produto importado então, gradativamente ganhará espaço no mercado, caindo de preço ao passo em que ganha escala comercial, mais empresas começam a importar e se reduz a especulação momentânea. Não bastando isso, passado essa escassez de produção, a indústria nacional terá um novo grande concorrente, que por ser mais barato, acabará por, aos poucos, arruinar a produção dessa indústria brasileira. Não me surpreenderia se daqui a cinco anos eu tiver que postar um texto intitulado "Indústria da construção civil passa por maior crise da história".
Ou seja, quem não faz, vê ser feito.

Assim não presidente, o que vão pensar de nós?

"Só tô peocupado com uma coisa, é que é tão fundo, mas tão fundo, que daqui a pouco a Petrobras vai começar a puxar japonesinho". Presidente Lula, se referindo à profundidade dos poços de petróleo recentemente descobertos na costa brasileira. Dá pra acreditar?

Tem coisas que não mudam

O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, afirmou nesta segunda-feira que o país pretende dobrar o comércio entre o Brasil e o Reino Unido nos próximos cinco anos. Segundo ele, atualmente, o volume comercial entre os dois países estão em US$ 5,2 bilhões.
"Nós temos uma longa tradição de comércio com o Reino Unido", afirmou Jorge, lembrando acordo comerciais realizados há mais de 200 anos.
Sr. Miguel Jorge, não me fassa relembrar esses acordos com a Inglaterra, na História desse país, os acordos de 200 anos atrás são descritos como a maneira encontrada para tornar o país em questão (nesse caso, o Brasil), economicamente dependente da Inglaterra, que fornecia as manufaturas, enquanto a nação mais pobre fornecia a matéria-prima para sua indústria manufatureira, gerando crescimento e desenvolvimento lá, e estagnação e pobreza aqui.