10 de dez de 2008

Hino à morte de Vargas

          O Blog Economia Política Brasileira relembra um dos mais importantes hinos políticos do Brasil, que não se encontrava na Internet, mas agora está acessível ao povo e à história do Brasil. O Hino lembra com tristeza a morte de Getúlio Vargas (1954), e foi criado como voto de confiança em João Goulart (Jango) como herdeiro do legado de Vargas e como novo comandante do trabalhismo brasileiro. Confira abaixo:

Avante, avante, meus irmãos brasileiros.

Avante, avante, com muita garantia.

Marchemos firmes pela vitória,

Nesse nosso Brasil que em todos nós confia.

Marchemos sempre bem solutos,

Com bravura, confiança e alegria,

Tendo à nossa frente Jango,

Com a bandeira da democracia.

Getúlio partiu

Para além, mas deixou,

De sua bravura um herdeiro.

Marchemos com a força

Do legado heróico,

Lutar pelo povo brasileiro.

Trabalhistas avante,

Marchemos com Jango,

Esse soldado altaneiro,

O nosso heróico comandante,

Do trabalhismo brasileiro.

Getúlio partiu

Para além, mas deixou,

De sua bravura um herdeiro.

Marchemos com a força

Do legado heróico,

Lutar pelo povo brasileiro.

Trabalhistas avante,

Marchemos com Jango,

Desse soldado altaneiro,

O nosso heróico comandante,

Do trabalhismo brasileiro.

3 de dez de 2008

Keynes, um grande cretino

          Parece engraçado, nós que sempre partilhamos das idéias de Keynes, rotulá-lo de cretino. Pois bem, não é exatamente isso. A frase que intitula essa crônica é de um professor marxista da práxis  (que preservo o nome por questões pouco óbvias). De certa feita, o john_maynard_keynes_large ouvi dizer: “Keynes foi um cretino como todos os outros, mas ele foi  um grande cretino”. A frase, além de cômica, me chamou a atenção. Certamente existem raríssimos marxistas que desejam a continuidade do sistema capitalista, e como Keynes buscava a manutenção desse sistema, dizendo, inclusive, que “não acredita que nenhum outro sistema alternativo pode ser tão eficiente para o progresso da humanidade quanto o sistema capitalista”, então é muito provável que a quase totalidade dos marxistas considerem Keynes mais um “lacaio do capital” entre tantos economistas capitalistas da vertente ideológica que forem, mas percebe-se que mesmo esses marxistas reconhecem a grandeza de Keynes. Dizer que Keynes foi um “grande cretino”, vindo de um marxista, é, antes de insulto, um elogio.

          É possível os marxistas sintam certo rancor de Keynes, pois, não fosse por ele, possivelmente hoje viveríamos num modelo socialista – basta lembrar como o mundo estava abalado na época: a primeira Guerra Mundial (1914-1918), depois a Crise de 1929 e mais tarde a segunda Guerra Mundial (1939-1945), se fizermos uma somatórias desses emblemas, veremos desemprego em massa, fome, miséria, governos sem capacidade fiscal, e a inexistência de um modelo de qualidade que pudesse substituir o modelo de livre-comércio, enfim, um desespero total, que alastrava uma legião de revoluções pelo mundo, como a Revolução soviética em 1917, a ascensão de Hitler em 1933 (e o alastramento do fascismo em diversos países), e até a Revolução chinesa em 1949. É evidente que não fosse a genialidade de Keynes para constituir um modelo eficiente para racionalizar a maneira como a política econômica vinha sendo conduzida até o momento, não fossem as idéias keynesianas, o sistema capitalista teria entrado em colapso. E notem que, quando mais uma vez, nos dias atuais, o horripilante modelo de livre-mercado volta a ser dominante entre os governos e volta a causar a única coisa que pode advir de um modelo irracional, ou seja, a crise, percebam que novamente aparece Keynes para salvar a(s) pátria(s). Os marxistas respeitam Keynes porque ele soube ser racional, descreveu modelos de políticas econômicas eficazes e bem fundamentadas, e, antes de tudo, tinha como ele mesmo dizia, “a humildade dos dentistas” que até hoje falta a muitos dos nossos economistas.

          Bom, enfim, é uma pena que os governos costumam esquecer-se de Keynes quando as coisas vão bem, mas aí surge a crise, e, num passe de mágica, plim-plim, todos somos keynesianos (exceto os marxistas, claro). Menos mal, antes tarde do que nunca.