23 de dez de 2009

Nosso Norte, é o Sul!

Alguns aventureiros saídos do místico curso de Economia da UFSC estarão em viagem pela Amércica do Sul portando apenas leves e confortáveis mochilas. Eles compartilharão suas experiências neste blog:

http://trotamerica.wordpress.com/

Acompanhem!

7 de dez de 2009

O Processo de desnacionalização das empresas brasileiras

          A recente fusão entre Casas Bahia e o grupo Pão de Açúcar, controlador do Ponto Frio, é mais um capítulo de um gradual e perigoso processo: a desnacionalização das empresas brasileiras. É óbvio que tamanha operação – que cria um grupo de 40 bilhões de pão de açucar e casas bahia Reais – já estava sendo planejada há muito tempo, a compra do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar no início de junho é emblemático disso. O grupo Pão de Açúcar é conhecido por ser “a empresa da Família Diniz” desde que foi fundada no fim da década de 40, sendo hoje comandada por Abílio Diniz, que emitiu ações da empresa em 1995 na Bovespa, em 1997 em Nova York, mas foi em 2005 que o grupo Francês Casino adquiriu 50% do total de ações do Pão de Açúcar, sendo 34% com direito a voto, tendo assim a maioria dos votos; o contrato firmado com Abílio Diniz prevê ainda que a partir de 2012 os franceses passem definitivamente a comandar os negócios. Outros exemplos recentes marcantes do processo de desnacionalização são a compra da Garoto pela Nestlé e da Sadia pela Perdigão (que é controlada por um fundo de investimentos estrangeiro), que também já havia adquirido a Batavo entre outras empresas.

          Aponto três fenômenos como causas desse processo de desnacionalização:

          Por um lado, temos a tendência à centralização do capital. Ou seja, a concorrência entre as empresas em nível global e a existência de crédito são fatores propulsores de uma tendência natural no capitalismo que é a de as empresas se tornarem cada vez maiores. As empresas precisam crescer muito, fundirem suas operações e conquistar muitos sócios como requisitos para sua própria sobrevivência. No mundo atual é cada vez maior a quantidade de atividades em que é necessário um capital inicial muito grande para iniciar o negócio. Portanto o processo de desnacionalização pode ser entendido como um fenômeno que opera dentro dessa tendência à centralização. Concomitante a essa tendência temos a etapa superior do Capitalismo a que chamamos Imperialismo, onde as empresas dos países centrais precisam expandir suas operações para os países periféricos por conta da saturação dos mercados tradicionais, levando esses países a uma situação de dependência. A ação política e militar dos países centrais lançam esforços no sentido de garantir que não haja complicações para esse movimento.

          Em segundo lugar, o fato de os juros no Brasil serem drasticamente mais altos do que a média dos países desenvolvidos, leva a uma concorrência desleal daquelas empresas globais que conseguem juros baixos nos seus países, enquanto as nossas tem de pagar um preço muito alto pelo crédito. Não obstante, torna-se mais vantajoso para os brasileiros aplicar em fundos de investimentos do que investir no processo produtivo. Por exemplo, digamos que eu tenha um dinheiro e quero investi-lo, entretanto se eu aplicar numa indústria, não terei rentabilidade superior a 5% ao ano, aplico então em títulos da dívida pública que pagam 8% ao ano e em vez de contribuir para o crescimento do país, meu capital se torna improdutivo. Como mostrou Keynes, é necessário que a eficiência marginal do capital esteja acima da taxa de juros para que haja boas expectativas e, portanto, investimento.

          Um terceiro problema – esse é crucial – é a inexistência de instituições responsáveis por esse tipo de regulação além da falta de medidas governamentais efetivas para barrar o processo. O CADE, por exemplo, serve apenas para analisar a concentração de mercado, o nível de concorrência, mas não é de sua competência investigar o grau de internacionalização do capital. Os representantes do Pão de Açúcar e das Casas Bahia dizem estar tranqüilos em relação ao CADE, pois “serão apenas mil lojas, de vinte mil que existem no Brasil”, como ressaltou um deles - eles já sabem que a fusão será aprovada. Outros tipos de instituições que poderiam conter o processo de desnacionalização como controle de capitais, legislação tributária diferenciada para as empresas nacionais, também são inexistentes; apenas alguns setores específicos é que há legislação determinando a fatia máxima de participação estrangeira e mesmo esses vem sendo derrubados ao longo do tempo.

          Como faltam instituições, conter o processo de desnacionalização depende basicamente da boa vontade do governo, aí chegamos ao que ocorre no Brasil: ora há incentivo, ora há entreguismo. Vargas, Jango, Geisel e Itamar Franco são exemplos de governos mais comprometidos com o fortalecimento das empresas de capital nacional, a maioria dos governos, portanto, deixou a questão em segundo plano ou remaram contra a maré (em especial os governos Dutra, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Figueiredo, Collor e FHC). Esse vai e vem leva, em primeiro lugar a dificuldade de um novo governo reassumir a postura nacionalista (em grande parte também devido à estrutura internacional do imperialismo) e em segundo lugar falta de expectativa em relação ao futuro, sem falar na instabilidade monetária, fiscal, social e política. A solução, portanto, é que se estabeleçam instituições sólidas, eficientes, seguras e duradouras para preservar e fortalecer as empresas nacionais, requisito básico para a riqueza e soberania do Brasil.

15 de out de 2009

A Reforma Agrária e as Laranjas da Cutrale

          Nos últimos dias temos sido insistentemente informados pela mídia, em especial pela Globo e pela revista Veja, a respeito de um “crime” cometido por uma entidade “sem personalidade jurídica”, que invadiu uma “propriedade privada” que “gerava riquezas para o Brasil” via exportações e criação de empregos. Pois bem, a mesma mídia, que por sinal tem personalidade jurídica e responde judicialmente por seus crimes,  se esquece de dizer que as terras, supostamente da Cutrale, são, na verdade, públicas – foram griladas. Se esquece de dizer que os EUA e toda Europa já fizeram suas reformas agrárias no século XIX. Se esquece de dizer que o que realmente gera progresso para um país é, antes de tudo, o mercado interno. Se esquece de dizer que o grande latifúndio agroexportador é um mal crônico no Brasil e enquanto não for superado, será uma instituição mantenedora da nossa condição de país subdesenvolvido, exportador de bens primários, importador de bens manufaturados – ou seja, um país que não desenvolve suas forças produtivas nacionais (ver G.F. List “Sistema Nacional de Economia Política). Segundo o economista João Pedro Stélide, lider do MST, em entrevista à Folha de São Paulo, mais de 90% da produção da Cutrale, é destinada à exportação. A mídia colonizada se esquece de dizer que o modelo de pequena propriedade familiar é o modelo historicamente predominante nos países desenvolvidos, diferente do que ocorreu nos países da América Latina, desde o princípio escravovratas (ver Eric Williams “Capitalismo e Escravidão” e Sérgio Bagú “Economia de La Sociedad Colonial”). Mesmo no Brasil, onde houveram colônias de povoamento, como no Oeste do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a distribuição de renda é mais equitativa. O MST, ao destruir os pés de laranja, dá uma mensagem clara: não está interessado no agronegócio exportador, quer, isso sim, a pequena propriedade familiar, modelo imprescindível para a grandeza do Brasil.

          É obvio que o modelo de reforma agrária no Brasil é falido. No nordeste, por exemplo, o governo compra terras superfaturadas no árido sertão, coloca um assentado, que meses depois, pra não morrer de fome, se obriga a vender o arrame da cerca e migrar para a cidade a procura de um emprego. Dá-se a terra, mas não se dá as condições adequadas para produção. Pior ainda, coloca-se a pequena propriedade ao lado do grande latifundio – mais cedo ou mais tarde o latifúndio arrenda ou incorpora a pequena propriedade, é uma tendência natural à centralização do Capital (ver K. Marx “O Capital” – Tomo II - capítulo XXIII). A pequena propriedade precisa estar rodeada de outras pequenas propriedades, pois só assim se desenvolverá o espírito cooperativo entre as famílias produtoras, só assim é possível uma verdadeira ação governalmetal ou comunitária em prol da melhoria dos métodos de produção e comercialização dos produtos. Técnicos agrícolas e agrônomos auxiliando essas famílias, por exemplo, é algo indispensável. Há uma proposta muito interessante da Abimac (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), que visa incluir no ensino básico brasileiro uma disciplina denominada Técnicas Agrícolas. Estão aí alguns exemplos de ações que precisam ser incluídas no nosso modelo de reforma agrária.

          Na verdade, a Reforma Agrária está esquecida no Brasil há muito tempo. O MST tem um papel importante como movimento social contestatório desse desleixo. Não se pode culpar tal movimento pelos probemas que realmente ocorrem, como os campesinos que vendem as terras ganhas e voltam ao movimento, pois, como disse, isso é um problema do modelo brasileiro, que dá a terra, mas não dá as condições adequadas para o desenvolvimento produtivo dessas terras. Qualquer assentado que tenha no campo uma vida agradável, com condições adequadas de subsistência, jamais deixará sua terra. Não se trata apenas de distribuir terras, é preciso uma verdadeira revolução no campo.

16 de set de 2009

A Nova Lei de Educação da Venezuela

Enquanto por aqui muito se discute e nada se faz a respeito das reformas tributária e política, nosso vizinho dá mostras de que tem governo comprometido com seu país – num contínuo processo que lhes colocam muito a nossa frente, realizaram a reforma educacional e hoje (16/09/09) começa a valer a nova “Lei Orgânica de Educação” (LOE) da Venezuela.   

Tradução nossa. Original disponível em:

http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/57776-NN/con-nueva-ley-de-educacion-comienzan-las-clases-en-venezuela/

          A despeito da campanha contra a nova legislação, o presidente Hugo Chavez pediu aos professores, pais e à população em geral, que sejam promotores de uma educação formadora de valores que criem nas crianças e adolescentes um compromisso de luta e defesa da pátria.

          O mandatário venezuelano disse, durante a inauguração do Colégio Bolivariano “Cacique de Naiguata” no estado de Vargas (norte), que a nova lei é um instrumento que orienta para que as crianças e jovens estejam conscientes de quais são os grandes objetivos da educação no país.

          Assinalou que a LOE, em seu artigo 15 tem como fins “desenvolver potencial criativo de cada ser humano, para o pleno exercício de sua personalidade e cidadania em uma sociedade democrática [...] comprometida com os processos de transformação social.”

[...]

         O presidente venezuelano assegurou que, todavia, a Venezuela vive uma cultura colonial “onde só os filhos de ricos estudam. Os demais são a pura peble”.

[...]

          Chavez ressaltou que durante o ano de 1998, havia 65 mil docentes inscritos no Ministério da Educação, mas agora já somam 343 mil educadores. “Antes da Revolução tínhamos 44,3 alunos por professor e agora há 13”, assinalou.

          O governo Bolivariano realizou, dias antes do início das aulas, uma feira escolar para vender a preços solidários os materiais escolares, assim a população venezuelana economizou nos gastos.

          No mês passado, grupos de oposição expressaram que não acatariam a lei aprovada pela Assembléia Nacional da Venezuela (AN), pois dizem defender, assim como a Igreja Católica venezuelana, a educação provada frente à proposta de impulsionar um ensino público de qualidade para todos.

[...]

          O ministro da Educação Héctor Navarro, disse que a LOE pretende educar sobre a base da democracia, liberdade e história. “Os fundamentos da educação pretendidos pelo novo projeto em discussão são: a democracia, a liberdade, a herança libertadora e a história caribenha entre outros aspectos”. Da mesma forma, o ministro sustentou que a educação é para formar crenças patrióticas “por que lutar contra isso não tem sentido”.

          Por sua vez, a Comissão Venezuelana de Cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), opinou que a nova Lei de Educação venezuelana é um instrumento para a transformação do sistema educativo, dos princípios humanistas e da defesa dos direitos humanos nos âmbitos políticos, econômicos, culturais e ecológicos.

17 de ago de 2009

A Periferia precisa acordar pra (sua) realidade

          Só na América Latina e na África as grandes empresas combalidas pela crise econômica continuaram ligadas as suas antigas matrizes. Na Europa e na China por exemplo, a GM foi vendida a empresas locais. Na América Latina, em especial, que aos olhos do mundo pertence aos EUA, os lucros das transnacionais por hora são extraordinários graças a desoneração tributária anticíclica adotada pelos governos depois de chantagens do tipo “senão vamos ter que demitir”. Se alguém tinha alguma dúvida de que se deva adotar um eficaz controle de capitais, aliado a uma política monetária que vise a depreciação do câmbio, veja essa matéria da Folha (não tendenciosa), que mostra que desde setembro do ano passado as remessas de lucros aumentaram consideravelmente (no caso de empresas alimentícias, por exemplo, as remessas aumentaram em mais de 700%). É um processo calamitoso, histórico, forjado à custa do empobrecimento dos países periféricos, que agora fica muito mais visível e cuja solução é evidente e necessária. Leia:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u610490.shtml  

          Mas, sei que não é fácil. Getúlio tentou criar a famosa “lei dos lucros extraordinários”, que limitava a remessa de lucros, mas foi boicotado e atacado e a proposta foi barrada no Congresso. Jango novamente se emprenhou em aprová-la, teve até que dar explicações na ONU, e quando tudo paracia que iria dar certo, veio o golpe militar. É sempre assim, os interesses são demasiadamente grandes, por isso os governos evitam tocar no assunto. Mas não dá pra cruzar os braços e esperar surgir um governo com peito pra enfrentar o problema, o desgaste é tão grande que os políticos sempre preferem deixar tudo como está – o que falta é pressão popular, sobretudo da classe empresária nacional, que deveria revindicar essas questões para ganhar competitividade, evitar a tranferência de recursos nacionais, aumentar a capacidade nacional de investimento e, consequentemente, de poupança, que eleva o nível de financiamento e reduz os juros.

13 de ago de 2009

A volta do Imperialismo expansionista

          Diversos países ricos, principalmente aqueles com limitações territoriais, como Coréia do Sul e Japão, estão comprando ou arrendando terras em países pobres para garantir seu suprimento de alimentos e enviando colonos para ocupar essas áreas. O Brasil é um dos alvos. Veja a matéria:

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4560077,00.html

2 de ago de 2009

O maior dos crimes da ditadura militar

          Estava lendo e estudando o livro “A Nova Ciência das guerreiro ramosOrganizações”, de Alberto Guerreiro Ramos, reconhecidamente um dos mais brilhantes cientistas sociais que o mundo já teve. Guerreiro Ramos era brasileiro e foi deputado federal na década de 60, mas teve seu mandato cassado logo após o golpe militar em abril de 1964. Teve de se exilar nos EUA. O livro que citei, aliás, foi publicado originalmente em inglês. O brilhantismo da sua obra pode ser consultada por cada um a que interessar, e de veras recomendo fortemente aos estudantes de Economia, Administração e Sociologia. Por hora, o que quero ressaltar aqui é justamente o grave crime contra a pátria praticado pelos golpistas de 64, ao eximir do país homens do porte de Guerreiro Ramos que foram os maiores intelectuais que o país já teve, como por exemplo Darcy Ribeiro e Celso Furtado,Celso_Furtado este último até hoje é considerado nada menos que o maior economista brasileiro de todos os tempos. Os três primeiros atos institucionais do regime ditatorial e,  posteriormente, a operação Condor, simplismente acabaram com todos os que poderiam ter dado ao Brasil e seu povo a chance de terem um destino próprio, de superar seus males. O que restou no Brasil, em termos de política, foram mesquinhos nojentos corruptos. Os que realmente estavam preocupados em pensar o Brasil, em encontrar soluções para seus problemas e, o que é mais importante, comprometidos de fato com essas causas, foram obrigados a renunciar, o que imagino que para esses tenha sido algo muito semelhante a renunciar a sua própria vida. Se hoje no Brasil reina a corrupção e tudo mais de pobre que há, não tenha dúvida que os 25 anos de ditadura foi, não uma das causas, mas a causa disso. Não houve bons governos durante a ditadura porque isso seria impossível em tal meio corrompido, por tal tivemos apenas governos relativamente bons, como o do General Geisel que foi bom apenas se comparado aos outros governos do mesmo regime, mas não pôde ser bom na sua plenitude exatamente pelas causas que já apontei.

          Na década de 80 muitos daqueles poucos que sobreviveram puderam voltar ao país com a lei de Anistia, como Leonel Brizola. Infelizmente, uma maçã saudável não consegue melhorar muito um cesto cheio de maçãs pobres. A esperança é que com o decorrer do tempo, as bases corruptas herdadas do regime militar caiam aos poucos até que possamos ter um novo estado de coisas na política nacional. Infelizmente por vezes atrasamos esse processo de limpeza política ao eleger aqueles que estiveram na base de apoio à ditadura como o ex-presidente Fernado Collor ou aqueles que se cooligaram com os mesmos como Fernando Henrique Cardoso, e não fosse o bastante, quando assume aqueles que imagnávamos que pudessem fazer alguma coisa, nos decepcionam. Me agoniza a lentidão desse processo de renovação. Quanto tempo darcy-ribeiroteremos que esperar para ter novamente grandes personalidades como Darcy Ribeiro, Guerreiro Ramos e Celso Furtado esboçando verdadeiras políticas de desenvolvimento para o país? Por isso entendo hoje que o maior de todos os crimes da ditadura militar, mais que a repressão, mais que as torturas, mais que o endividamento do país, mais que qualquer outro, foi exatamente tirar de nós aquele que certamente teria sido o mais espetacular momento da nossa história, convertendo-o no mais trágico.

31 de mai de 2009

Por que Florianópolis não será sede

prais floripa           Nenhuma cidade no Brasil poderia ser tão benefiada por sediar um jogo da Copa do Mundo quanto Florianópolis. É a cidade com o maior potencial turístico inexplorado do país, onde ao mesmo tempo sobra exuberância natural e faltam turistas, falta infra-estrutura, falta capital para investir. A Copa do Mundo funcionaria como uma publicidade eficaz e, sobretudo, barata – mostrar-se-ia ao mundo, aos turistas e aos investidores todo seu potencial adormecido. O investimento para construção de um Estádio adequado, pontes, túneis, aeroporto, porto turístico, metrô, hoteis, resorts, parques, reforma urbana, etc., todo esse investimento compensaria com muito lucro para a cidade como em nenhum outro lugar desse país.

          Infelizmente, a idiotice administrativa falou mais alto. Preocupados com as próximas eleições, não investiram de forma adequada nos projetos, não houve planejamento. Não sei se “dormiram no ponto” seria a expressão mais adequada, ou seria “prevaleceram interesses alheios aos do povo” – fico mais com essa última. Hoje tivemos a prova de que quando não há vontade política, perde-se oportunidades e quem perde, é sempre o povo.

          O turismo é a principal atividade econômica atualmente. O turismo gera emprego, distribuição de renda, aumento de salários, enfim, era uma oportunidade única na história que foi ignorada pelos maus administradores públicos.  Florianópolis teve a chance de atrair investimento como nunca – essas oportunidades não voltam mais.

          Muitos podem pensar que por ser mais pequena que suas concorrentes, talvez fosse mais difícil para Florianópolis conseguir a indicação da Fifa. A essa idéia obsoleta, respondo que há experiências históricas que porvam o contrário: para a Copa na Alemanha em 2006, a pequena Kaiserslautern, com cerca de 100 mil habitantes, venceu a disputa com grandes cidades como Baden-Baden e Dresden.

          Florianópolis demorou muito para começar a se preparar, e apresentou projetos ruins, feitos em cima do laço, como um horrível metrô de superfície e um porto turístico em outra cidade e sem acesso. A maioria dos hotéis estão na Ilha, enquanto o estádio seria construído no continente, tudo certo não fosse a evidência de que só há uma ponte de acesso à Ilha que vive congestionada. O aeroporto seria ampliado, porém sua ampliação sequer atingiria capacidade para suprir a demanda atual, quem dirá em 2014. Nada foi pensado no sentido de melhorar a mobilidade urbana, nem de melhorar o fornecimento de água e esgoto, que é péssimo. A única obra adequada foi feita pelo governo federal: uma substação energética para evitar novos apagões na Ilha como o de 2003. Nem passou pela cabeça dos organizadores um plano para recuperar os balneários, construir novos resorts, parques aquáticos ou coisas do gênero, o que, embora não contasse para a avaliação da Fifa, seriam obras cruciais para aproveitar melhor a demanda turística após o evento.

          Há alguns séculos um tal de Bernard de Mandeville disse que todos os vícios privados geram benefícios públicos. Hoje pudemos ver que essa afirmação merece alguma limitação. O vício privado da aplicação do capital onde é mais vantajoso, onde poderia-se auferir ganhos como no financiamento de projetos turísticos em Florianópolis, certamente geraria benefícios para a cidade. Mas, o vício privado de sacrificar a sociedade para continuar no poder, garantindo assim a continuidade dos seus privilégios e dos seus cartórios, isso sim não pode de forma alguma gerar benefícios públicos, pelo contrário. Dizem que os estadistas pensam no futuro da nação, mas um simples político pensa na próxima eleição – percebo agora por qual dessas duas classes estamos sendo governados.

21 de abr de 2009

217 Anos

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O que houve com Tancredo?

Esta é uma pergunta que para mim ainda não tem resposta. Hoje é o aniversário da sua morte, que aconteceu pouco antes da hora programada para sua posse em 21 de Abril de 1985. Uma morte muito estranha, que já teve pelo menos duas versões diferentes contada pelos médicos que cuidaram de Tancredo.

Não obstante, o garçom que cuidava de Tancredo, João Rosa, morreu um dia depois, de forma bastante parecida. Ambos tiveram hemorragias repentinas, e tiveram de ser internados às pressas. Ambos estavam com bactérias muito resistentes e incomuns alojadas no corpo.tancredo_neves

Tancredo Neves era um bom homem. Sábio, firme e serene, tinha todas as qualidades para fazer um governo sem par na história brasileira. Era apoiado por grandes nacionalistas como Leonel Brizola, além da ávida afinidade com a tradição do maior estadista da nossa história: Getúlio Vargas. Tancredo era uma grande esperança para todo povo brasileiro.

Já se sabe que Paulo Maluf, candidato do PDS na época (representava a continuidade da ditadura) tentava articular um golpe contra Tancredo. No programa Roda Viva da TV Cultura, o general Newton Cruz falou que foi procurado em outubro de 1984, quando era comandante militar do Planalto, por Paulo Maluf, que propôs um golpe militar contra Tancredo, assegurando que seu adversário estava gravemente doente. Sabe-se inclusive, que a base de apoio de Tancredo já arquitetava a resistência contra um possível golpe. E ainda, descobriu-se que os próprios militares haviam pendurado no Palácio do Planalto faixas com o símbolo do Partido Comunista (na época ilegal) escrito “chegaremos lá” – estratégia para justificar um golpe contra Tancredo. Como era evidente que nas condições da época, um novo golpe não teria sucesso, a forma mais fácil era envenenar (ou, se preferir, infectar) Tancredo.

Outra suspeita: o apoio de Antônio Carlos Magalhães para Tancredo, é algo difícil de admitir. Um dos maiores coronéis da ditadura, apoiava o candidato oponente? Muito estranho. Sem falar do apoio do abominável Roberto Marinho! Sem comentários. Mas tudo parece se encaixar quando aparece a figura do vice-presidente, que por sinal acabou assumindo a presidência: José Sarney, mais um coronel dicidente da ditadura. Dizem as más línguas que certo dia Sarney foi visitar Tancredo no hospital, e lhe perguntou: “o que posso fazer para ajudar?” Tancredo teria respondido: “pode começar tirando o pé da mangueirinha de Oxigênio”. Piadas de mal gosto à parte, o que se sabe é que Sarney não executou nenhuma das propostas da campanha de Tancredo.

Embora tarde, é importante que se faça uma minunciosa investigação. Há que se apurar os fatos e abrir os documentos secretos da ditadura. Se é que esses documentos ainda existem. Não só a morte de Tancredo, mas de Jango, de Juscelino, entre outras ocorridas no período militar têm explicações muito parciais e para o bem da história devem ser abstraídas.

20 de abr de 2009

É hora de reforma!

          Depois de 45 anos desde o grande golpe estadunidense contra as reforormas no Brasil (abril de 1964), este é o momento mais oportuno para que se revertam essas pendências históricas. Não há país desenvolvido no mundo que não tenha realizado as reformas clássicas, como é, por exemplo, a Reforma urbana, tributária, política, administrativa, fiscal, trabalhista e agrária. Elas são imprescindíveis para que o Brasil alcance um desenvolvimento sólido e sustentával e para melhorar o padrão a qualidade de vida do povo brasileiro. Sem as reformas, jamais resolveremos nossos problemas sociais. Até porque, a cada ano que passa se torra mais e mais dinheiro público para tentar minimizar problemas que se rosolveriam absolutamente com as reformas, coisa que, aliás, gerou impostos incompatíveis para um adequado desenvolvimento econômico nacional.

13 de mar de 2009

A Fábula das Abelhas, de Bernard Mandeville

          Segue abaixo, um dos mais polêmios poemas da história. Uma obra de vital importância dentro do contexto da Economia Clássica, tendo sido comentada, inclusive, por Adam Smith. Dentro de algum tempo, também estaremos postando aqui nosso comentário. Aguardem!

Uma grande colméia, repleta de abelhas,
Que viviam com luxo e comodidade,
Porém eram tão famosas por leis e armas
Quanto por copiosos e precoces enxames,
Era tida como o grande berço
Das ciências e da indústria.
Não havia abelhas que possuíssem governo melhor,
Maior volubilidade ou menos contentamento;
Não eram escravas da tirania,
Nem governadas pela desenfreada Democracia,
E sim por reis, que não podiam errar,
Pois seu poder era restrito por leis.

Esses insetos viviam como os homens,
E todas as nossas ações executavam em miniaturas;
Faziam tudo o que se faz na cidade,
E o que é da alçada da espada ou toga,
Embora os trabalhos engenhosos dos membros minúsculos
De tão ligeiros escapassem à vista humana.
Entretanto, não temos máquinas, trabalhadores,
Navios, Castelos, armas, artífices,
Ofício, ciência, loja ou instrumento
Para os quais não possuíssem equivalente;
Estes, sendo sua língua desconhecida,
Devem ser chamados com os nomes que damos aos nossos.

Como concessão, entre outras coisas,
Queriam dados, mas tinham reis,
E estes tinham guardas, do que se pode, acertadamente,
Concluir que algum jogo havia,
A menos que exista um regimento
De soldados que não pratique nenhum.
Grandes números abarrotavam a fértil colméia,
Porém essa multidão fazia com que prosperassem;

Milhões empenhavam-se em satisfazer
Mutuamente sua cupidez e vaidade,
Enquanto outros milhões labutavam
Para ver destruídas suas obras.
Abasteciam metade do universo,
Porém tinham mais trabalho que trabalhadores.
Alguns, com grande capital e pouco esforço,
Lançavam-se a negócios de fabulosos lucros;
Outros estavam condenados à foice e à espada,
E a todos esses árduos e cansativos ofícios
Nos quais, voluntariamente, desgraçados suam dia após dia,
Esgotando as forças e os membros para poderem comer,

Enquanto outros se dedicavam a mistérios
Aos quais poucos encaminhavam aprendizes,
Que não requeriam outro cabedal senão o descaramento,
E podiam estabelecer-se sem um centavo sequer,
Como trapaceiros, parasitas, gigolôs, jogadores,
Punguistas, falsários, charlatães, adivinhos
E todos os que, inimigos
Do trabalho honesto, astuciosamente
Convertiam em seu próprio benefício
O trabalho do afável e incauto próximo.

A esses chamavam velhacos, mas exceto pelo nome,
Os austeros industriosos eram iguais;
Todos os negócios e cargos tinham algo de desonesto,
Nenhuma profissão era isenta de embustes.

Os advogados, cuja arte tinha por base
Suscitar contendas e dividir causas,
Opunham-se a todos os registros, pois as trapaças
Poderiam dar mais trabalho com propriedades hipotecadas,
Como se fosse ilegal que o patrimônio de alguém
Fosse conhecido sem uma ação judicial.
Postergavam deliberadamente as audiências,
Para embolsar polpudos honorários,
E, para defender uma causa iníqua,
Examinavam e observavam as leis,
Como ladrões que espreitam lojas e casas
Para descobrir qual o seu ponto fraco.

Médicos valorizavam fama e riqueza
Acima da saúde dos depauperados pacientes
Ou de sua própria habilidade; a maior parte estudava,
Em vez de as regras da arte,
Olhares graves e pensativos e atitudes apáticas,
Para ganhar a simpatia do boticário
E elogios das parteiras, sacerdotes
E todos os que lidavam com nascimentos e funerais,
Suportar a incessante tagarelice da tribo,
E ouvir a tia da dona da casa prescrever,
Com um sorriso afetado e um cortês “como vai?”
Para bajular toda a família
E, o que é o pior de todos os tormentos,
Agüentar a impertinência das enfermeiras.

Entre os muitos sacerdotes de Júpiter,
Contratados para invocar as bênçãos do céu,
Alguns havia sábios e eloqüentes,
Mas milhares lascivos e ignorantes;
Contudo, todos preenchiam os requisitos que podiam ocultar
Sua preguiça, luxúria, avareza e orgulho,
Pelos quais eram tão famosos quanto alfaiates
Por sonegar retalhos e marinheiros por rum.
Alguns, magros e pobremente vestidos,
Rezavam misticamente por pão,
Com isso querendo dizer uma farta despensa,
Contudo, literalmente, não recebiam nada além.
E, enquanto esses santos labutadores passavam fome,
Alguns preguiçosos a quem serviam
Abandonavam-se ao ócio, com todas as graças
Da saúde e da fartura nas faces.

Os soldados, que eram forçados a lutar,
Se sobrevivessem, auferiam honrarias,
Embora alguns, que se esquivavam de brigas sangrentas,
Houvessem sido feridos na fuga.
Alguns generais valentes combatiam os inimigos,
Outros aceitavam suborno para deixa-los escapar;
Alguns aventuravam-se sempre onde a luta era mais renhida,
Perdiam ora uma perna, ora um braço,
Até que, totalmente inválidos, eram postos de lado,
E viviam com a metade do soldo,
Enquanto outros nunca apareciam no campo de batalha,
E ficavam em casa recebendo em dobro.

Seus reis eram servidos, porém astutamente
Logrados pelo seu próprio ministério;
Muitos, que pelo seu bem-estar arduamente trabalhavam,
Roubavam a própria coroa a quem salvavam;
As pensões eram pequenas, e eles viviam à larga,
Porém jactavam-se de sua honestidade,
Chamando, sempre que extrapolavam seus direitos,
Gratificação a seu logro matreiro;
E, quando entendiam seu jargão,
Mudavam o nome para emolumento,
Relutantes em ser concisos ou explícitos
Com tudo o que se referisse a ganhos;
Pois não havia abelha que não quisesse
Ganhar mais, não direi, do que merecia,
Porém do que ousava permitir que soubessem
Aqueles que lhes pagavam, como jogadores
Que, embora jogando limpo, nunca revelam
Aos perdedores o quanto ganharam.

Mas quem pode enumerar todas as suas fraudes?
O próprio material que na rua
Vendiam como esterco para enriquecer o solo,
Freqüentemente, como descobria o comprador,
Era sofisticado com um quarto
De pedras e argamassa imprestáveis,
Embora pouca razão tivesse para queixar-se
Aquele que também vendia gato por lebre.

A própria Justiça, célebre pela equanimidade
Embora cega não perdera o tato;
Sua mão esquerda, que deveria sustentar a balança,
Deixara-a muitas vezes pender, subornada com ouro;
E, conquanto parecesse imparcial,
Quando se tratava de punição corporal,
Alardeava seguir curso regular
Em assassinatos e todos os crimes violentos,
Porém alguns, primeiro mandados ao pelourinho por desonestidade,
Eram enforcados na própria corda com que haviam sido açoitados.
Contudo, pensava-se, a espada que ela empunhava
Reprimia apenas os pobres e desesperados
Que, impelidos por mera necessidade,
Eram amarrados à árvore dos desgraçados
Por crimes que não mereciam tal destino,
Senão para proteger os ricos e poderosos.

Assim, o vício imperava em cada parte,
Embora o todo fosse um paraíso;
Incensados na paz, temidos na guerra,
Tinham o respeito dos estrangeiros,
E, na abundância de riqueza e vidas,
Eram a força preponderante entre todas as colméias.
Tais eram as bênçãos daquele estado
Que seus crimes conspiravam para torna-lo grandioso;
E a virtude, que com a política
Aprendera milhares de artifícios sutis,
Tornara-se, pela feliz influência,
Amiga do vício, e desde então
O pior elemento em toda a multidão
Fazia algo para o bem comum.
Era essa a estatística que regia
O todo, do qual cada parte reclamava;
Isso, como na harmonia musical,
Conciliava as dissonâncias no geral.
Grupos diretamente opostos
Ajudavam-se mutuamente, como por perversidade,
E a temperança e a sobriedade
Serviam à embriaguez e à gula.

A avareza, raiz do mal,
Esse maldito, perverso, pernicioso vício,
Era escrava da prodigalidade,
O pecado nobre; enquanto o luxo
Empregava um milhão de pobres,
E o orgulho odioso, mais um milhão.
A própria inveja e a vaidade
Eram ministros da indústria;
Sua extravagância predileta, a volubilidade
No comer, vestir-se e mobiliar,
Tornara-se, vício estranho e ridículo,
A própria roda que movia os negócios.
Suas leis e seus trajes eram, igualmente,
Coisas mudáveis,
Pois, o que em certo momento era bem visto,
Meio ano depois tornava-se crime.
Entretanto, enquanto assim alteravam suas leis,
Sempre encontrando e corrigindo imperfeições,
Através da inconstância reparavam falhas
Que a prudência não poderia prever.

Assim, o vício fomentava a engenhosidade
Que, unida ao tempo e ao trabalho,
Propiciava as comodidades da vida,
Seus verdadeiros prazeres, confortos e facilidades,
A tal ponto que mesmos os pobres
Viviam melhor que os ricos de outrora,
E nada mais havia a acrescentar-se.

Como é vã a felicidade dos mortais!
Tivessem eles noção dos limites da bem-aventurança,
E de que a perfeição, cá embaixo,
Está acima do que os deuses podem conceder,
E os queixosos animais ter-se-iam contentado
Com ministros e governo.
Porém eles, a cada sobrevento,
Como criaturas irremediavelmente perdidas,
Maldiziam os políticos, o exército, as frotas,
Enquanto cada um gritava “Abaixo os desonestos!”,
Apesar de cônscio dos próprios defeitos,
Dos demais, barbaramente, não tolerava nenhum.

Um, que conseguira patrimônio principesco
Enganando o patrão, o rei e os pobres,
Atrevia-se a bradar “Que a terra pereça
Por todas as suas fraudes!”; e quem pensais”
Que o patife pregador do sermão censurava?
A um luveiro, que vendera couro grosseiro por pelica!

A menor coisa feita incorretamente,
Ou que obstasse aos negócios públicos,
E já todos os velhacos gritavam disfarçadamente:
“Oh, Deus! Se ao menos houvesse honestidade!”
Mercúrio sorria ante a imprudência,
E outros chamavam-na falta de senso,
Sempre a protestar contra o que amavam.
Porém, Júpiter, cheio de indignação,
Finalmente, irritado, jurou livrar
Da fraude a vociferante colméia. E assim o fez.
No mesmo momento, ela se foi
E a honestidade encheu seus corações;
Revelaram-se-lhes, como na árvore do conhecimento,
Os crimes dos quais se envergonharam,
E que então, em silêncio, confessaram,
Enrubescendo ante sua torpeza,
Como crianças que, desejando esconder suas faltas,
Pela cor denunciam os pensamentos,
Imaginando, ao serem olhados,
Que os outros vêem o que fizeram.

Porém, oh deuses! Que consternação!
Quão grande e súbita foi a alteração!
Em meia hora, no país inteiro,
A carne caiu um pêni por libra;
A máscara da hipocrisia despencou,
Do grande estadista ao palhaço;
E alguns, tão conhecidos pela aparência afetada,
Pareceram estranhos com a sua natural.

O tribunal ficou silencioso a partir de então,
Pois agora os devedores, voluntariamente, pagavam
Mesmo o que os credores haviam esquecido,
E estes desobrigavam os que não podiam saldar as dívidas.
Os que estavam sem razão calaram-se
E desistiram dos esfarrapados e vexatórios processos,
Com o que, já que ninguém prospera menos
Do que advogados em uma colméia honesta,
Todos, exceto os que tinham grandes posses,
Partiram, levando consigo seus tinteiros.

A justiça enforcou alguns, outros libertou,
E, após esvaziarem-se as prisões,
Não mais sendo necessária sua presença,
Retirou-se com todo o seu cortejo e pompa.
Na vanguarda marcharam ferreiros, com cadeados e grades,
Grilhões e portas com chapas de ferro;
A seguir, carcereiros, guardas e ajudantes;
Á frente da deusa, a alguma distância,
Seu fiel ministro principal,
Dom Algoz, o grande executor da lei,
Empunhando não a espada imaginária,
Mas seus próprios instrumentos, o machado e a corda;
Então, em uma nuvem, a bela de olhos vendados:
A justiça em pessoa, impelida pelo ar;
Em volta de sua carruagem, e na retaguarda,
Seguiram sargentos, esbirros de todas a espécie,
Beleguins e todos aqueles funcionários
Que das lágrimas arrancam seu sustento.

Embora vivesse a medicina enquanto houvesse doentes,
Ninguém prescrevia senão abelhas habilitadas,
As quais dispersaram-se tanto pela colméia
Que nenhuma precisava de condução;
Deixaram de lado controvérsias inúteis e esforçaram-se
Por livrar os pacientes do sofrimento;
Abandonaram as drogas produzidas em países desonestos
E usaram os produtos da sua própria terra,
Sabendo que os deuses não mandam doenças
A nações sem remédios.

O clero despertou da preguiça;
Não mais delegaram suas incumbências às abelhas auxiliares;
Isentos de vício, serviram pessoalmente
Aos deuses, com oração e sacrifício.
Todos os que eram inaptos, ou sabiam
Serem dispensáveis seus serviços, retiraram-se;
Nem havia trabalho para tantos
(se é que os honestos precisam de algum).
Somente uns poucos permaneceram com o sumo-sacerdote,
A quem os demais juraram obediência;
Ele próprio ocupou-se de assuntos divinos,
Cedendo a outro os negócios de estado.
Não escorraçou de sua porta nenhum faminto,
Nem roubou aos pobres seu salário;
Em sua casa os esfomeados foram alimentados,
Os subordinados tiveram pão sem restrições,
E os viajantes necessitados, cama e comida.

Entre os grandes ministros do rei
E todos os administradores subalternos
A mudança foi grande pois, frugalmente,
Passaram a viver de seu salário.
Que uma abelha pobre viesse dez vezes
Pedir o que lhe era devido, uma quantia irrisória,
E por um escrivão bem pago fosse obrigada
A dar algo por fora ou nunca receber,
Seria agora considerado absoluta desonestidade,
Embora antes fosse prerrogativa.
Todos os lugares, antes administrados por três,
Que vigiavam mutuamente suas velhacarias,
E muitas vezes, por camaradagem,
Promoviam os roubos uns dos outros,
Felizmente passaram a ser geridos por um só;
Com isso, foram-se outros milhares.

Nenhuma honra agora poderia satisfazer-se
Em viver devendo pelo que gastava;
Librés ficaram expostas em lojas de penhores,
Desfizeram-se de carruagens por uma pechincha,
Venderam cavalos magníficos às parelhas,
E casas de campo para saldar dívidas.

Evitou-se o gasto inútil tanto quanto a fraude;
Não mais mantiveram exércitos no exterior;
Riram-se da estima dos estrangeiros
E das glórias vãs conseguidas com guerras;
Lutaram, mas pelo bem da pátria,
Quando o direito e a liberdade estavam em jogo.

Olhai agora a gloriosa colméia e vede
Como se conciliam honestidade e negócios:
O espetáculo terminou; esvaiu-se rapidamente,
E apresentou-se com face bastante diversa,
Pois não só foram-se aqueles
Que somas vultosas gastavam anualmente,
Mas multidões, que neles tinham seu ganha-pão,
Foram diariamente forçadas a fazer o mesmo;
Inutilmente buscara outros ofícios,
Pois estavam todos superlotados.
Caiu o preço da terra e das casas;
Palácios maravilhosos, cujos muros,
Como os de Tebas, foram feitos para o espetáculo.
Puseram-se para alugar, enquanto os outrora garridos,
Bem estabelecidos deuses domésticos ficariam
Mais satisfeitos em morrer no fogo do que ver
A modesta inscrição na porta
Sorrir das soberbas que eles exibiam.
A construção civil foi aniquilada,
Não se empregaram mais artífices,
Nenhum pintor ganhou fama por sua arte,
Canteiros e entalhadores não se tornaram conhecidos.

Os que permaneceram tornaram-se moderados,
Esforçaram-se não para gastar, mas para viver,
E, tendo pago a conta da taverna,
Resolveram lá não mais entrar.
Nenhuma ex-noiva de taverneiro em toda a colméia
Pôde, então, usar tecidos de ouro e prosperar,
Nem perdulários adiantar tão grandes quantias
Para borgonhas e verdascos.
Foi-se o cortesão que com sua querida,
Diariamente ali jantava um banquete de natal,
Gastando, em duas horas de estada,
O que sustentaria o dia todo uma tropa de cavalaria.

O arrogante Cloé, que para viver à grande,
Fizera seu marido roubar ao Estado,
Agora, contudo, vendeu sua mobília,
Que fora saqueada nas Índias,
Reduziu o dispendioso cardápio,
E usou um ano inteiro os mesmo trajes duráveis:
A era da futilidade e do capricho passou,
E as roupas, bem como as modas, permaneceram.
Tecelões que produziam ricos brocados
E todos os ofícios subordinados
Extinguiram-se. Ainda reinava a paz e a abundância,
E tudo era barato, porém simples.
A bondosa Natureza, livre do jugo dos jardineiros,
Concedia todos os frutos no seu próprio tempo;
Contudo, raridades não se podia mais obter
Quando os esforços para consegui-las não eram pagos.

À medida que minguaram orgulho e luxo,
Gradativamente deixaram os mares,
Agora não os mercadores, mas companhias.
Fecharam fábricas inteiras.
Todas as artes e ofícios foram abandonados.
O contentamento, ruína da indústria,
Fê-lo apreciar seu estoque caseiro
E não buscar nem cobiçar mais.

Assim, poucos permaneceram na vasta colméia;
Não puderam manter nem a centésima parte
Contra as afrontas dos numerosos inimigos,
A quem, valentemente, enfrentavam,
Até encontrar algum refúgio bastante fortificado,
Onde morriam ou defendiam seu território.
Não houve mercenários em seu exército;
Bravamente, lutaram eles próprios.
Sua coragem e integridade
Foram finalmente coroadas com a vitória.
Triunfaram, porém não sem custo,
Pois milhares de abelhas pereceram.
Calejadas dos árduos trabalhos e exercícios,
Consideraram vicio a própria comodidade,
O que aperfeiçoou de tal modo sua moderação.
Que, para evitar extravagâncias,
Voaram para uma árvore oca,
Abençoadas com satisfação e honestidade.

9 de mar de 2009

O assalto histórico ao sonho de Brasil

          Márcio Pochmann, economista, presidente do Ipea, disse recentemente que, segundo estudos realizados no Instituto, se o Brasil tivesse mantido política econômica do governo Vargas, hoje seria a 3ª maior economia do mundo, logo atrás dos EUA e Japão e à frente da Alemanha. “O Brasil foi o segundo país do mundo que mais cresceu no período compreendido de 1890 a 1980. Esse crescimento produtivo nos retirou da posição de sermos a 56ª economia do mundo para, em 1980, nos tornarmos a oitava. E isso foi feito pela persistência e a disciplina dos que nos antecederam, que possuíam uma visão do Brasil”, explicou.

          A Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, encaminhou conjuntamente o Brasil a construir uma nova ideologia que tinha por meta superar o Brasil rural, empreender o desenvolvimento nacional e expandir o mercado interno. “Foi uma trajetória de sucesso, do ponto de vista da expansão das bases materiais da economia nacional. Evidentemente, vieram também os problemas, porque o país não fez as reformas clássicas do capitalismo, como a reforma agrária, a reforma tributária e a reforma urbana”, complementou Pochmann.

20071107_brasilia_ipea_marcio_pochmann_590          Lembra que, por não ter feito também essas reformas, o Brasil continua sendo um país onde os ricos pagam, proporcionalmente, quase 60% a menos em impostos do que a classe mais pobre e que ainda não fez as reformas do bem-estar social. “Alguns segmentos foram muito mais privilegiados do que outros”, reconheceu. No entanto, Pochmann calcula, baseado nos estudos que fez, que se tivesse sido mantida a mesma política econômica da Era Vargas, hoje o Brasil, com uma carga tributária bem menor, de 22% do produto interno bruto (PIB), teria uma receita três vezes maior do que a que hoje arrecada, com uma carga tributária de quase 40% do PIB. Além disso, ele sustenta que, mantida a linha varguista, o Brasil poderia ter agora de 80 a 90% dos trabalhadores sob a proteção da CLT, enquanto que hoje tem apenas um terço dos trabalhadores sob esta condição, também nascida na Era Vargas. A essa altura da entrevista, Pochmann lembrou Celso Furtado e citou o economista já falecido, que em 2004 afirmou que “nunca estivemos tão longe de ser o país que poderíamos ser”.

          Para Pochmann, “se não traçarmos uma estratégia clara e competente, mais dia ou menos dia seremos inapelavelmente internacionalizados”, lembrando que o exemplo da Vale do Rio Doce, criada como empresa estatal na Era Vargas, deve ser considerado para que, como país, revisemos nossos modelos. O presidente do Ipea concorda que momentos de crise mundial podem também representar oportunidades para que países com grande potencial de crescimento, caso do Brasil, reposicionem-se política e estrategicamente, e aproveitem as crises para crescer. “Foi o que fizemos na crise capitalista de 1929, pois a revolução de 30 representou uma inversão de políticas estratégicas, priorizando o desenvolvimento nacional e deslanchando o mercado interno”, recupera.

           O mesmo exemplo teria ocorrido na crise do petróleo, em 1973, quando o Brasil elaborou o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e, no mesmo período constituiu o Pró-Álcool. “Na crise atual, também há oportunidade para o Brasil se colocar”, ressaltando que, agora, no segundo governo Lula, está sendo reorganizada uma maioria política para dar sustentação à elaboração de um pensamento estratégico de longo prazo.

          Pochmann apontou a crise da dívida externa em 1980 – imposta pela oligarquia financeira mundial – como o fator político determinante para a desconstrução daquela maioria política desenvolvimentista organizada pela Revolução de 1930, quando a prioridade da política econômica passa a ser o controle da inflação.

          “O Brasil dos anos de 1970 e 1980 tinha um modelo de desenvolvimento baseado nas empresas estatais que produziam tecnologia. Era um tripé: o capital externo, o capital nacional e o setor produtivo estatal. Mas o capital externo não trouxe produção de conhecimento, isto foi feito no setor estatal. Petrobras, Telebrás, Mineração, Vale do Rio Doce, tudo vem da visão estratégica montada lá atrás, na Era Vargas”, destacou.

         Com a crise da dívida externa nos anos de 1980, surge a visão equivocada que tem como lema “quanto menos Estado, maior seria o setor privado”. “Nada disso aconteceu. A redução do Estado resultou em menor setor privado nacional, a saída do Estado expandiu o capital externo”, avalia, lembrando que as 500 maiores empresas que atuavam no Brasil em 1980 eram dois terços de empresas nacionais privadas ou estatais, uma situação que hoje se modificou para apenas 50% de capital nacional, enquanto o capital externo avançou para dominar metade da economia brasileira.

          “Transferimos 15% do PIB para o capital internacional e criamos uma nova dependência”, disse. Condição que pode ser evidenciada ao se analisar o setor de patentes. Enquanto o setor acadêmico nacional e tecnológico é responsável por 2% da produção de conhecimento científico internacional, temos apenas 0,2% das patentes mundiais, ao passo que países como China, Malásia, Índia e Coréia do Sul, com forte participação do Estado, aumentaram significativamente sua participação nas patentes em nível internacional, argumentou o presidente do Ipea, órgão que está coordenando um trabalho para uma nova política estratégica para o Brasil, sustentada nas novas condições políticas surgidas no segundo governo Lula, o que explicaria a sua própria presença na direção da entidade, tão importante para o país.

1 de mar de 2009

Coleção "Os Economistas" para Download

A seguir, link para download de um pacote contendo as seguintes obras:

  • Adam Smith - A Riqueza das Nacoes - Investigação sobre sua natureza e suas causas. Vol. I
  • Adam Smith - A Riqueza das Nacoes - Investigação sobre sua natureza e suas causas. Vol. II
  • Afrânio Mendes Catani - América Latina Impasses E Alternativas
  • David Ricardo - Princípios De Economia Política E Tributação
  • Gunnar Myrdal - Aspectos Politicos Da Teoria Economica
  • John A Hobson - A Evolucao Do Capitalismo Moderno
  • John Maynard Keynes - A Teoria Geral Do Emprego, Do Juro E Da Moeda
  • John Stuart Mill - Princípios de Economia Política
  • Joseph Alois Schumpeter - Teoria Do Desenvolvimento Econômico
  • Karl Marx - O Capital - Crítica da Economia Política, Vol I
  • Karl Marx - O Capital - Crítica da Economia Política, Vol II
  • Léon Walras - Compêndio dos elementos de Economia Política Pura
  • Max Weber - Textos Selecionados
  • Michal Kalecki - Teoria da Dinâmica Econômica
  • Paul Anthony Samuelson - Fundamentos Da Análise Econômica
  • Piero Srafa - Produção de Mercadorias por Meio de Mercadorias
  • Thomas Robert Malthus - Princípios De Economia Política
  • Vilfredo Pareto - Manual de Economia Política
  • W. Stanley Jevons - A Teoria Da Economia Politica

ATENÇÃO: Respeite os direitos autorais! Utilize essas obras apenas para sua pesquisa e depois apague o arquivo.

DOWNLOAD AQUI

28 de fev de 2009

Carta-Testamento de Getúlio Vargas

          Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

          Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto.  Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

          Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançaram até 500% ao ano. Na declaração de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

          Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Cartazes%20Getulio%20MorteNada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

          Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Getúlio Vargas

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954

11 de jan de 2009

Nacionalismo de Esquerda X Nacionalismo de Direita

          Há uma longa e íngreme distância entre essas duas formas de nacionalismo. Não que o sentimento de amor e dedicação à pátria possa ter discrepâncias, mas a forma de entender e conduzir esse sentimento traduzido na forma de política pública é que é  completamente diferente – isso para não dizer que um é o oposto do outro. O nacionalismo de direita – aquele com suspeitas de fascismo – costuma ignorar a política econômica: talvez de tanto perseguir comunistas, acaba esquecendo que o sistema é capitalista; na verdade, um governo nacionalista de direita centra seus esforços demasiadamente na tentativa de impor ordem moral na sociedade – é como um pai que criou mal seu filho e, portanto, agora precisa obrigá-lo a agir de maneira digna. Conseqüentemente, tal modelo torna-se incapaz de promover reformas e políticas adequadas para a grandeza da nação, simplesmente acabam seguindo modelos econômicos ortodoxos mal concebidos que só causa mais e mais espoliação internacional, só traz mais e mais domínio econômico de países mais avançados sobre a nação. Em outras palavras, o nacionalismo de direita chega a ser até bonito no dia-a-dia: todos cantando o hino nacional, a bandeira tremula cá e acolá, as forças armadas estão bem equipadas, enfim; mas na essência, esse modelo só desgasta a nação porque não toca a fundo naquilo que realmente é importante para o bem geral da nação: a política econômica adequada; sua deixa para liberalizar a economia é um prato cheio para o imperialismo das nações mais adiantadas. Esse modelo de nacionalismo de direita é um grande conhecido nosso: é o modelo implantado pela ditadura militar. Após o fim da ditadura, com as eleições diretas em 1989, o modelo persistiu, porém parece-me que a palavra nacionalismo foi bem reduzida e a palavra direita foi bem aumentada. Esse novo nacionalismo de direita (mais de direita e menos nacionalismo) foi seguido até o presente momento (11 de janeiro de 2009) por todos os governos que assumiram a presidência da república nesse país, inclusive o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não teve coragem de mudar uma vírgula do plano econômico. Esse modelo causou pobreza, fome, miséria, desordem social, corrupção, afavelamento, impostos absurdos, invasão de importados, minimizou o potencial econômico brasileiro, nos manteve subdesenvolvidos e o que é pior: conseguiu – por meio da manipulação midiática de impérios da comunicação – fazer com que o povo aceitasse tudo isso como se fosse algo normal. Arrancou o sonho nacional do coração dos brasileiros.

Bandeira 3          Dessa forma, uma coisa é certa: nacionalismo de verdade, é o nacionalismo de esquerda. Esse modelo sabe bem o que quer. A política econômica é prioridade, o trabalhismo, o empreendedorismo a laboriosidade, a soberania nacional são mais que princípios, são doutrinas. Esse modelo é aquele adotado pelos primeiros governos dos EUA que fizeram deste, a maior potência econômica mundial. Claro, é tolice das maiores acreditar que se pode fazer uma nação forte sem ter um modelo econômico eficiente. Nada traz mais resultados positivos na qualidade de vida, na educação, na saúde, na ordem e no progresso do que um elevado grau de emprego e renda e a adequada distribuição dessa renda entre as pessoas. Possivelmente não é por acaso que o Brasil é o país de grandes proporções com a maior disparidade de renda do mundo há mais de 40 anos. Os trabalhadores têm salários míseros, pagam uma carga tributária fora de qualquer racionalidade, recebem serviços com tamanha precariedade que parecem ser oriundos de instituições da idade média e precisam conviver dia após dia com insegurança, bandidagem e ambiente público sujo e mal feito e alarmantemente depredado. O Nacionalismo de Esquerda é a única solução para fomentar a industrialização maciça, a tecnologia, o desenvolvimento de forças produtivas nacionais e o máximo aproveitamento da união dessas forças produtivas tal como do comércio justo e racional (justo e racional) com outras nações. O Brasil foi esquecido há quase 45 anos atrás, mas há de chegar o dia em que a nação brasileira terá o que merece: justiça, igualdade e liberdade. Basta seguir o modelo adequado.