2 de set de 2010

Keynes – Autosuficiência Nacional – Parte II

          Que problema encontramos aí? Superficialmente, nenhum. Não obstante, muitos de nós não estamos satisfeitos com ela como uma teoria política que funciona. O que há de errado? Penso que devemos descobrir a fonte de nossas dúvidas, não através de um ataque frontal senão por um passeio – passeando por um caminho diferente para encontrar o lugar de desejo do nosso coração político. Assim, tratarei de relacionar a nova orientação tão estreitamente como seja possível à anterior.

          Para começar, o tema da paz. Somos hoje pacifistas com tanta convicção que, se o internacionalista econômico pudece conquistar a paz, de pronto ele reconquistaria nosso apoio. Mas já não parece óbvio que a grande concentração de esforços nacionais para conquistar o comércio exterior, que a penetração da estrutura econômica de um país pelos recursos e influência de capitalistas estrangeiros, que uma dependência muito estreita de nossa própria vida econômica pelas instáveis políticas econômicas dos países estrangeiros sejam resguardos e garantias da paz internacional.

          É mais fácil, à luz da experiência e da previsão, argumentar totalmente o contrário. A proteção dos interesses estranhos a um dado país, a conquista de novos mercados, o progresso do imperialismo econômico – são uma parte apenas evitável de um esquema de coisas que aspira ao máximo da especialização internacional e à máxima difusão geográfica do capital, onde seja que asente sua propriedade. Aconselháveis Políticas nacionais poderiam, em geral, ser mais fáceis de se alcançar, se o fênomeno conhecido como “escape de capital” pudece ser exterminado. A separação entre a propriedade e a real responsabilidade da gestão é grave dentro de um país quando, como resultado de uma empresa de capital aberto, se rompe a propriedade entre inúmeros indivíduos que compram papéis hoje e vendem amanhã carecendo tanto do conhecimento quanto da responsabilidade para o que eles possuem momentaneamente. Mas quando o mesmo princípio se aplica intrnacionalmente, diga-se, em tempos de tensão, isso se torna intolerável – sou irresponsável em relação ao que eu possuo e aqueles que operam o que eu possuo são irresponsáveis em relação a mim. Podem existir alguns cálculos financeiros que demonstram que o exposto a continuação é vantajoso, que minhas poupanças deveriam ser investidas em qualquer parte do globo habitável onde se apresente a maior eficiência marginal do capital ou a maior taxa de lucro. Mas a experiência indica que a distância entre propriedade e opração – que históricamente está simbolizada por vocês na Irlanda num feudalismo ausente – é perversa nas relações entre os homens, e que provavelmente – ou seguramente – no longo prazo, estabelecerão tensões e inimizades que leverão a nada os cálculos financeiros.

15 de jun de 2010

Autosuficiencia Nacional – Keynes - Parte I

          A partir de hoje, aqui no blog, estaremos transcrevendo um texto imperdível do Keynes, intitulado Autosuficiencia Nacional, na qual Keynes fala de Globalização, Livre Comércio, Guerras, Socialismo Soviético e, como sugere o título, Ilhamento Econômico. O texto foi apresentado durante a Conferência Finlay, na University College, Dublin en 19 de abril de 1933 e publicada na Yale Review no mesmo ano. Não há disponibilidade do artigo na Internet, não há tradução e não está à venda no Brasil. É interessante como cada parágrafo proprociona grandes reflexões ao leitor. Assim, vamos publicá-lo aos poucos, em cerca de 20 partes, durante os próximos meses. Faremos a tradução livremente. Acompanhe!

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          Fui educado como a maioria dos homens ingleses, para respeitar o Livre Comércio não só como uma doutrina econômica, que uma pessoa racional e instruída não pode duvidar, mas quase como que como uma parte da lei moral. Considerava que os comuns desvios dela eram ao mesmo tempo uma tolice e um ultraje. Pensava que as inabaláveis convicções inglesas sobre o Livre Comércio, mantidas por quase cem anos, eram tanto a explicação frente aos homens como a justificação frente aos céus de sua supremacia econômica. Ao final de 1923 escrevi que o Livre Comércio se baseava em verdades fundamentais “que, afirmadas com suas devidas qualidades, ninguém capaz de compreender o significado das palavras podia questionar.”

          Hoje em dia, examinando novamente o que havia escrito então sobre essas “verdades fundamentais”, não me encontro mais as afirmando. Sem dúvidas, a orientação de minha mente mudou e compartilhou essa mudança mental com muitas outras. Parcialmente, sem dúvida, minha experiência sobre a teoria econômica foi modificada; -não deveria acusar ao Sr. Baldwin, como o fiz então, de ser “uma vítima da falácia protecionista em sua forma mais crua” porque ele acreditava que, nas condições existentes, uma tarifa alfandegária poderia ajudar a diminuir o desemprego britânico. Mas, em primeiro lugar, atribuo minha mudança de posição por outro assunto: às minhas esperanças e temores e preocupações, junto com as de muitos, ou a maioria, creio, desta geração em todo mundo, que são diferentes do que foram. Afastar-se dos hábitos mentais do mundo do pré-guerra do século XIX é um assunto que toma tempo. É assustador a quantidade de pensamentos obsoletos que a mente de alguém arrasta inclusive depois que o centro da consciência tenha mudado. Mas, hoje em dia finalmente, a um terço do caminho até o século XX, muitos de nós estamos ainda escapando do XIX, e quando cheguemos a sua metade, pode ser que nossos hábitos mentais e o que nos preocupa seja tão diferente dos métodos e valores do século XIX, como outros séculos tem sido referido de seus predecessores.

          Dessa forma, esse dia, apresento a primeira de uma série de conferências, que terão muitas sucessivas, mas nenhuma predecessora, pronunciando-a na Irlanda, que tem levantado um enérgico pé fora de seus pântanos para converter-se no centro desse experimento econômico e que se situa quase tão longe do Liberalismo inglês do século XIX como a Russia Comunista ou a Itália Fascista ou as bestas louras na Alemanha. Sinto ser apropriado tentar uma espécie de inventário, de análise, de diagnóstico para descobrir em quê consiste essencialmente essa mudança mental, e finalmente perguntar se, na confusão de pensamento que ainda envolve esse recentemente citado entusiasmo de mudança, não estamos correndo o risco desnecessário de descartar à água suja e ao lixo pérolas da característica sabedoria do século XIX.

          O que acreditavam estar levando a cabo os liberais do século XIX, que estávam entre os mais idealistas e desinteressados dos homens?

          Eles acreditavam – e talvez seja justo apontar isso primeiro – que estavam sendo perfeitamente sensatos, que só eles tinham a visão clara, que as políticas que pretendiam interferir com o ideal da divisão internacional do trabalho eram sempre descendente da ignorância derivada do próprio interesse.

          Em segundo lugar, eles acreditavam que estavam solucionando o problema da pobreza, e resolvendo esse problema para o mundo todo, alocando da melhor maneira, como uma boa governanta, os recursos e habilidades do mundo.

          Eles acreditavam, além do mais, que estavam servindo, não somente à sobrevivência dos mais fortes economicamente, mas servindo também à grande causa da liberdade, da liberade para as iniciativas pessoais e para os dons individuais, à causa da arte criativa e à gloriosa fertilidade da mente livre, em oposto às forças dos privilégios, do monopólio e da obsolescência.

          Eles acreditavam, finalmente, que eram amigos e garantidores da paz, das boas relações internacionais, da justiça econômica entre as nações e que eram os promotores do progresso e seus benefícios.

          E se ao poeta desse período às vezes lhe surgiam estranhos desejos de vagar muito longe, onde nunca chegaria o comerciante, e agarrar a cabra selvagem pelas crinas, ali também vinha com total segurança a cômoda reação: “Eu, como a multidão de testa pequena, livre de nossos ganhos gloriosos, Como uma besta de poucos prazeres, como uma besta poucas dores!”

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Continua…

 

 

 

30 de mar de 2010

Auditoria Cidadã

Com mais de 2 trilhões de Reais em dívida pública, grande parte das arrecadações da União são desviadas para o pagamento do serviço dessa dívida. Em 2009, foram pagos 380 bilhões em juros e amortizações (cerca de 32 vezes o que foi gasto com bolsa família ou 35% do orçamento anual.) A história da nossa dívida é repleta de histórias mal-contadas e é muito possível que o povo brasileiro esteja sendo roubado, no sentido estrito do termo, em sifras muitíssimo maiores que aquelas oriundas dos escândalos políticos cotidianos. Numa tentativa de rever essa questão, está em andamento uma comissão parlamentar sobre a Dívida Pública, é a CPI da dívida. Acompanhem no site:

http://www.divida-auditoriacidada.org.br/

24 de fev de 2010

Faixa Livre

Criado em 1994 no Rio de Janeiro, o Programa Faixa Livre é, de longe, o canal de comunicação mais comprometido com o Brasil e nosso povo na atualidade. Dele, participam grandes nomes da sociedade brasileira, todos unidos na defesa de um projeto de nação que há muito vem sendo objetivado. Nas palavras da própria equipe, o programa é formado por entidades "que se irmanam na luta por um Brasil socialmente mais justo, politicamente mais democrático e, enquanto Nação, mais soberano". Fica a dica.

http://www.programafaixalivre.org.br/

1 de fev de 2010

Brizola, por Giba Vasconsellos

          Conheci Gilberto Vasconcellos no primeiro encontro nacional da Rede Brasileira de Estudos Latino Americanos, ocorrido em Florianópolis no final do ano passado. Figura sem par, Giba é dono de um profundo comecimento da história política do nosso país, combinado a um grande sendo de humor. Sociólogo, professor, escritor e jornalista. É impossível ouvi-lo por cinco minutos sem rir, característica que transforma sua palestra em uma espécie de “standard comedy acadêmica”. A certa altura, reclama ele: “a comunidade acadêmica não me cita! Não me cita!”, mostrando indignação pelo desconhecimento da sua vasta obra literária. “Se fosse só na USP, eu entenderia”, completa. Giba não esconde seus ídolos: Glauber Rocha, Darcy Ribeiro e Gunder Frank são alguns dos mais lembrados; entretanto, há um pelo qual Giba tem um apreço especial: Leonel de Moura Brizola. “O velho Briza”, dizia ele, gabando-se de ser seu maior biógrafo. Abaixo, um texto imperdível de Giba sobre Brizola.

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          E o que acontece hoje com a gauchada? O minuano ficou tucano. Em 1945 Brizola era mais lúcido politicamente do que um gênio cinqüentão como Oswald de Andrade, percebeu a cilada(montada pelo imperialismo americano) das liberdades democráticas. Ficou politicamente com o Vargas derrubado. Será que Vargas foi um luxo que jamais poderá se repetir? Como Perón na Argentina? Como Cardenas no México?

          A progressão do imperialismo cada vez mais mediocriza os presidentes. Vide o Palácio do Planalto de 1964 para cá. A banalização do Presidente é deprimente. O bacana deixa o Palácio depois de 4 anos como se estivesse saindo de um programa de auditório. Acabei, Mãe! Isso num país em que Presidente da República já deu um tiro no coração.

          É ou não é chanchada ver um FHC debruçado num caixa  eletrônico do Banco Santander? Ou Lula pegar seu boné e ir para São Bernardo jogar sinuca com birita? Brizola era de outra estirpe, à Salvador Allende. O Deputado Florestan Fernandes vacilou ao chamá-lo de “machão”.

          Porta-voz da telefonia norte-americana, a USP espalhou que Brizola nunca havia lido um livro. Repetindo o que dizia Lincoln Gordon, o embaixador golpista de Harvard. Não me foi dada a oportunidade de conversar com Brizola sobre Antonio Cândido e Sérgio Buarque de Holanda, os dois amigos de Darcy Ribeiro e fundadores do PT em São Paulo.

          FC Leite Filho privou vários anos com o biografado. Tancredo Neves empurrou goela abaixo o dispositivo espúrio do parlamentarismo para Jango. Enfurecido, o governador Brizola queria prender Tancredo em Porto Alegre. Estava certo. Santiago Dantas chapou no uisque de Gordon e conspirou contra Jango, era a Virgem Maria dos brasilianistas, esquerda responsável, Brizola era a esquerda radical para Kennedy, que preferia Adhemar de Barros. Vaidoso, depois ministro de Sarney, o antimaxista Celso Furtado com seu plano Trienal foi o anti-Brizola das reformas de base. Eis a definição lapidar de Brizola sobre 1964: "Um golpe de interesses americanos com tropas brasileiras".

          A vida de Leonel Brizola é a prova de que o golpe de 64 ainda continua com o governo Lula. Os partidos de esquerda, influenciados pelo catecismo da caridade, dissociam a questão social da nacional. Cidadania virou ridícula palavra. Tudo é visto sob o prisma de uma mi stificada vontade. Que os privilegiados ofereçam as sobras para os "excluídos", tenham pena dos subdesenvolvidos. Assim, mundo rico e mundo pobre perdem suas conexões causais, ou seja, entre a riqueza e a pobreza desaparece inteiramente o nexo de exploração. A isso dá-se o nome de ideologia petucana.

          Brizola se autodefiniu: "sou um homem empírico", para sublinhar que vinha de longe. O empiriobriz22_brizolaolismo convive com o revolucionário intelectual. Brizola leu artigo de Andre Gunder Frank sobre a remessa de capital. No Rio, trocaram amabilidades teóricas quanto ao desenvolvimento do subdesenvolvimento, daí resultou a expressão "perdas internacionais". O ineliminável subdesenvolvimento crescente dentro do sistema capitalista mundial só tem uma saída: a revolução socialista.

24 de jan de 2010

Enquanto isso, no Haiti…

Aproveitando-se da situação vivida pelo Haiti nos últimos dias, os EUA se estabelecem militarmente nos país – logo serão 20 mil soldados das forças armadas estadunidenses impondo seu domínio sobre um país arrasado por séculos de exploração e, agora também, por terremotos.

Muitos talvez perguntam-se: o que os EUA poderiam querer com o Haiti? Sem motivação econômica direta, o Haiti é na verdade uma país estratégico; a verdadeira motivação transcede as fronteiras haitianas. O objetivo principal dessa ocupação é assegurar o domínio político, econômico e militar da América Latina. Com sua presença na Colômbia, recentemente em Honduras e agora no Haiti, os EUA criam um cerco à nossa região e, em especial, ao movimento revolucionário de países como Bolívia, Ecuador, Nicarágua e Venezuela.

17 de jan de 2010

Enquete encerrada

Após 6 meses de votação, encerramos a enquete “Que tipo de mudanças na Política Econômica seriam mais eficazes para promover o desenvolvimento?”. Os resultados foram os seguintes:

- Conjunturais (expansionismo fiscal e monetário): 37%

- Estruturais (controle de capitais, regime de câmbio fixo subvalorizado, etc.): 62%

Dos 37 votos, 23 entendem que arrancar uma planta daninha pela raiz é bem mais eficaz do que aparar as pontas cada vez que ela cresce!

 

…E Começa a valer hoje a nova enquete, com vigência até 30 de junho. A pergunta é:

Qual é o rumo político-econômico ideal para o Brasil no pós-crise?

- Continuar como está

- Novo-desinvolvimentismo nacionalista

- Novo-liberalismo cosmopolita

Participe!