24 de fev de 2010

Faixa Livre

Criado em 1994 no Rio de Janeiro, o Programa Faixa Livre é, de longe, o canal de comunicação mais comprometido com o Brasil e nosso povo na atualidade. Dele, participam grandes nomes da sociedade brasileira, todos unidos na defesa de um projeto de nação que há muito vem sendo objetivado. Nas palavras da própria equipe, o programa é formado por entidades "que se irmanam na luta por um Brasil socialmente mais justo, politicamente mais democrático e, enquanto Nação, mais soberano". Fica a dica.

http://www.programafaixalivre.org.br/

1 de fev de 2010

Brizola, por Giba Vasconsellos

          Conheci Gilberto Vasconcellos no primeiro encontro nacional da Rede Brasileira de Estudos Latino Americanos, ocorrido em Florianópolis no final do ano passado. Figura sem par, Giba é dono de um profundo comecimento da história política do nosso país, combinado a um grande sendo de humor. Sociólogo, professor, escritor e jornalista. É impossível ouvi-lo por cinco minutos sem rir, característica que transforma sua palestra em uma espécie de “standard comedy acadêmica”. A certa altura, reclama ele: “a comunidade acadêmica não me cita! Não me cita!”, mostrando indignação pelo desconhecimento da sua vasta obra literária. “Se fosse só na USP, eu entenderia”, completa. Giba não esconde seus ídolos: Glauber Rocha, Darcy Ribeiro e Gunder Frank são alguns dos mais lembrados; entretanto, há um pelo qual Giba tem um apreço especial: Leonel de Moura Brizola. “O velho Briza”, dizia ele, gabando-se de ser seu maior biógrafo. Abaixo, um texto imperdível de Giba sobre Brizola.

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          E o que acontece hoje com a gauchada? O minuano ficou tucano. Em 1945 Brizola era mais lúcido politicamente do que um gênio cinqüentão como Oswald de Andrade, percebeu a cilada(montada pelo imperialismo americano) das liberdades democráticas. Ficou politicamente com o Vargas derrubado. Será que Vargas foi um luxo que jamais poderá se repetir? Como Perón na Argentina? Como Cardenas no México?

          A progressão do imperialismo cada vez mais mediocriza os presidentes. Vide o Palácio do Planalto de 1964 para cá. A banalização do Presidente é deprimente. O bacana deixa o Palácio depois de 4 anos como se estivesse saindo de um programa de auditório. Acabei, Mãe! Isso num país em que Presidente da República já deu um tiro no coração.

          É ou não é chanchada ver um FHC debruçado num caixa  eletrônico do Banco Santander? Ou Lula pegar seu boné e ir para São Bernardo jogar sinuca com birita? Brizola era de outra estirpe, à Salvador Allende. O Deputado Florestan Fernandes vacilou ao chamá-lo de “machão”.

          Porta-voz da telefonia norte-americana, a USP espalhou que Brizola nunca havia lido um livro. Repetindo o que dizia Lincoln Gordon, o embaixador golpista de Harvard. Não me foi dada a oportunidade de conversar com Brizola sobre Antonio Cândido e Sérgio Buarque de Holanda, os dois amigos de Darcy Ribeiro e fundadores do PT em São Paulo.

          FC Leite Filho privou vários anos com o biografado. Tancredo Neves empurrou goela abaixo o dispositivo espúrio do parlamentarismo para Jango. Enfurecido, o governador Brizola queria prender Tancredo em Porto Alegre. Estava certo. Santiago Dantas chapou no uisque de Gordon e conspirou contra Jango, era a Virgem Maria dos brasilianistas, esquerda responsável, Brizola era a esquerda radical para Kennedy, que preferia Adhemar de Barros. Vaidoso, depois ministro de Sarney, o antimaxista Celso Furtado com seu plano Trienal foi o anti-Brizola das reformas de base. Eis a definição lapidar de Brizola sobre 1964: "Um golpe de interesses americanos com tropas brasileiras".

          A vida de Leonel Brizola é a prova de que o golpe de 64 ainda continua com o governo Lula. Os partidos de esquerda, influenciados pelo catecismo da caridade, dissociam a questão social da nacional. Cidadania virou ridícula palavra. Tudo é visto sob o prisma de uma mi stificada vontade. Que os privilegiados ofereçam as sobras para os "excluídos", tenham pena dos subdesenvolvidos. Assim, mundo rico e mundo pobre perdem suas conexões causais, ou seja, entre a riqueza e a pobreza desaparece inteiramente o nexo de exploração. A isso dá-se o nome de ideologia petucana.

          Brizola se autodefiniu: "sou um homem empírico", para sublinhar que vinha de longe. O empiriobriz22_brizolaolismo convive com o revolucionário intelectual. Brizola leu artigo de Andre Gunder Frank sobre a remessa de capital. No Rio, trocaram amabilidades teóricas quanto ao desenvolvimento do subdesenvolvimento, daí resultou a expressão "perdas internacionais". O ineliminável subdesenvolvimento crescente dentro do sistema capitalista mundial só tem uma saída: a revolução socialista.